segunda-feira, 28 de março de 2016

O Túmulo Estava Vazio
Carlos Alberto Fernandes da Silva
  


Madalena foi cedo ao sepulcro,
Com tristeza, saudades e frio,
Procurar pelo corpo do Mestre,
Na maior sequidão de estio,
Mas foi grande a sua surpresa,
Pois o túmulo estava vazio.

Uma pedra enorme e pesada
Parecia o maior desafio,
E aquelas mulheres tão frágeis,
Cuja força eu não deprecio,
Viram a pedra, por Deus, removida,
E o sepulcro que estava vazio.

Um fenômeno da natureza,
Terremoto local e bravio,
Foi a força usada por Deus,
Que beirava um real desvario,
Afastando esta pedra pesada,
Pra que o túmulo ficasse vazio

Os soldados fugiram com medo,
E, ao povo, não deram um pio,
Pois temiam pagar com a vida,
Que ficava como por um fio,
Não podiam, a ninguém, explicar
Por que o túmulo estava vazio.

As mulheres que foram com ela,
Demonstrando coragem e brio,
Cada qual carregando uma lâmpada,
Com o vento apagando o pavio,
Não puderam esconder a emoção,
Quando viram o sepulcro vazio.

De repente, dois anjos formosos
Transformaram o ambiente sombrio:
Por que buscas um vivo entre os mortos?
Indagaram sem nenhum desvio,
Para que se cumprisse a Escritura,
Eis que o túmulo estava vazio.

Madalena ainda chorosa,
Certamente, sentiu arrepio,
Ao notar que havia um alguém,
Neste campo distante e baldio,
Julgou fosse o fiel jardineiro,
Quem deixara o sepulcro vazio.

Mas Jesus avisou: Não me toques,
Parecendo-lhe um pouco arredio,
Eu ainda não subi ao Pai,
Estou vivo, é o que lhe anuncio,
Finalmente, ela pôde entender
Por que o túmulo estava vazio.

Ela foi avisar aos discípulos
O segredo, que, agora, desfio,
Aleluia, Ele ressuscitou,
De sua vida, hoje, eu me aproprio,
Pois, da morte, venceu os grilhões,
Ao deixar o sepulcro vazio.

Pedro foi, bem depressa, ao sepulcro,
Atitude bem do seu feitio,
Encontrou os lençóis sobre a pedra,
Deus mostrava o seu poderio,
Levantando Jesus dentre os mortos,
E deixando o seu túmulo vazio.

João chegara primeiro que Pedro,
E, de fora, esperava, gentil,
Quando Pedro saiu, ele entrou,
Sem ouvir nenhum som, nenhum chio,
Mas saiu dando glórias a Deus,
Por ter visto o sepulro vazio.

Hoje a páscoa é um ovo de coelho,
Para o qual poucos sentem fastio,
Sem lembrar deste Cristo que vive,
Em quem creio, em quem eu confio,
Porque sei que o túmulo aberto
Pelo Pai permanece vazio.

Quem quiser beber da água viva,
Que, do coração, sai como um rio,
Aproveite, o momento é propício,
Ainda é  tempo, não seja tardio,
Jesus vive e até hoje o seu túmulo
Não mudou, continua vazio.

sábado, 19 de março de 2016

Carta Aberta ao Irmão Cunha

Carlos Alberto Fernandes da Silva


Irmão Cunha, me disseram
Que você é evangélico.
Fiquei pasmo, pois você
Além de maquiavélico,
Jamais dá a outra face,
Ao contrário, é sempre bélico.

O cristão, você bem sabe,
Busca a paz e a mansidão,
Anda na luz do Senhor,
Tem um puro coração,
Jamais pratica a mentira,
Mostra, em tudo, retidão.

Como sei que, atualmente,
Tem todo tipo de crente,
Julgá-lo seria errado,
Não quero ser displicente,
Mas encobrir os escândalos
Não vai fazer bem à gente.

Irmão Cunha são tão claras
As evidências colhidas,
Perdoe a sinceridade,
Não podem ser escondidas,
Suas manobras jamais
Vão torná-las esquecidas.

Tais manobras, ao contrário,
Fazem mal a todo mundo.
Não faça o povo de bobo,
Com seu cérebro fecundo,
Quem tem zelo, diante disso,
Sofre um pesar profundo.

Você já ouviu falar
Da conversão de Zaqueu,
Publicano que roubava
O pobre povo judeu?
Jesus mudou sua vida
E veja o que aconteceu.

Devolveu o que roubou,
Só que quatro vezes mais;
A metade de seus bens
(Era um dos maiorais)
Decidiu doá-la aos pobres,
Da conversão, deu sinais.

Caso você seja honesto,
Desculpe a insinuação
(É que as provas foram claras),
Desde já, peço perdão,
Mas não estou preparado
Pra ver um crente ladrão.

A Bíblia diz que o joio
Cresce junto com o trigo.
Por isso é bom um exame,
Aceite o conselho, amigo.
Se você é um novo crente,
Prefiro o modelo antigo.

segunda-feira, 14 de março de 2016

O Impeachment da Dilma
Carlos Alberto Fernandes da Silva



Nestes dias em que o povo
Não consegue mais sorrir,
Nossa gente, dividida,
Tenta, às cegas, descobrir
Se a Presidente Dilma
Permanece ou vai cair.

O mineiro Aecio Neves,
Saiu depressa do muro,
Onde vive o seu partido,
No mais calado escuro,
Vendo que não cheira bem
Nosso próximo futuro.

Sempre muito inconformado
Por ter perdido nas urnas
Não para de agitar
Junto com as suas turmas,
Exigindo o tal Impeachment,
Tentando esquecer de Furnas.

Já o Vice Presidente,
Alternando o seu agir,
Ora fala, ora se cala,
Sem temer o que há de vir,
Como bom oportunista,
Só espera ela cair.

Seu partido, na surdina,
Bem mais sujo que o PT,
Serve a quem lhe paga mais,
Eu não entendo o porquê,
Poderia ter luz própria,
Salve o PMDB!

O Presidente da Câmara
Cunha mil declamatórias
Pra fugir da cassação,
Em função de umas estórias
Que o ligam a falcatruas,
E não deixam escapatórias.

Devia ser um piloto, 
Em função de suas obras,
Pois sua especialidade
São arricadas manobras,
Mostrando ter mais veneno
Que a maioria das cobras. 

Lulinha tenta ajudar,
Mas no presente momento,
É melhor ficar de fora,
Pois o Sítio e o Apartamento,
Só complicam a situação,
E multiplicam o tormento.

Atualmente, o barbudo
Tem que cuidar dele mesmo,
Pois tem promotor nervoso,
Que não dá tiros a esmo,
Querendo fritar o cara
Como quem frita torresmo.

O Juiz paranaense,
O novo herói do Brasil,
Vai angariando a fama
De um sujeito varonil,
Atento à letra da Lei
Sem deixar faltar um til.

Que mantenha o equilíbrio,
Evitando exagerar.
O circo que foi armado,
Para o Lulinha levar
Foi visto no mundo inteiro,
Pra nos desmoralizar.

Vendo toda esta bagunça,
Eu fico contrariado,
Ao pensar nos presidentes
Que deixaram um bom legado:
Se eles fossem investigados,
Qual seria o resultado?

Enquanto isto, Maluf
Recebe pena na França,
O Quercia descansa em paz,
Deixando uma bela herança,
Outros políticos riem
De tanta grana na pança.

No picadeiro, a Dilma
Balança na corda bamba,
Não sei se cai ou não cai,
Ela é dura pra caramba,
Sei que o desemprego aumenta
E a economia descamba.