O Túmulo Estava Vazio
Carlos Alberto Fernandes da Silva
Madalena foi cedo ao sepulcro,
Com tristeza, saudades e frio,
Procurar pelo corpo do Mestre,
Na maior sequidão de estio,
Mas foi grande a sua surpresa,
Pois o túmulo estava vazio.
Uma pedra enorme e pesada
Parecia o maior desafio,
E aquelas mulheres tão frágeis,
Cuja força eu não deprecio,
Viram a pedra, por Deus, removida,
E o sepulcro que estava vazio.
Um fenômeno da natureza,
Terremoto local e bravio,
Foi a força usada por Deus,
Que beirava um real desvario,
Afastando esta pedra pesada,
Pra que o túmulo ficasse vazio
Os soldados fugiram com medo,
E, ao povo, não deram um pio,
Pois temiam pagar com a vida,
Que ficava como por um fio,
Não podiam, a ninguém, explicar
Por que o túmulo estava vazio.
As mulheres que foram com ela,
Demonstrando coragem e brio,
Cada qual carregando uma lâmpada,
Com o vento apagando o pavio,
Não puderam esconder a emoção,
Quando viram o sepulcro vazio.
De repente, dois anjos formosos
Transformaram o ambiente sombrio:
Por
que buscas um vivo entre os mortos?
Indagaram sem nenhum desvio,
Para que se cumprisse a Escritura,
Eis que o túmulo estava vazio.
Madalena ainda chorosa,
Certamente, sentiu arrepio,
Ao notar que havia um alguém,
Neste campo distante e baldio,
Julgou fosse o fiel jardineiro,
Quem deixara o sepulcro vazio.
Mas Jesus avisou: Não me toques,
Parecendo-lhe um pouco arredio,
Eu
ainda não subi ao Pai,
Estou
vivo, é o que lhe anuncio,
Finalmente, ela pôde entender
Por que o túmulo estava vazio.
Ela foi avisar aos discípulos
O segredo, que, agora, desfio,
Aleluia, Ele ressuscitou,
De sua vida, hoje, eu me aproprio,
Pois, da morte, venceu os grilhões,
Ao deixar o sepulcro vazio.
Pedro foi, bem depressa, ao sepulcro,
Atitude bem do seu feitio,
Encontrou os lençóis sobre a pedra,
Deus mostrava o seu poderio,
Levantando Jesus dentre os mortos,
E deixando o seu túmulo vazio.
João chegara primeiro que Pedro,
E, de fora, esperava, gentil,
Quando Pedro saiu, ele entrou,
Sem ouvir nenhum som, nenhum chio,
Mas saiu dando glórias a Deus,
Por ter visto o sepulro vazio.
Hoje a páscoa é um ovo de coelho,
Para o qual poucos sentem fastio,
Sem lembrar deste Cristo que vive,
Em quem creio, em quem eu confio,
Porque sei que o túmulo aberto
Pelo Pai permanece vazio.
Quem quiser beber da água viva,
Que, do coração, sai como um rio,
Aproveite, o momento é propício,
Ainda é tempo, não seja tardio,
Jesus vive e até hoje o seu túmulo
Não mudou, continua vazio.