quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Quinhentos Anos da Reforma Protestante

Carlos Alberto Fernandes da Silva


Chamo atenção do leitor
Para um fato interessante
Que abalou os poderes
De um império gigante,
Falo dos Quinhentos Anos
Da Reforma Protestante.

Foi no século XVI,
Na bela terra alemã,
Que brilhou a luz dos céus,
Trazendo um novo amanhã,
Mostrando que a coragem
De um monge não foi vã.

Este jovem, todos sabem,
Era Martinho Lutero,
Professor de Teologia,
Disciplinado e austero,
Fiel ao nosso bom Deus,
Religioso e sincero.

Descobriu, lendo a Palavra,
A importância da fé,
Enfrentou oposição
E nadou contra a maré.
Foi até excomungado,
Mas não arredou o pé.

Isso tudo aconteceu
Por causa das Indulgências,
Um perdão que se vendia,
A maior das indecências,
Que de acordo com o Papa
Dispensava as penitências.

Tetzel, um Dominicano,
Não parava de cantar
A musiquinha macabra
Feita para impressionar:
O tilintar das moedas
Faz almas, nos céus, entrar.

 Em 31 de outubro
(Mil quinhentos dezessete),
Enojado com as vendas,
Reunindo o seu escrete,
As Noventa e Cinco Teses
Dão início a um tete a tete.

Isto foi em Wittenberg,
Nas portas da Catedral,
Marco do Protestantismo,
Contra o poder papal,
Entre sermões de protesto
Contra o erro clerical.

Era um convite ao debate,
Não uma cisão na Igreja,
Mas despertava a dúvida,
Começando uma peleja,
Mostrando que alemão
Não é bom só de cerveja.

Antes dele, muita gente
Enfrentou a vil fogueira,
 Pois se opor à Igreja
Toda ‘santa e verdadeira’,
Era brincar com a morte,
Pra muitos, marcar bobeira.

Wycliffe morreu queimado,
E Huss teve a mesma sorte,
Savanarola, na Itália,
Não encontrou outro norte,
Quem desafiasse a Igreja,
Era punido com a morte.

Lutero foi convidado
A se retratar em Roma,
Frederico, vulgo o Sabio,
Este caso, nas mãos, toma,
E o leva a Augsburgo,
No contexto, uma redoma.

Sob a proteção do Príncipe
Das terras da Saxônia,
Lutero não se retrata,
Mesmo enfrentando a insônia,
Mas se esconde em um castelo,
Sem nenhuma cerimônia.

No Castelo Wartburg,
Traduziu as Escrituras,
Conhecia o hebraico e o grego,
E o Senhor das Alturas,
Sob ameaças de morte,
Ele enfrenta mil agruras.

Na Dieta de Worms
(No popular, Assembleia),
Muito embora enfrentasse
Uma terrível alcateia,
Ele tem a proteção
E não muda de ideia.

Deixou a famosa frase:
Eu não me retratarei,
Ao menos que as Escrituras
Me convençam que errei,
Pois ir contra a consciência
Não é correto, eu bem sei.

Pedindo a bênção de Deus,
Encerrou a discussão,
Foi, depois, excomungado,
E a sua reação
Foi  queimar a papal bula
Diante da multidão.

A doutrina de Lutero
Espalhou-se bem depressa.
As fronteiras alemãs,
Rapidamente, atravessa,
Em pouco tempo  ele tem
Bons seguidores à beça.

Casa-se com Catarina
De Bora, uma ex-freira,
Seis filhos mostram que a vida
Não foi uma brincadeira,
Abrigaram doze órfãos
Que viveram em sua esteira.

Sua vida literária
Foi intensa e fecunda,
Mais de quatrocentas obras
De uma mente profunda,
E apesar de tanto esforço,
O seu barco não afunda.

Entre os hinos que escreveu,
Destaco Castelo Forte,
Marselhese da Reforma,
Que revela bem seu porte,
Mas a Europa cristã
Sofreria enorme corte.

As guerras religiosas
Não iriam destruir
Os Pilares da Reforma,
Que jamais irão ruir,
As cinco solas legadas
Que devemos repetir.

Só Jesus e Só a Graça,
Só a Fé, Só a Escritura,
E Só a Deus Seja a Glória,
Eis a Mensagem mais pura
Da Reforma Protestante,
Para a geração futura.

Morre aos sessenta e três,
Em Eisleben, onde nasceu.
Sepultado em Wittenberg,
Onde um dia escreveu
As Noventa e Cinco Teses
Que o mundo não esqueceu.

Outros continuam a obra:
Como Zuinglio e Calvino,
Martin Bucer e Melanchton,
Pautados em seu ensino,
Nesta orquestra, ele foi
O primeiro violino.

Infelizmente, hoje em dia,
Tem crente na contramão,
Que quando ouve Reforma,
Pensa que é construção,
Ignorando os Pilares,
Não tem, sob os pés, um chão.

Principalmente esses grupos
Que só pensam em dinheiro,
Para quem os cinco solas
São coisas pra sapateiro,
Por esquecerem a história,
Repetem erro grosseiro..

Graças a Deus por Lutero
E a Reforma Protestante!
Um legado de vitórias
Que precisa ir adiante,
Com Deus, o Castelo Forte,
Avante! Avante! Avante!

sábado, 7 de outubro de 2017

O Reino dos Céus é das Crianças

Carlos Alberto Fernandes da Silva

Jesus disse, certa vez:
Criancinhas, venham à mim,
Vocês têm lugar nos céus,
O Mestre falou assim,
Não atrapalhem as crianças.
Alguns acharam ruim.

Num tempo em que as crianças
Não tinham grande importância,
Jesus mudou a história,
Ensinando a relevância
Dos meninos e meninas
Tratados com intolerância.

Mais tarde disse que todos
 Precisamos ser crianças,
Na pureza e humildade,
Presentes só nas lembranças,
Quando tudo era espontâneo,
Sem exigência ou cobranças.

Pois os seus lhes perguntavam
Qual deles era o maior.
Para o Mestre esta pergunta
Não podia ser pior,
Ele mostrou que a grandeza
Está com quem é menor.

A resposta que assustou
Cada um dos seguidores,
Por chocar-se, com certeza,
Com conceitos e valores,
Mostrou que, pelas crianças,
Jesus morria de amores.

Doutra feita, o bom Mestre,
Ouviu uma grande censura:
Crianças gritavam hosanas,
No Templo, em toda altura,
Os Sacerdotes e os Mestres
Esbanjavam amargura.

Jesus outra vez demonstra,
Pelas crianças, o amor,
Enfrentando a hipocrisia
Com coragem e destemor
Dizendo que, das crianças,
O Pai suscita o louvor.

Mas a maior homenagem
Que Ele fez à criançada
Foi na simples manjedoura,
Naquela noite estrelada,
Quando a vinda do Messias
Foi, por anjos, proclamada.

Pois Jesus se fez criança,
Nasceu e cresceu menino,
Aos doze anos, mostrou,
Aos doutores, seu ensino,
Sabendo, cedo, que a cruz
Seria o seu destino.

Sim, Jesus ama as crianças
E as chama à salvação,
Respeita toda humildade
Presente em seu coração,
Aceita o louvor sincero
E a sua adoração.

Neste dia das crianças,
Eu desejo anunciar
Que Ele deu sua vida
Somente pra nos salvar,
Toda criança do mundo
Ele quer abençoar.

Nós, adultos, não devemos
Criar nenhum embaraço.
Mas, como o Mestre, devemos
Tê-las em nosso regaço,
Imitando a humildade,
Protegendo-as do laço.

Salve o Dia das Crianças,
Dia de felicidade
Pra quem tem, no coração,
A pureza e a humildade,
Você pode ser criança,
Não importa a sua idade.

Que Deus dê a sua bênção
A todo infante do mundo,
A quem o Mestre dedica
Respeito e amor profundo,
Sem esquecer nenhum deles
Nem sequer por um segundo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Se Não Houvesse o Natal

Carlos Alberto Fernandes da Silva


Se não houvesse o Natal,
Nem o menino Jesus,
Teríamos brilho e cores,
Mas não teríamos luz,

Se não houvesse, em Belém,
A humilde estrebaria,
Teríamos divertimento,
Em lugar de alegria.

Se não houvesse os anjos
Cantando o que a Deus apraz,
Teríamos tranquilidade,
Mas não teríamos paz.

Se não houvesse o homem-Deus,
Dos céus, trazendo o perdão,
Haveria uma belas história,
Mas jamais a salvação.

Se não houvesse a dádiva
De Jesus, o Salvador,
Viveríamos sem Deus,
Sem conhecer seu amor.

Se não houvesse a Bíblia
A mensagem celestial,
Teríamos contos e lendas,
Que não seriam Natal.

Natal é prova de amor,
Caminho, vida e verdade,
Paz, alegria e perdão
De Deus à humanidade.

Deixe o menino Jesus
Tornar sua vida real,
Receba a paz e o perdão,
E um verdadeiro Natal!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Absalão – A História de Um Filho Mal Criado

Carlos Alberto Fernandes da Silva


Eu sempre rogo a meu Deus
Luz do céu e inspiração,
Quando tomo o papel
E a caneta em minha mão,
Principalmente ao falar
Sobre o jovem Absalão.

Para quem não o conhece,
Nem leu o que foi escrito,
Foi filho do Rei Davi,
E criador de atrito,
Entre muitos personagens,
Foi chamado o mais bonito.

Mas não basta um bom berço,
É preciso disciplina
Para educar um filho,
Sem culpar a triste sina,
Sua grande vaidade
Veio a ser sua ruina.

O Rei Davi foi o homem
De acordo com o coração
De Deus, mesmo assim falhou
No quesito educação,
E muito ajudou na queda
Do seu filho, Absalão.

Pois teve várias mulheres,
No passado, permitido.
Teve dezessete filhos,
Porém o seu preferido
Sempre foi Absalão,
Desleal e convencido.

Este tinha uma irmã,
Cujo nome era Tamar,
Não sei se nasceram outras,
Mas dá para imaginar,
Dezessete contra uma,
Um indigesto placar.

Absalão, quer dizer
Notem, ‘o meu pai é paz’,
Maaca, uma princesa
Era a mãe deste rapaz,
Filha do Rei de Gesur,
Diga mais quem for capaz.

Era o terceiro filho,
Amnom e Daniel
Nasceram bem antes dele,
E o trono de Israel
Já tinha dois pretendentes,
O destino foi cruel!

Nascido no ano 1.000
Antes da era cristã,
Dono de rara beleza,
Vaidade tola e vã,
Tinha a jovem Tamar
Como única irmã.

Sua enorme cabeleira
Destacava a vaidade
Daquele jovem perfeito,
Desde a sua tenra idade,
Porém beleza nem sempre
Rima com capacidade.

Era muito ambicioso,
Desleal e agressivo,
Mostrou-se maquiavélico,
Quando achou um bom motivo,
Pois por causa de Tamar,
Foi cruel e vingativo.

Porque seu irmão, Amnom
Veio a se apaixonar
(Sei que para os leitores´
E difícil acreditar),
Pela irmã de Absalão,
A bela jovem Tamar.

Ela era sua irmã,
Claro, por parte do Pai.
Mas tornou-se  obsessão
Daquela que nunca sai,
E a pior das loucuras,
Cometer, o jovem vai.

Ele finge estar doente
E solicita Tamar,
Queria comer um bolo,
Ela veio preparar,
Mas aí forçou a moça
A com ele se deitar.

Após consumar o ato,
Sentiu enorme aversão,
Pois isso é o que acontece
Quando impera a vil paixão
Disfarçada de amor,
Dominando um coração.

Ele manda a moça embora,
Depois de ser ultrajada,
Apesar de implorar,
A jovem sai humilhada.
Ao saber, Absalão
Quer sua honra lavada.

Finge abafar o caso
E planeja, enfim, a morte
Do cruel conquistador,
Que vai precisar de sorte,
Pois o belo Absalão,
Na crueldade, é mais forte.

O Rei Davi, diz o texto,
Ficou triste e indignado,
Mas ninguém ficou  sabendo,
Se Amnom foi castigado,
Absalão, por dois anos
Ficou quietinho e calado.

Depois disso armou um plano
Pra liquidar o irmão,
Convidando a família
Para uma reunião,
Os seus servos ajudaram
Nesta sua má ação.

O Rei Davi, sempre ausente,
Muito embora convidado,
Não foi se juntar aos filhos
(Não queria ser pesado),
Mais uma vez lamentou
O terrível resultado.

Absalão insistiu
Em receber o irmão,
Pois já tinha preparado
Uma grande traição,
O Rei Davi permitiu,
E caiu no alçapão.

Depois de uns goles de vinho,
Em total embriaguez,
Amnom é atacado,
Virando a bola da vez,
Os irmãos fogem, com medo
Do que Absalão fez.

Para escapar da ira
Do Rei Davi, o seu pai,
Absalão se esconde
No lar do avô, Talmai,
Durante três longos anos,
Ele balança e não cai.

Depois disso, ele pede
Permissão pra retornar,
O velho Davi vacila
E deixa o filho voltar,
Será que Absalão
Resolveu mesmo mudar?

Durante dois longos anos,
Não viu a face do Rei,
Mas Joabe, o capitão,
Abrandando a dura lei,
Aproxima pai e filho,
Mas o motivo eu não sei.

Mas sei que sua maldade
Mais e mais vai aumentando,
Pois um novo triste plano,
Aos poucos vai engendrando,
As omissões de seu pai,
Com ele, vai cooperando.

Absalão, perdoado,
Ambiciona a coroa,
Só tinha um irmão à frente,
Porém a notícia boa
É que tinha sangue azul,
Um detalhe nada à toa.

Primeiro, tenta mostrar-se
Bem melhor que o ancião,
Mostrava ser bom juiz,
Fazendo comparação,
Numa concorrência aberta
Visando a usurpação.

Mas depois de quatro anos
De seu exílio forçado,
Absalão se julgava
Bem mais do que preparado
Para assumir o trono,
Desde há muito, desejado.

Ele vai para Hebrom,
Reúne a população,
Forçando o pai a fugir
Cruzando o Rio Jordão,
Nas terras de Maanaim,
Em total humilhação.

Absalão, prosseguiu
Dando asas à maldade,
Profana o leito do pai,
Pratica imoralidade
Diante dos habitantes
Da sua antiga cidade.

Enquanto isso, Joabe,
O supremo comandante,
Preparava uma estratégia
Contra o jovem meliante,
Atraindo-o aos bosques,
Armando um plano brilhante.

Abisai junto a Itai
Auxiliaram Joabe,
Formando três divisões,
Atitude de quem sabe,
Cercando o jovem rebelde,
Antes que a dia acabe.

Eles vencem os oponentes
Com certa facilidade,
Muitos fogem da batalha,
Foi dura a realidade
Deste sonho ambicioso,
Eivado de falsidade.

O Rei, sempre protetor,
Pediu poupassem o seu filho,
Mesmo sendo desleal,
Andando fora do trilho,
Atitude de fraqueza
Que muito ofusca o seu brilho.

Absalão enganchou-se,
Com a vasta cabeleira,
Num galho de um carvalho,
Sendo a vítima certeira
Das flechadas de Joabe,
Na batalha derradeira.

Outros dez lhe acertaram,
Sua vida chega ao fim,
Pendurado numa árvore,
Ele permanece assim,
Sendo, depois, enterrado
Nas florestas de Efraim.

O Rei soube do ocorrido,
E caiu em grande choro,
Mas com certeza, ninguém
Quis com ele fazer coro,
Pois aquela sedição
Foi um grande desaforo.

Enquanto isso o Rei,
Não parava de chorar:
Absalão, eu queria
Ter morrido em teu lugar.
Era um pai amoroso,
Isso eu não posso negar.

Mas quem não educa o filho
E só pensa na beleza,
Esquecendo a disciplina,
Pode ter uma surpresa,
Ao saber que alimentava
Uma cobra em sua mesa.