Por Carlos Alberto Fernandes da Silva
Ao começar estes versos,
Ao começar estes versos,
Eu rogo a graça divina
(Costume dos cordelistas,
Que não chega a ser rotina),
E a luz de nosso Deus,
Que inspira e ilumina.
Pois quero homenagear
Um aniversariante,
Que não parou no caminho,
Mas prosseguiu adiante,
Mostrando, na caminhada,
A coragem de um gigante.
Falo de Renê Feitosa,
Pastor, professor, obreiro,
Que chega aos noventa anos,
Saudável, lúcido, inteiro,
Recebendo as honrarias
Como um Velho Guerreiro.
Alguém disse e eu concordo
E, nesses versos, repito,
Porque, além de verdade,
É um conceito bonito,
A respeito da grandeza,
Que, humildemente, admito.
Alguns homens nascem grandes,
Outros conquistam a grandeza
Porém outros receberam
(E disso, tenho certeza),
Uma missão grandiosa,
Que lhe conferiu nobreza.
Paulo, nosso grande Apóstolo,
Disse, mostrando fervor,
Que a sua capacidade,
Vinha das mãos do Senhor,
A quem prestamos a honra,
A majestade e o louvor.
Pois pela graça de Deus,
No dia doze de agosto,
Do ano de vinte e um,
Nasceu, sentindo o gosto
De ser filho primogênito,
Galgando o primeiro posto.
Antes dele Galileu,
Morreu ainda criança,
Deixando uma enorme dor
E uma eterna lembrança,
A vinda do Renezinho
Trazia uma nova esperança.
Filho de pai militar
Que lhe ensinou disciplina,
Patriotismo e dever,
Tudo o que não mais se ensina,
Seguir os passos do pai,
Tornou-se, então sua sina.
Sua mãe, sempre exalando
Atitudes amorosas,
Para criar os seis filhos,
Não viveu num mar de rosas,
Mas Deus tinha reservado
Surpresas maravilhosas.
Manoel Conrado Feitosa
Encontrou-se com o Senhor,
Que mudou seu coração,
Dando-lhe fé e amor,
Viveu com dedicação,
Temor a Deus e fervor.
A sua esposa, Otavia,
Acompanhou o marido,
Teve um encontro com Cristo,
E o seu dever cumprido
Na conversão de seus filhos,
Um favor imerecido.
Adalberto e Moacir,
Rômulo, Odete e Naor
Foram os outros cinco filhos,
E os frutos deste amor,
Três dos varões abraçaram
A vocação de Pastor.
Remulo viveu alguns meses,
Deixando recordação,
Ficou, pra sempre, guardado
Na mente e no coração,
Seria, nesta família,
Mais um querido irmão.
Teve a Terezinha e a Débora,
As irmãs desconhecidas,
Pois, bem cedo, o Senhor
Recolheu as suas vidas,
Deixando uma grande saudade,
Depois de suas partidas.
Embora de Curitiba,
Veio para Aquidauana,
Onde conheceu uma moça,
Bela, charmosa e bacana,
O coração bate forte
E o rapaz não se engana.
Casam-se no mês de maio
Exatamente em quarenta,
Nos braços de Idelguita,
A solidão, afugenta,
Pois formar uma família,
O jovem casal intenta.
Vieram os filhos: Reuel,
Uziel e Idelzora,
Sonja, Loíde, Jeziel,
Pois a mãe e protetora,
Na faculdade da vida
Foi mais que uma doutora.
No ano cinqüenta e um,
Termina a Teologia,
Que a partir de então,
Segue em sua companhia,
Pois ministra a Sistemática,
Com amor e euforia.
E, no Rio de Janeiro,
Lugar onde se formou,
Pastoreia por seis anos,
Na cidade que marcou
Grande parte de sua vida,
Pelo tempo que morou.
Depois, segue pra Goiânia,
Debaixo da direção
Do Deus Senhor da Seara,
Promovendo a fundação
Da IV Igreja Batista,
Que guarda no coração.
Por seis anos e oito meses,
Dedicou-se ao pastoreio
Daquele amado rebanho,
Com amor e sem receio
Das investidas malignas,
Jesus foi o seu esteio.
Volta ao Rio de Janeiro,
Desta vez, para Queimados,
O rebanho precisava,
Urgente, de seus cuidados,
Neste tempo conviveu
Com muitos irmãos amados.
Vai para Belo Horizonte,
A Igreja de Carlos Prates
Pedia a sua assistência
E direção nos combates
Que travava pelas vidas
Que aguardavam resgates.
Por este tempo, o Espírito
Sacudia o país,
Despertando as igrejas,
Período bom e feliz,
Um seminário surgia,
Brotava uma nova raiz.
Ele assume a direção,
Formando muitos pastores,
Dispostos ao sacrifício,
Necessidades e dores
E, pela obra de Deus,
Explodindo de amores.
O STEB, que ensinava
A Palavra com unção,
Formou milhares de jovens
Que tinham uma vocação,
E aprenderam com ele
O valor da oração.
Eu estive entre os alunos
Que beberam desta fonte,
Das mensagens e das aulas,
No Belíssimo Horizonte,
Tal qual os Doze Discípulos,
Ouvindo o Sermão do Monte.
Longe dele, os alunos
(Faço aqui uma confissão),
Não lhe chamavam Pastor,
Professor ou Capitão,
Entre os colegas, ele era,
Simplesmente, Renezão.
Que me ensinou Teologia,
E me fez seu assistente,
Ato que jamais esqueço
Porque me deixou contente,
Após trinta e sete anos,
Continuo no batente.
Cumprida a sua tarefa,
Ele assume a direção
Da gloriosa ESMI,
Escola com a missão
De formar missionários
Para a evangelização.
Sendo um bom professor
E organizador nato,
Ele arregaça a manga
E cumpre bem o mandato,
Plantando os fundamentos,
Trabalho sério e sensato.
Centenas de pregadores
Desta escola de missões,
Espalhados pelo mundo,
Em diferentes nações,
Praticam o que aprenderam
Nas suas ricas lições.
Dá preciosa ajuda
Ao filho, Pastor Reuel,
Travando lutas com Deus,
Na obra de Peniel,
Uma vez mais, demonstrando
Ser um obreiro fiel.
Vê esta obra crescendo,
Ultrapassando fronteiras,
Propagando-se, também,
Nestas terras brasileiras,
Resgatando os oprimidos
E aumentando as fileiras.
Em Salvador, na Bahia,
Surge um novo desafio,
Pois a Igreja Batista,
Com seu púlpito vazio,
Convida-o e ele assume,
Fugir não é seu feitio.
Depois disto, ele aceita
Um convite especial,
Indo além das fronteiras
Do cenário nacional,
Vai aos Estados Unidos,
Seguindo um novo ideal.
E durante onze anos,
Cumprindo o seu ministério,
Realiza o seu trabalho
Árduo, espinhoso e sério,
Pastorear é seu dom,
Exercido sem mistério.
Aos oitenta e oito anos,
Aceita ser o Pastor
Da Igreja em Campo Grande,
Com a mesma garra e amor,
Que tinha na juventude,
Pois não lhe falta o fervor.
Sem a esposa Idelguita,
Que encerrou a carreira,
Mãe amável e exemplar,
Mais que fiel companheira,
Pastor Renê continua
Com a família na esteira.
Completa noventa anos,
Com garra, empenho e vigor,
Tendo, do pai, a firmeza;
De sua mãe, o amor;
De Cristo, a força e a vitória;
E do Espírito, o ardor.
Louvo a Deus, o Grande Oleiro,
Que, usando o barro, formou
Este vaso escolhido,
A quem, um dia, chamou
E deu vitória em todas
As lutas que enfrentou.
Rendo, assim, minha homenagem,
Escrita neste cordel,
Nas linhas desses meus versos,
Esperando ser fiel.
Falo em nome da família
E dos amigos presentes,
Incluindo as ovelhas,
Todos estamos contentes;
Obrigado, Pastorzão,
Sua vida e sua missão
Ainda geram sementes.