sábado, 28 de maio de 2011

Em Casa que Mulher Manda

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Em casa que mulher manda,
Até galo canta fino,
Já dizia um velho adágio
Do folclore nordestino,
Entretanto, ela mandar,
Não é surpresa, é destino.

Pois, quando Deus pôs, no mundo,
O primeiro homem, Adão,
Este vivia sozinho,
Descuidado e peladão,
Bem barbudo e desleixado,
Um verdadeiro machão.

Sua casa era uma beleza,
Sem móveis, desarrumada
(Não havia uma mulher
Trabalhando de empregada),
Depois do expediente,
Ele não fazia nada.

Embora não existisse
O jornal e o joguinho,
Nem sequer televisão
Para ele ver, sozinho,
Havia a necessidade
De tirar um cochilinho.

Dormia a qualquer hora,
Sem ouvir reclamação,
Vivia com a macacada,
Com as onças e o leão,
Era o rei do paraíso,
Não havia oposição.

Nesse tempo ele não tinha
Uma hora de chegar
Do serviço, no Jardim
Que vivia a cuidar,
Na companhia dos bichos,
Nem via a hora passar.

Às vezes, chegava cedo,
Em outra, chegava tarde,
Isso não era problema
E ninguém fazia alarde,
Era um cabra corajoso,
Não nasceu pra ser covarde.

Não havia hora de almoço,
De café ou de jantar,
Para dormir, só bastava
O sol, no céu, se apagar
E quando o galo cantava,
Era hora de acordar.

Sem pressa e nem correria,
Vida calma e sossegada,
Sem problemas no futuro,
Nem preocupação com nada,
Livre como um passarinho,
Sua vida era uma barbada.

Ele comia na sala,
No quarto, sala e galpão,
E deixava a louça suja
Espalhada pelo chão,
Não forrava a sua cama,
Nem limpava o fogão.

Levava sempre pra casa
Os animais do Jardim,
Sua mesa estava cheia
De gato e de guaxinim,
Leões entravam e saiam,
A festa não tinha fim.

Entrava com os pés sujos,
De sapato, ia dormir,
E não escovava os dentes
Nem na hora de sair,
Mostrava dente amarelo,
Quando estava a sorrir.

Espalhava os apetrechos
No que ele chamava lar,
O lixo em frente de casa
Continuava a jogar,
E o melhor: não havia
Ninguém para reclamar.

Apesar desse sossego
E viver num mar de rosa,
Faltava uma companheira
Dedicada e amorosa,
Para dividir a vida
E tirar aquela prosa.

Mas o homem adormeceu
Sonhando com a companheira,
Que Deus, de sua costela,
Fez real e verdadeira,
Era tudo o que faltava
Pra acabar com a brincadeira.

E eis que surge a mulher
Um ser belo e delicado,
Meigo e muito carinhoso,
E, além de tudo, educado,
A paz do velho machão
Tava com o prazo contado.

Pois, após sua criação,
A mulher ocupa o espaço,
E o homem, que vivia
Tranquilo e sem embaraço,
Já não manda mais em nada,
Nem sequer no seu pedaço.

Ele passa a usar roupa
E a andar perfumado,
Não pode mais ter chulé
Tem que viver penteado,
Tomar banho todo dia,
Viver sempre barbeado.

Inventou desodorante,
Para passar no sovaco,
E espantar, para longe,
A catinga de macaco,
Para carregar pacotes,
Já não podia ser fraco.

Em casa, tem novas regras,
Nada de bicho por perto,
Tudo na perfeita ordem,
Lugar e momento certo,
A vida de paraíso
Ia virando um deserto.

Arrotar é proibido,
Gases, nem imaginar,
Falar alto agora é feio,
Sapato tem que guardar,
Tem que aprender bons modos
E a se organizar.

Chegar em casa mais cedo
Torna-se obrigação,
Adeus joguinho com os bichos
Ou outra recreação,
Trabalhar o dia inteiro
É a vida de Adão.

E como se não bastasse,
Foi expulso do paraíso
Por causa da companheira,
Que, de surpresa e sem aviso,
Recebeu, e que o deixou
Bem louco, leso e liso.

Ele teve que encontrar
Tempo para ir à feira,
Fazer compras no mercado,
Visitar a costureira,
Passar no cabeleireiro,
Junto com a companheira.

Tinha que ouvir o relato
E as novidades do dia,
Quando chegava cansado,
Nem sentar ele podia,
- Leve o lixo e traga lenha,
Era o que ele ouvia.

- Está faltando comida,
A dispensa está vazia,
Você não ajuda em nada,
Ela sempre repetia,
Disfarçando a cara feia,
Ele sempre atendia.

Tinha que sair com ela,
Pra passear, é verdade,
E foi num passeio desses
Que ela viu uma novidade,
E o fruto proibido
Despertou curiosidade.

Não que a mulher mandasse,
Ela apenas lhe pedia,
E se ele não atendesse,
Era aquela baixaria,
Com lágrimas e chantagem,
Tudo, ela conseguia.

Pois mulher inteligente,
Nunca precisou mandar,
Mesmo o maior machão,
Faz o que ela imaginar,
E ainda fica pensando
Que é o rei do lugar.

Basta o olhar de uma mulher
Para machão falar fino,
Não importa se é gaúcho,
Se é paulista ou nordestino,
Elas sempre dominaram,
Do mais santo ao mais cretino.

Quem manda é mesmo a mulher,
Isso é fato consumado,
Tem o homem consciente
E também o enganado:
Machão, na frente dos outros
E, em casa, pau mandado.

Mas existe e mulher burra
Que tenta mandar no grito,
Essa enfrenta oposição,
Resistência e atrito,
Porque mandar desse jeito
Não é certo e nem bonito.

Por isso, eu não concordo
Com esse antigo ditado,
Ele não diz a verdade,
Está mais que equivocado,
Desde que a mulher surgiu,
É ela quem tem mandado.

Se galo cantasse fino
Em casa que mulher manda,
Dava pra formar coral,
Acompanhado por banda,
De sopranos de opereta,
Cantando em cada varanda.

É claro que ainda existem
Meia dúzia de machões,
Bancando os reis do pedaço,
Invencíveis e durões,
Sujos e desarrumados,
Estão fora dos padrões.

São criaturas que vivem
No período das cavernas,
Não viram raiar o dia,
Presos a trevas eternas,
Que resistem ao avanço
Da luz das eras modernas.

Dizem que - manda quem pode,
Quem tem juízo, obedece,
Com as pessoas normais
É o que sempre acontece,
Eu tento ser diferente,
Essa é a minha prece.

Como bom paraibano,
E convicto machista,
Dessa turminha mandada,
Não faço parte da lista,
Não ligo quando me chamam
De atrasado e egoísta.

Em casa, sou em quem manda,
Acredite se quiser,
Não importa o que aconteça,
E haja mesmo o que houver,
Mas a última palavra
Quem dá é minha mulher.

Os Dois Caminhos

      Por Carlos Alberto Fernandes da Silva


Jesus disse, certa vez,
Causando perplexidade,
Que ele é: - O caminho
E a vida e a verdade,
Só ele conduz ao Pai.
Enorme realidade.

Está escrito na Bíblia,
No Evangelho de João,
Capítulo quatorze e seis
(Faça uma constatação),
Esta importante verdade
Acerca da salvação.

Quem acredita que todos
Os caminhos levam a Deus,
Não leu o que o Mestre disse,
No Evangelho de Mateus,
Capítulo sete e treze,
Num discurso aos judeus:

- Entrai pela porta estreita,
Que leva à salvação,
Porque a porta espaçosa
Conduz para a perdição,
Pela estreita, vão poucos,
E na larga, uma multidão.

Neste dia, ele mostrou
Que existem dois caminhos:
Um largo e espaçoso,
Tranquilo, sem torvelinhos,
Outro estreito e apertado,
Difícil e cheio de espinhos.

Segundo suas palavras,
Muitos trilham o espaçoso,
Que embora leve à morte
E seja bem perigoso,
A maioria o procura,
Porque ele é prazeroso.

Já o caminho estreito,
Difícil e sacrificado,
É trilhado por aqueles
Que se afastam do pecado,
Sendo, que, por pouca gente,
Este caminho é trilhado.

Por isto Jesus nos deu
Uma grande exortação,
Para que houvesse esforço
E muita dedicação,
Já que é largo o caminho
Que leva à condenação.

Não há outra alternativa,
Nem a terceira opção,
Também não existe atalho
Nem tampouco contramão,
Quem não toma a estrada estreita,
Caminha pra perdição.

Tem gente que não se importa
Com o destino da alma,
Não pensa no criador,
Diz que isto só traz trauma,
Mas na vida, não consegue
Alcançar nem paz, nem calma.

Pois a salvação de Cristo,
Além da vida futura,
Garante, na atual,
De acordo com a Escritura,
Alívio, ânimo e paz,
Em meio a toda agrura.

Não pensar na alma é
Irresponsabilidade,
O julgamento final
É uma realidade,
Morrer sem a salvação
É mais que temeridade.

Jesus mesmo ensinou
(Pra quem quiser aprender),
A respeito de quem pensa
Somente em enriquecer:
- De que vale ter o mundo,
Porém, a alma perder?

A salvação é um dom,
É Deus quem nos dá, de graça,
Seu preço Jesus pagou,
Sofrendo grande desgraça,
Dando sua vida na cruz,
Por toda a humana raça.

Perguntaram para Paulo:
- Que faço para ser salvo?
Uma pergunta importante,
Cuja resposta eu ressalvo:
- Creia no Senhor Jesus!
E acertou bem no alvo,

O próprio Senhor Jesus
Deixou isto explicado,
Ao dizer: - E todo aquele,
Que crer e for batizado,
Será salvo, e quem não crer,
Na certa, está condenado.

Pedro disse aos judeus,
Num especial momento,
Que Deus espera do homem
Fé e arrependimento,
Para receber, na vida,
Restauração e alento.

Está no Livro de Atos,
No dia de Pentecostes,
Quando o Cristo triunfante
Sobre as poderosas hostes
Enviou seu Santo Espírito,
Na entrega dos priostes.

Paulo disse, aos Efésios,
Com a sua autoridade:
- somos salvos pela graça
E pela fé de verdade,
Se nossas obras salvassem,
Levariam à vaidade,


- A graça é dom de Deus,
Não tem origem humana.
Por isso, tem muita gente
Que nesse assunto se engana,
Troca a fé pelas obras,
E ainda se ufana.

Capítulo três: dezesseis
Do Evangelho de João,
Jesus disse o seguinte,
Acerca da salvação:
O amor de Deus foi tanto,
Que moveu seu coração.

E deu seu único Filho,
Para toda a humanidade,
A fim de que todo homem
Creia nele de verdade,
Para não ser condenado
E ganhar a eternidade.

Deus oferece seu dom,
Para aquele que quiser,
Criança, jovem adulto,
Velho, homem ou mulher,
Entregue sua vida a Cristo,
Do jeito que estiver.

Fé e arrependimento,
Esta é a condição,
É o caminho estreito
Que conduz à salvação,
Só Jesus pode salvar
Da grande condenação.

Escrevendo aos Romanos,
Paulo vem acrescentar
Que a fé do coração
É preciso confessar,
Confesse a Jesus, agora,
Não deixe a chance passar.

Jesus Cristo veio ao mundo
Pra salvar o pecador,
Ele é o dom de Deus,
O Filho de seu amor,
É a porta e o caminho,
Não há outro salvador.


Finalmente, no Evangelho
De João, capítulo um,
Nos versículos dez e onze,
Uma promessa incomum,
Daquelas que não se acha,
Na certa, em lugar nenhum.

- Quem crê em Cristo se torna
Um real filho de Deus,
Pois embora ele tenha
Vindo para os judeus,
Todo aquele que o recebe
É mais um dos filhos seus.

Não jogue fora essa chance,
Receba, agora, o perdão,
Creia no Filho de Deus,
Fuja da condenação,
Confesse o nome de Cristo,
Só nele há salvação.

O Político

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Falar de nossa política,
No contexto atual,
É abrir uma caixa preta,
Que nos causa muito mal:
Todos já conhecem as causas
Do desastre nacional.

Elas são a falcatrua,
Propina e corrupção,
A impunidade que mina
A fé do bom cidadão,
E destroi os alicerces
Morais de nossa Nação.

O político brasileiro
É um ser incomparável:
Ímpar, único, sem igual
E um tipo admirável,
No mundo não existe outro,
Ele é inigualável.

Refiro-me aos desonestos,
Sei que existe a exceção,
Para quem peço desculpas,
Por esta dissertação,
Dedicada aos dedicados
Ao roubo e corrupção.

Mas vou fazer um esforço
Na busca de analogia,
Para que esta abordagem
Não fique morna e nem fria,
Na descrição do político,
Nas linhas dessa poesia.

Primeiro, vou comparar
O político ao cidadão,
Que paga os seus impostos,
Tem amor pela nação,
Está debaixo da Lei,
Vai preso, se for ladrão.

A diferença é grande
Vivem em dois universos,
Para o cidadão, há regras,
Mas, declaro nesses versos,
Não se aplicam ao político,
Os exemplos são diversos.

Para os erros do político,
Há sempre uma explicação,
Os amigos escondem as provas
E dão absolvição,
Bem diferente é a vida
De um simples cidadão.

Ele é preso sem sentença
E, às vezes, até apanha,
Na frente do Delegado,
Não adianta barganha,
O promotor desce a lenha
E o Juiz não se acanha.

Eu já vi uma mãe presa
Por ousar subtrair
O leite para os seus filhos,
Depois de, em vão, pedir,
Por não ter grandes amigos,
Ninguém tentou impedir.

Político é até filmado
Guardando o fruto do furto,
Depois vai fazer discurso
Pra reforçar o seu surto,
É livre por faltar provas,
Num julgamento bem curto.

Se o cidadão tomar
Algo que não seja seu,
Vai responder por seu ato,
Por ser um simples plebeu,
É chamado de ladrão,
Pois, não leu e o pau comeu.

Já o político recebe
A propina e o suborno,
É muito mais infiel
Do que esposa de corno,
Não é roubo, é desvio,
Pra mim, pão do mesmo forno.

O cidadão ouve a crítica
E pensa nela, calado,
Mas se criticam o político,
Este chama o advogado,
Não importa a verdade,
O cidadão é o culpado.

Delito do cidadão
Desonra a sociedade,
Que castiga o faltoso,
Sem nenhuma piedade,
É exceção, e se trata
Com imparcialidade.

O político protege
Os membros do seu partido,
Quando é questionado,
Finge de desentendido,
Aquilo que cheira mal
Fica muito mais fedido.

Político honesto existe,
Mas é raça em extinção,
Banalizaram seus erros,
Desvios, corrupção,
Hoje, merece medalha
Aquele que não é ladrão.

O cidadão paga impostos,
Sem ver sua aplicação,
Isso o político vê,
Na sua apropriação
Indébita, pois não se importa
Com a desgraça da nação.

É difícil imaginar
Quantas casas populares,
Podiam ser construídas,
Com os centros escolares,
Se não houvesse corruptos
Na política, entre seus pares.

Depois, comparo também
O político à prostituta,
Que, para os íntimos pode,
Ser chamada só de puta,
A mais velha profissão,
Por isso, ainda uma labuta.

O político e a prostituta
São, às vezes, parecidos:
Os objetos que dão,
Na verdade, são vendidos,
Eles cobram para dar,
Os verbos estão distorcidos.

Político faz caridade
Sem mexer no seu dinheiro,
Sua campanha é paga
Por algum interesseiro,
Depois ele esfola o povo,
Agindo como um açougueiro.

Ela vende o seu corpo,
Ele vende a sua alma,
Esquecendo da moral,
Enfrentam, com muita calma,
A perda da consciência,
Sem conflito e sem trauma.

Ambos atraem o cliente
Chamando sua atenção,
Ela exibe o seu corpo,
Ele, seu plano de ação,
Na garra de ambos, cai
O incauto cidadão.

Pois não percebe que eles
São grandes interesseiros,
Não têm amor para dar,
Em nada são verdadeiros,
Só pensam em se aproveitar
Dos ingênuos brasileiros.

Ela estranha no começo,
Mas, depois, se acostuma,
O político, em pouco tempo,
Belas desculpas, arruma,
Aprende a não deixar pista
Ou fazer com que ela suma.

Falando com um amigo
Sobre esta comparação,
Ele me lembrou que elas
Tem filhos com posição,
Em Brasília, mas não quero
Fazer esta citação.

Entretanto, há diferenças
Que precisam ser lembradas,
Muito embora as atitudes
Não possam ser aprovadas,
A prostituta, às vezes,
Tem as razões explicadas.

Pois muitas levam esta vida,
Por falta de opção,
Tendo que vender o corpo
Para ganhar o seu pão,
O político vende a alma
Por gostar de ser ladrão.

Pois todos têm bom salário,
Prêmios, extras, mordomia,
Tem carro com motorista
E verba pra moradia,
Rouba por não ter vergonha
Na calada noite fria.

Ela vende o que é dela,
Ele pega o que é da gente,
Ela é muito humilhada,
Ele é todo prepotente,
Ela se sente excluída,
Ele se acha decente.

Elas não querem que as filhas
Tenham a mesma profissão,
Eles transmitem aos herdeiros
Essa triste vocação,
E deixam belas raposas
Na linha de sucessão.

A sociedade está
À mercê dos dominantes,
Que usam os cargos públicos
Como grandes meliantes,
A Revolução Francesa
Pertence a tempos distantes.

É claro, ninguém esquece
Que guilhotina é passado,
A justiça hoje se faz
De modo civilizado,
Com a lei e com o voto,
De um povo preparado.

Não acho que é o político
Que vai mudar a nação,
É a consciência do povo,
E uma nova educação,
O correto uso do voto,
A justiça e a punição.

Político fala em Deus,
Mas esquece sua justiça,
Ataca o erário público
Como urubu, a carniça,
Esquece que vai dar conta
Por sua grande cobiça.

Pois aprenderam a viver
Sem temer um julgamento,
Na base da impunidade,
E sem arrependimento,
Perante o Juiz Eterno,
Não vai haver livramento.

Peço a Deus pelo Brasil
E a grande crise moral,
Que assola nossa pátria,
Nesse tempo atual,
E agradeço aos honestos,
Para quem, peço o aval.

A Simon e a Suplicy,
Que não constroem castelo,
Teotônio e Ulisses,
Com currículo nobre e belo,
E todo político honesto,
Ausente deste libelo.

Aos que querem uma mudança
Na política nacional,
E resistem à tentação
Do suborno e todo mal,
Dos que acham a falcatrua
Coisa correta e normal.

Pois, se não houver mudança
Na moral desta nação,
Com os níveis que atinge,
Hoje, a corrupção,
Vai faltar cadeia e espaço
Pra botar tanto ladrão.



O Político Antes e Depois da Eleição

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Ele nem parece gente,
Tá mais pra camaleão,
Vira outro em segundos,
Conforme a situação,
É assim nosso político,
Antes e após a eleição.

É o homem das mil faces,
Duas caras, bipolar,
Muda de comportamento
De acordo com o lugar,
Merecia até um Oscar,
Pelo modo de atuar.

É o Médico e o Monstro
Também a Bela e a Fera,
O Conde e o Vampiro,
O Santo e a Megera,
Ele é, ao mesmo tempo,
O Cordeiro e a Pantera.

Pois, em tempo de eleição
Ele é uma pessoa,
Gentil, meigo, dedicado,
Trabalhador, gente boa,
Depois, irreconhecível,
É o monstro da lagoa.

Quando é tempo de eleição,
Ele está em todo lado,
Vai à rua, faz comício,
É facilmente encontrado,
Quando ganha, evapora-se,
E, logo, fica encantado.

Antes da eleição, sorrisos,
Abraço e aperto de mão,
Promete mundos e fundos,
Tem um grande coração,
Do pobre e necessitado,
Ele é a salvação.

Mas depois das eleições,
Foge léguas dos mais pobres,
Seu olhar é para os ricos,
Os poderosos e nobres,
Só pensa em falcatruas
E embolsar mais uns cobres.

Antes da eleição, promessas
De hospitais e de escolas,
Transporte e moradias
Saturam nossas cacholas,
Eles distribuem presentes,
Comprando voto com esmolas.

Após a eleição, sumiço,
Não falam com mais ninguém,
Já tratam o eleitorado
Com desprezo e desdém,
São tão vis que até esquecem
A outra eleição que vem.

Antes da eleição, humildes,
Gente do povo, operários,
Acostumados com a luta
Por direitos e salários,
Para dar vez a seu povo,
Enfrentam os adversários.

Depois, só querem o luxo,
Sem costumes suburbanos,
Torrar verbas do erário,
Fumar charutos cubanos,
E concorrer ao Nobel
Pelos direitos humanos.

Antes da eleição, sua vida,
Ao povo, é dedicada,
Mas, após, sua fortuna,
Depressa, é multiplicada,
É como uma loteria:
Dinheiro sem fazer nada.

Basta ver a progressão
Da riqueza do político,
Que, enquanto o povo vive
Com um salário raquítico,
Ele constrói seus castelos,
Como outro Midas mítico.

Antes da eleição, tem planos
Para as crianças de rua,
Comida para a faminta,
Roupa para a que está nua,
Parecem até uma fada,
Em pleno mundo da lua.

Depois, a realidade:
Está faltando dinheiro,
Para eles nunca falta,
Seu aumento sai primeiro,
Para agir em causa própria,
Esse grupo é bem ligeiro.

Antes da eleição, trabalho,
Esforço e dedicação,
Cada um deles promete
Ser operário padrão,
Pois eles vão carregar,
Nas costas, toda a nação.

Depois, a vida é viagem,
Passeios e mordomia,
Compromissos sociais
E coquetéis, todo dia,
Sem falar nos companheiros
Tomando o trem da alegria.

Na campanha, os problemas
Tinham uma solução,
Dizia que aos demais
Faltava imaginação,
Ele é o próprio messias
E o dono da razão.

Depois de eleito, que nada,
O problema é mundial,
E a crise financeira
Está longe do final,
Desemprego em todo canto
É uma coisa normal.

Antes da eleição, família,
Vive com a esposa e filhos,
Depois, papéis de divórcio,
Pois a vida sai dos trilhos,
Ele arranja uma mais nova,
Não existem empecilhos.

Combate à corrupção,
Até parece piada,
Mas tem sido uma bandeira,
Antes da hora marcada,
Fazem cara de honestos,
Empenhados na cruzada.

Depois que assumem o poder,
Vem o tal do mensalão,
Dinheiro dentro da meia,
Na cueca e no blusão,
Pior é conversa mole
Na hora da explicação.

Durante a campanha, impostos
Pesados têm que acabar,
Essa carga tributária
Já não tem onde arrochar,
Uma reforma é a resposta,
Para o leão acalmar.

Depois, tudo é tão difícil,
A culpa está com os partidos,
Não dá para controlá-los,
São muitos e desunidos,
E os nossos cidadãos
Continuam empobrecidos.

Antes da eleição, visitas
Aos problemas da cidade,
Lugar onde há enchentes,
E grandes necessidades,
Indicando soluções,
Mostrando capacidade.

Depois, jamais aparecem
Nos lugares visitados,
Fingindo esquecimento,
Mandam os subordinados,
Sabem que, se aparecerem,
Na certa, serão vaiados.

Na campanha, educados,
Com bons modos, sorridentes,
Cara de felicidade,
Mostrando todos os dentes,
Tentam passar para o povo
Que são pessoas decentes.

Depois, é só cara feia,
Quando fingem trabalhar,
Tratam mal delegações
Que tentam negociar,
Jogam cavalo em grevista,
A quem gostam de humilhar.

Antes da eleição, os velhos,
Vão receber, de direito,
Boa aposentadoria,
Sem descontos, com respeito,
As promessas correm soltas,
De presidente a Prefeito.

Depois, coitados dos velhos
Da fila do INSS,
Que por sinal, cada ano,
Mais engrossa e mais cresce,
E outra vez enganado,
O aposentado padece.

Eles falam em compromisso,
Mas antes da eleição,
Mostram plano de governo,
Projetos pro cidadão,
Visitam clubes e igrejas,
Com amor e devoção.

Depois, a conveniência
Fala sozinha e bem alto,
Voltam-se contra o eleitor,
Cada ato e um assalto,
E quem votou nele passa
A viver de sobressalto.

Antes da eleição, eu sei,
São honestos e decentes,
Capazes, idealistas,
Patriotas, coerentes,
Só depois, mostram a cara
E tiram o sono da gente.

Eles são super herois
Em qualquer situação,
Antes da eleição, parecem
O Super Homem em ação,
Depois, o Homem Invisível,
Em toda a sua gestão.

O desemprego assola,
Não existe segurança,
As ruas estão lotadas
De pedinte e criança,
E o povo brasileiro,
Padece sem esperança.

Enquanto isso, Sarney
Dá as ordens no Congresso,
O PT do mensalão
Contabiliza progresso,
E o nosso Presidente
Colhe os louros do sucesso.

Para a próxima eleição,
Temos a Dilma e o Serra,
A terrorista e o vampiro,
Que vão travar uma guerra
Pelo voto do eleitor,
Coitada de nossa terra!

E tudo que foi mostrado,
Na certa, vão repetir,
Na hora que, com mentiras,
Nossos votos vão pedir,
Em outra tragicomédia,
Que nos faz chorar e rir.

É difícil digerir
Toda essa gororoba,
Desse time falastrão,
Que engana e que esnoba
E precisa, urgentemente,
De um bom óleo de peroba.

Ah se o povo aprendesse
A votar corretamente,
Não dando nenhum poder
A quem rouba nossa gente,
O nosso Brasil seria
Bem melhor e mais decente!

Pastor Douglas Nassif - Vinte e Cinco Anos de Magistério

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Existem datas que são,
Para nós, especiais:
Bodas e aniversários,
Feriados e natais,
Os fatos particulares
E marcos nacionais.

A data da conversão
Propagamos sem mistério,
E contamos cada ano
Do tempo de ministério,
Mas, hoje, comemoramos
A bênção do magistério.

Um magistério voltado
Para ensino e instrução
Da Palavra, que edifica
E educa o cristão,
Que destrói a heresia
E dissipa a escuridão.

Paulo citou, em Efésios,
Os cinco dons que Jesus,
Presenteou sua Igreja,
Após sua morte na cruz,
Quando venceu o inferno
E fez raiar nova luz:

Pois dele vem o Apóstolo,
O Profeta e o Evangelista,
O Pastor e ainda o Mestre,
Que valoriza essa lista,
Por sua extrema importância,
Em nosso ponto de vista.

É muito triste pensar
Numa Igreja sem instrução,
Sem líderes preparados
E sem a compreensão
Dos arcanos registrados,
Por Deus, na Revelação.

O próprio Senhor Jesus
Pautou a sua ação
Na Pregação e nas curas
Mas também na instrução,
Em todo tempo extraia,
Para os seus, uma lição.

Por isso é conhecido,
Pelos que nele tem fé,
Como o Mestre dos Mestres
O Rabi de Nazaré,
A Palavra encarnada,
A Expressão de Javé.

Paulo, o grande apóstolo
E o Mestre dos gentios,
Acostumado a vencer
Barreiras e desafios,
Deixou a sua instrução
Junto com os seus plantios.

Nas epístolas, que são
Grande fonte de ensino,
Que mostram que, pra crescer
E deixar de ser menino,
É preciso o alimento,
Pra maturidade e tino.

Ele mesmo ensinou
A Timóteo, um ajudante,
A ensinar a Palavra
E pregar a todo instante,
Manuseando-a bem,
Como obreiro confiante.

Por isso, presto homenagem
Ao Pastor Douglas Cardoso
Pelos Vinte e Cinco anos
Desse dom maravilhoso,
Vindo do Pai das alturas,
Do Cristo vitorioso.

E os votos para que,
Se o Senhor não voltar,
Muitos outros “Vinte e Cinco”
Ele venha completar,
Quero estar presente em todos
E, junto, comemorar.


Estendo minha homenagem
À Tereza, a companheira
E esposa inseparável,
Auxiliar de primeira,
Nos bons e nos maus momentos,
Uma incansável guerreira.

E aos três filhos varões,
A começar com Dirceu,
Depois Timóteo e Silas,
Presentes que o Senhor deu,
E finalmente, à Priscila,
A mais bela que nasceu.

Deus te dê sabedoria,
 Oriente tua vida,
  Unifique teu rebanho,
   Guarde a entrada e a saída,
    Livre tua alma do mal,
     Abençoe teu arraial,
      Seja contigo em tua lida!