terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Manjedoura Sem o Menino Jesus

Carlos Alberto Fernandes da Silva
 
Era uma vez um Monarca,
Num Reino não tão distante,
Conhecido por seu povo
Como um sábio Governante,
Cuja estória teve a ata
De um nobre viajante.
 
Foi este quem propagou
Os fatos deste cordel,
Resumidos nestas linhas
Deste relato fiel,
Feito com o doce sabor
De um destilar de mel.
 
Este nobre viajante
Descreveu cada detalhe,
Que registrei na memória,
Espero que ela não falhe,
Sobre este Reino feliz,
Bem presente neste entalhe.
 
Narrou, o tal viajante,
Que este Rei se preocupava
Em promover grandes festas
Para o povo, que ele amava;
Doze festas, todo ano,
O grande Rei preparava.
 
Entre todas, destacava-se,
Em dezembro, o Natal,
Para o Rei, a preferida,
A maior, a especial,
Motivo de grande empenho
De toda a Casa Real.
 
Além de sinos e músicas,
Mesa farta e muita festa,
Promovia-se a paz
E o fim de toda aresta,
A cidade festejava
Tendo o sábio Rei à testa.
 
Entre os milhões de detalhes,
Um provocava a atenção:
Eram inúmeros presépios
Espalhados na nação,
Presenças obrigatórias
Naquela celebração.
 
No centro da manjedoura,
Entre humildes animais,
O Rei Menino, Jesus,
Sem suas vestes reais,
Dominava o cenário,
Com seus súditos leais.
 
Estes não eram soldados,
Monarcas ou poderosos,
Eram humildes pastores,
Dispostos e corajosos,
Tendo, no alto, com harpas,
Hostes de anjos formosos.
 
Um letreiro com a frase
Do hino celestial,
Traduzia o sentido
Desta festa de Natal:
Glórias a Deus nas alturas
E paz a todo mortal!
 
Por muitos anos a festa
Permaneceu intocável,
Celebrando o nascimento
Deste ser inigualável,
Lembrando o dom divinal
De Deus, nosso Pai amável.
 
Mas algumas ‘mentes férteis’,
Temendo a cruel rotina,
Achando que a velha fórmula
Já cumprira a sua sina,
Modificaram a festa,
Com malícia, na surdina.
 
Introduziram os presentes,
Somente para agradar
A cobiça do comércio,
Mas sem se preocupar
Com aqueles que não tinham
Ouro e prata pra gastar.
 
O Natal, antes alegre,
Agora, tinha a tristeza
Daqueles que não viviam
Na fartura e na riqueza,
Esta mudança na festa
Redundou em malvadeza.
 
Criaram o Papai Noel,
Com um ar de bom velhinho,
Reinando, em lugar de Cristo,
Distribuindo carinho,
Mas injusto com os pobres,
Ausentes do seu carrinho.
 
Criaram a neve e as renas,
Os duendes encantados,
Introduziram os frondosos
Pinheiros iluminados:
O Natal passou a ter
Outros significados.
 
O álcool se propagou,
Mudando a celebração,
Transformando em algazarra
O culto de adoração
Que saudava o Dom de Deus,
Que trouxe a paz e o perdão.
 
De festa religiosa,
Transformou-se em pagã,
Toda a luta do Monarca
Bem cedo, tornou-se vã,
Pois o Natal do comércio
Superou o seu afã.
 
O monarca protestou,
Mostrou sua indignação,
Pôs arautos pelo Reino,
Falou à população,
Mas como voz no deserto,
Soou sua informação.
 
Pouca gente entendeu
O enorme prejuízo
Causado pelas mudanças,
E, apesar do aviso,
Ignoraram o Monarca,
Mostrando falta de siso.
 
O Monarca, muito triste,
Nadando contra a maré,
Passou a se reunir
Com quem possuia fé
No Rei Menino, Jesus,
O Cristo de Nazaré.
 
Continuou dando festas,
Mas no fim de cada ano,
Nos festejos do Natal,
Este sábio Soberano,
Não caia no engodo,
Nem sucumbia ao engano.
 
Pois o Natal se tornara
No único aniversário
Onde o aniversariante,
Fica fora do cenário,
Dando seu lugar às lendas,
Frutos do imaginário.
 
Papai Noel e os presentes,
De apelo comercial,
Afastaram a manjedoura
Dos festejos do Natal,
Com pinheiros e duendes,
Como foco principal.
 
O Rei viveu muitos anos,
Mas perdeu a alegria,
Pois, embora se esforçasse,
Ele nunca conseguia
Trazer de volta o sentido
Daquele grandioso dia.
 
O seu Reino prosperava,
Havia celebração,
Mas esquecia de Cristo
E de sua encarnação,
Desprezando o Dom Divino,
Que nos trouxe a salvação.
 
O tempo passou depressa
Mas deixou pouca mudança
Em relação ao Natal,
Ausente em nossa lembrança;
Papai Noel e os presentes
Atraem adulto e criança.
 
Por isso, nesse cordel,
Desejo a você, amigo,
Um retorno imediato
Àquele Natal antigo,
Da manjedoura, onde Cristo,
No mundo, encontrou abrigo.
 
Onde os anjos proclamaram
No coro celestial,
Glórias a Deus nas Alturas,
De uma forma especial,
E paz a todos os homens,
Neste primeiro Natal!
 
Que o Cristo da manjedoura
Habite em seu coração,
Para que você entenda
O sentido da canção
Entoada pelos anjos,
E desfrute a redenção.