O Estupro no Brasil
Carlos Alberto
Fernandes da Silva
O
Brasil do futebol,
Carnaval
e alegria
Tem
deixado suas filhas
Em
constante agonia,
Por
temerem um ataque
Até
sob a luz do dia.
São
quinhentas mil mulheres
Estupradas
todo ano.
Isto
em números redondos,
Retrato
triste e insano.
A
pátria da impunidade
Põe
tudo embaixo do pano.
Nos
grandes centros, impera
O
completo desrespeito;
Os
olhares e as gracinhas
São
comportamento aceito;
Pra
tanto constrangimento
Parece
não haver mais jeito.
Nos
trens das grandes cidades,
A
terrível esfregadinha
Apavora
as passageiras,
Sem
contar a mão bobinha,
Parece
não haver limites
Neste
trem fora da linha.
Tem
os exibicionistas,
Os
que seguem em seus carros,
Apavorando
as mulheres,
Sem
falar nos vis esbarros,
Os
tarados de plantão
São
nojentos e bizarros.
Tem
os que atacam as bolsas,
Os
que gostam de espancar,
Tem
até que rouba beijo,
É
difícil acreditar,
Hoje,
até pela Internet
Eles
conseguem atacar.
Agora,
vem a notícia
De
um estupro coletivo:
São
trinta e três contra uma,
Sem
razão e sem motivo,
Transformaram
uma garota
Num
banal aperitivo.
Não
é a primeira vez,
É
o número que apavora,
O
povo está despertando,
Aliás,
já era hora,
Quem
tem vergonha na cara,
Diante
dos fatos, cora.
Na
incompleta estatística,
Muito
embora oficial,
Em
cada onze minutos,
Fato
tornado banal,
É
registrado um estupro
No
cenário nacional.
Na
nossa tosca cultura,
Se
acaso não houver morte,
Deve-
se agradecer
Porque
é sinal de sorte,
O
‘estupra, mas não mata’,
È
um sentimento forte.
O
pior é que a culpa
Quase
sempre é da mulher,
Seja
por provocação,
Ou
tudo o mais que houver,
Muitas
preferem o silêncio,
E
seja o que Deus quiser.
O
Brasil, país machista,
Precisa
de educação,
A
começar, por exemplo,
Com
a nossa opinião,
Pois
quem se cala, consente,
E
dá sua aprovação.
Certa
vez, dentro de um ônibus,
Enquanto
uma jovem dormia,
O
passageiro ao lado
Sem
pudor, satisfazia
Sua
tara compulsiva,
No
aperto, ninguém via.
Um
nordestino presente
Demonstrou
indignação,
Ao
ver a jovem indefesa
Ser
tocada pela mão
Do
vizinho que assumia
Ser
tarado de plantão.
Ele
armou um escarcéu,
Protestou
com veemência,
Alguns
até o acharam
Ser
portador de demência,
Enquanto
o cara acusado
Declarava
inocência.
Ele
fez uma pergunta,
Que
possuía sentido:
Você não tem mãe ou
irmã?
Indagou
ao vil bandido,
Pois
a educação do lar,
É
remédio garantido.
Eu
já vi uma entrevista
D’uma
certa ‘atriz pornô’,
No
programa Viva o Gordo,
Do
inimitável Jô,
Que
o deixou abismado
No
seu rápido alô.
Declarou
ter feito sexo,
Pasmem,
tudo num só dia,
Com
uns trezentos parceiros
(A
plateia toda ria),
Para
elaborar um vídeo,
Que,
certamente, vendia.
Esta
é a educação
Que
a juventude recebe,
Um
grupo de trinta e três,
Que
a gente não concebe,
Perto
deste tolo vídeo,
É
refresco que se bebe.
Existe
um binômio mágico
Que
permanece atual:
Educação
na infância,
Remédio
pra todo mal,
Lei
severa pro adulto,
Que
quebra a norma legal.
Na
falta deste binômio,
Como
no caso em questão,
Ainda
iremos ouvir,
No
radio e televisão,
Notícias
de mais estupros,
Manchando
a nossa nação.
Sei
que é preciso prudência,
Sem
juízo apaixonado,
A defesa do suspeito
É direito consagrado.
Nada
pior que a injustiça
De
juiz precipitado.