quinta-feira, 2 de junho de 2016

O Estupro no Brasil
Carlos Alberto Fernandes da Silva

O Brasil do futebol,
Carnaval e alegria
Tem deixado suas filhas
Em constante agonia,
Por temerem um ataque
Até sob a luz do dia.

São quinhentas mil mulheres
Estupradas todo ano.
Isto em números redondos,
Retrato triste e insano.
A pátria da impunidade
Põe tudo embaixo do pano.

Nos grandes centros, impera
O completo desrespeito;
Os olhares e as gracinhas
São comportamento aceito;
Pra tanto constrangimento
Parece não haver mais jeito.

Nos trens das grandes cidades,
A terrível esfregadinha
Apavora as passageiras,
Sem contar a mão bobinha,
Parece não haver limites
Neste trem fora da linha.

Tem os exibicionistas,
Os que seguem em seus carros,
Apavorando as mulheres,
Sem falar nos vis esbarros,
Os tarados de plantão
São nojentos e bizarros.

Tem os que atacam as bolsas,
Os que gostam de espancar,
Tem até que rouba beijo,
É difícil acreditar,
Hoje, até pela Internet
Eles conseguem  atacar.

Agora, vem a notícia
De um estupro coletivo:
São trinta e três contra uma,
Sem razão e sem motivo,
Transformaram uma garota
Num banal aperitivo.

Não é a primeira vez,
É o número que apavora,
O povo está despertando,
Aliás, já era hora,
Quem tem vergonha na cara,
Diante dos fatos, cora.

Na incompleta estatística,
Muito embora oficial,
Em cada onze minutos,
Fato tornado banal,
É registrado um estupro
No cenário nacional.

Na nossa tosca cultura,
Se acaso não houver morte,
Deve- se agradecer
Porque é sinal de sorte,
O ‘estupra, mas não mata’,
È um sentimento forte.

O pior é que a culpa
Quase sempre é da mulher,
Seja por provocação,
Ou tudo o mais que houver,
Muitas preferem o silêncio,
E seja o que Deus quiser.

O Brasil, país machista,
Precisa de educação,
A começar, por exemplo,
Com a nossa opinião,
Pois quem se cala, consente,
E dá sua aprovação.

Certa vez, dentro de um ônibus,
Enquanto uma jovem dormia,
O passageiro ao lado
Sem pudor, satisfazia
Sua tara compulsiva,
No aperto, ninguém via.

Um nordestino presente
Demonstrou indignação,
Ao ver a jovem indefesa
Ser tocada pela mão
Do vizinho que assumia
Ser tarado de plantão.

Ele armou um escarcéu,
Protestou com veemência,
Alguns até o acharam
Ser portador de demência,
Enquanto o cara acusado
Declarava inocência.

Ele fez uma pergunta,
Que possuía sentido:
Você não tem mãe ou irmã?
Indagou ao vil bandido,
Pois a educação do lar,
É remédio garantido.

Eu já vi uma entrevista
D’uma certa ‘atriz pornô’,
No programa Viva o Gordo,
Do inimitável Jô,
Que o deixou abismado
No seu rápido alô.

Declarou ter feito sexo,
Pasmem, tudo num só dia,
Com uns trezentos parceiros
(A plateia toda ria),
Para elaborar um vídeo,
Que, certamente, vendia.

Esta é a educação
Que a juventude recebe,
Um grupo de trinta e três,
Que a gente não concebe,
Perto deste tolo vídeo,
É refresco que se bebe.

Existe um binômio mágico
Que permanece atual:
Educação na infância,
Remédio pra todo mal,
Lei severa pro adulto,
Que quebra a norma legal.

Na falta deste binômio,
Como no caso em questão,
Ainda iremos ouvir,
No radio e televisão,
Notícias de mais estupros,
Manchando a nossa nação.

Sei que é preciso prudência,
Sem juízo apaixonado,
A defesa do suspeito
É direito consagrado.
Nada pior que a injustiça
De juiz precipitado.

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