domingo, 24 de maio de 2015

Resposta de Um Pastor Evangélico às Ironias do Lula


Carlos Alberto Fernandes da Silva


Os Pastores Evangélicos,
Que não são Aiatolás,
Foram acusados, por Lula,
De culparem satanás
Por todos os infortúnios
E todas as coisas más.

Disse em tom de gozação,
Provocando mil risadas,
Aliviando as tensões,
Falou coisas engraçadas,
Deixando algumas pessoas
Pasmas e preocupadas.

Os Pastores não estão
Acima do bem e o mal,
Brincar com eles, eu acho
Uma atitude normal,
Não somos Buda nem Papa,
Nem da Família Real.

A atitude do Lula
Foi apenas brincadeira,
Comportamento normal
Da família brasileira,
Não existindo motivo
Para resposta grosseira.

A generalização,
Sempre errada e perigosa,
É que pode chatear
Quem não aprovou a prosa
Deste eterno fanfarrão
Com a língua pegajosa.

O próprio Lula tornou-se
Alvo de imitação,
Língua presa e voz macabra
Sempre deram munição
Aos melhores e piores
Artistas desta nação.

Nunca vi Lula zangado,
Com nenhum imitador,
Sempre encarou tudo isso
Com tolerância e humor,
Ficar zangado com ele,
Seria constrangedor.

Por isso nenhum fiel
Deve ter ressentimento;
Jornais sensacionalistas
Deram destaque a um momento
De pura descontração,
D’ um sujeito desatento.

Um pequenino detalhe,
Porém, me chama à atenção,
Se por um lado os pastores
Em tudo, enxergam o cão,
O Lula nunca vê nada,
Diante de acusação.

Ele enxerga bem os erros
De todos os oponentes,
Ele se julga o melhor
Entre todos os viventes
E se acha no direito
De rir da cara da gente.

Quando era Presidente,
Não viu o tal Mensalão,
Declara não saber nada
Do terrível Petrolão,
Pois está sempre dormindo,
Enquanto age o ladrão.

Pastores, vamos parar
De culpar, por tudo, o cão,
Lulinha, vê se enxerga,
Entre os amigos, a mão
Que, dos pobres operários,
Tem surrupiado o pão.

E felizmente, é assim
Que caminha a humanidade:
Gracinhas de lado a lado,
Sem rancor e sem maldade,
Mas alguém disse, é brincando
Que a gente diz a verdade.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

A Indústria das Multas

Carlos Alberto Fernandes da Silva

O cidadão brasileiro,
Traz a tristeza no rosto,
Pois coleciona contas,
O que lhe causa desgosto,
Por não conseguir pagar
Um balaio de imposto.

Além do imposto presente
Em tudo o que se consome,
O mal assalariado,
Que vive quase na fome,
Se não pagar os impostos
Vai perder até seu nome.

Todo ano, em janeiro,
O tal do IPTU
Tem o seu maldito aumento,
Até toca de tatú
Não consegue se livrar
Deste maldito urubu.

O leão, esfomeado,
Também dá sua mordida,
A sua ingrata tabela,
Que nem sempre é corrigida,
Leva até as nossas calças,
Deixando enorme ferida.

A conta de água e luz,
Bem maior que a inflação,
Leva o resto do salário
Do infeliz cidadão,
Cujo nome fica sujo,
Quando atrasa a quitação.

O IPVA tão caro,
O triste Licenciamento,
Que não evitam o pedágio,
São  motivos de tormento,
Só falta inventar imposto
Pra quem anda de jumento.

Com o ICM S
 IPI,  ISS,
Até  a taxa da Igreja
Nas barracas da quermesse,
Atacam o comerciante
Sem dispensar a benesse.

Tem o imposto do cheque
E da transação bancária,
Os descontados na fonte,
Bem pior que urticária,
Atacando o populacho
Como surto de malária.

Tem Igreja que não pede,
Ao fiel, contribuição,
Mas imposto compulsório,
Obrigando o bom cristão
A ofertar com tristeza,
Na base da obrigação.

Hoje em dia, a gente paga
Até para estacionar
Em frente de nossa casa,
É difícil acreditar,
Quando se sai da garagem,
O perigo está no ar.

Até mesmo o Flanelinha
Já faz parte da escória
Que assalta o nosso povo
Com a taxa compulsória
Para se estacionar,
Sem deixar escapatória.

Achando tudo isto pouco,
Vêm as aves de rapina,
Em nome do bom governo,
Sempre agindo na surdina,
Com uma nova mordida,
Bem presente em cada esquina.

É a Indústria das Multas,
Cruel, má e traiçoeira,
Que rouba, sem piedade,
A família brasileira,
Para engordar os cofres
Desta classe sorrateira.

O político que pede
O voto do cidadão,
Trai a sua confiança,
Agindo como um ladrão,
Fortalecendo esta indústria,
Em nome da educação.

Sai governo, entra governo,
Mas não existe mudança,
Cada dia ela se amplia,
Matando nossa esperança,
As multas se multiplicam,
A exploração avança.

O cruel guarda de trânsito
Em vez de nos ajudar,
Fica somente na espreita,
Procurando nos multar,
Sem falar que em toda parte,
Existe um atento radar.

Bem presente em cada esquina,
Sob o mais belo pretexto:
Evitar os acidentes,
Como bem reza o seu texto,
Mas castigando o Povão,
Como mostro no contexto.

Pois faz parte do orçamento
Da municipalidade,
Como nos tempos de Nottingham,
Com violência e maldade,
Porém sem um Robin Hood,
Lutando por liberdade.

Somos alvos de armadilhas
Armadas para flagrar
Motoristas desatentos,
Mesmo andando devagar,
Nos lugares improváveis,
Como é fácil demonstrar.

Quem nunca foi apanhado
(Atire a pedra primeiro),
E, depois, não lamentou
Quando entregou seu dinheiro,
Alimentando esta Indústria
Bem pior que um vespeiro.

De repente, surge a placa,
Já não dá tempo frear,
Pois só quarenta quilômetros,
Dependendo do lugar,
É redução mais que drástica,
Difícil de imaginar.

Isto é feito de propósito,
Pra pegar o motorista,
Que, apesar de atento,
Vai ser flagrado na pista,
Neste caso, não importa
Se você é bom da vista.

Já fui multado na Penha,
Sem a placa indicativa,
Que ficava atrás de árvore
Bela, frondosa e festiva,
Invisível aos nossos olhos
E nenhum pouco instrutiva.

Em São Caetano, diante
De uma bela Faculdade,
Fui multado, acreditem,
Só por causa da maldade
De quem retirou a placa
Da frente da entidade.

O guarda que me multou
Disse que fora tirada,
Não aceitou meu protesto,
Nesta cena inusitada,
Mandou que eu apelasse,
Eu achei uma palhaçada.


Pior foi quando a esposa
Teve a carteira roubada:
Uma mão pela janela,
Em seguida, a disparada,
Ela até gritou bastante,
Porém não serviu pra nada.

Fui atrás do marginal,
O carro ficou cercado
De gente pra ajudar,
Mas eis que encosta ao lado
Um veloz guarda de trânsito
E outra vez fui multado.

Até hoje, quando lembro,
Não seguro o meu sorriso,
Devia mesmo é chorar,
Mas serviu como um aviso,
Pois multar é necessário,
Socorrer não é preciso.

Em outra oportunidade,
Um guarda me deu a mão,
Quando o meu carro já velho,
No bairro da Aclimação,
Teve o seu motor fervendo
Com grande evaporação.

Encostei o dito cujo
Para, o capô, levantar,
O guarda veio pra perto,
Fingindo  me ajudar,
Em seguida, uma multa,
Ele passou  a lavrar.

Meu vizinho bem diante
Do estabelecimento
De sua propriedade,
Viveu um triste momento,
Parado, estava sem cinto,
E sofreu constrangimento.

A capital de São Paulo,
Com seu trânsito caótico,
Cheio de engarrafamento,
Mas com o radar despótico,
Cria mil situações
De caráter anedótico.

Pegamos sinal vermelho,
Freada em cima da faixa,
Sinal verde que não anda,
Moto onde não se encaixa,
Atenção pra todo lado
E jamais cabeça baixa.

Se chover, nada mais anda,
Você vai perder o dia,
E se for o seu rodízio,
Vai perder a alegria,
Sofri isto duas vezes,
É uma enorme agonia.

À noite, ficar parado,
Todos sabem, é perigoso.
Entre o assalto e a multa,
Um momento duvidoso,
Não sei quem é mais cruel,
Neste instante horroroso.,

Educar sempre é preciso,
Mas explorar, já não é,
Por traz desta punição
O que existe é má fé,
Esfolando o cidadão
Que nada contra a maré.

É grande a indignação,
Não vejo quem não reclame,
O governante insensível,
Provoca este derrame,
Mas é o povo roubado
Quem paga a multa infame.

Visite a Grande São Paulo
E ganhe, grátis, uma multa;
Slogam que no agride
E, além de tudo, insulta
Quem ama as nossas cidades
Ou qualquer pessoa adulta.

Vamos reagir a isto
Gritando numa só voz
Contra toda roubalheira
Indecente, má e atroz,
Desta indústria vil e insana
Que se tornou nossa algoz.

Vamos cobrar dos políticos
Que vivem em cima do muro,
Desprezando o operário
E o seu trabalho duro,
Gastando o que já não tem,
Sem contemplar um futuro.

Eles não têm sentimento,
E, fácil, esquecem do povo,
Que dirige preocupado
Pisando em casca de ovo,
Esperando um Robin Hood
Que nos traga um tempo novo.

Enquanto isto, no Rio,
O filho de um Batista
Recebe a absolvição,
Por atropelar na pista,
Em alta velocidade,
Um pobre de um ciclista.

Este é o Brasil dos contrastes,
Da falta de coerência,
De políticos corruptos
E da falta de decência,
Vamos exigir direitos
E não apenas clemência.