sábado, 28 de maio de 2011

O Político Antes e Depois da Eleição

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Ele nem parece gente,
Tá mais pra camaleão,
Vira outro em segundos,
Conforme a situação,
É assim nosso político,
Antes e após a eleição.

É o homem das mil faces,
Duas caras, bipolar,
Muda de comportamento
De acordo com o lugar,
Merecia até um Oscar,
Pelo modo de atuar.

É o Médico e o Monstro
Também a Bela e a Fera,
O Conde e o Vampiro,
O Santo e a Megera,
Ele é, ao mesmo tempo,
O Cordeiro e a Pantera.

Pois, em tempo de eleição
Ele é uma pessoa,
Gentil, meigo, dedicado,
Trabalhador, gente boa,
Depois, irreconhecível,
É o monstro da lagoa.

Quando é tempo de eleição,
Ele está em todo lado,
Vai à rua, faz comício,
É facilmente encontrado,
Quando ganha, evapora-se,
E, logo, fica encantado.

Antes da eleição, sorrisos,
Abraço e aperto de mão,
Promete mundos e fundos,
Tem um grande coração,
Do pobre e necessitado,
Ele é a salvação.

Mas depois das eleições,
Foge léguas dos mais pobres,
Seu olhar é para os ricos,
Os poderosos e nobres,
Só pensa em falcatruas
E embolsar mais uns cobres.

Antes da eleição, promessas
De hospitais e de escolas,
Transporte e moradias
Saturam nossas cacholas,
Eles distribuem presentes,
Comprando voto com esmolas.

Após a eleição, sumiço,
Não falam com mais ninguém,
Já tratam o eleitorado
Com desprezo e desdém,
São tão vis que até esquecem
A outra eleição que vem.

Antes da eleição, humildes,
Gente do povo, operários,
Acostumados com a luta
Por direitos e salários,
Para dar vez a seu povo,
Enfrentam os adversários.

Depois, só querem o luxo,
Sem costumes suburbanos,
Torrar verbas do erário,
Fumar charutos cubanos,
E concorrer ao Nobel
Pelos direitos humanos.

Antes da eleição, sua vida,
Ao povo, é dedicada,
Mas, após, sua fortuna,
Depressa, é multiplicada,
É como uma loteria:
Dinheiro sem fazer nada.

Basta ver a progressão
Da riqueza do político,
Que, enquanto o povo vive
Com um salário raquítico,
Ele constrói seus castelos,
Como outro Midas mítico.

Antes da eleição, tem planos
Para as crianças de rua,
Comida para a faminta,
Roupa para a que está nua,
Parecem até uma fada,
Em pleno mundo da lua.

Depois, a realidade:
Está faltando dinheiro,
Para eles nunca falta,
Seu aumento sai primeiro,
Para agir em causa própria,
Esse grupo é bem ligeiro.

Antes da eleição, trabalho,
Esforço e dedicação,
Cada um deles promete
Ser operário padrão,
Pois eles vão carregar,
Nas costas, toda a nação.

Depois, a vida é viagem,
Passeios e mordomia,
Compromissos sociais
E coquetéis, todo dia,
Sem falar nos companheiros
Tomando o trem da alegria.

Na campanha, os problemas
Tinham uma solução,
Dizia que aos demais
Faltava imaginação,
Ele é o próprio messias
E o dono da razão.

Depois de eleito, que nada,
O problema é mundial,
E a crise financeira
Está longe do final,
Desemprego em todo canto
É uma coisa normal.

Antes da eleição, família,
Vive com a esposa e filhos,
Depois, papéis de divórcio,
Pois a vida sai dos trilhos,
Ele arranja uma mais nova,
Não existem empecilhos.

Combate à corrupção,
Até parece piada,
Mas tem sido uma bandeira,
Antes da hora marcada,
Fazem cara de honestos,
Empenhados na cruzada.

Depois que assumem o poder,
Vem o tal do mensalão,
Dinheiro dentro da meia,
Na cueca e no blusão,
Pior é conversa mole
Na hora da explicação.

Durante a campanha, impostos
Pesados têm que acabar,
Essa carga tributária
Já não tem onde arrochar,
Uma reforma é a resposta,
Para o leão acalmar.

Depois, tudo é tão difícil,
A culpa está com os partidos,
Não dá para controlá-los,
São muitos e desunidos,
E os nossos cidadãos
Continuam empobrecidos.

Antes da eleição, visitas
Aos problemas da cidade,
Lugar onde há enchentes,
E grandes necessidades,
Indicando soluções,
Mostrando capacidade.

Depois, jamais aparecem
Nos lugares visitados,
Fingindo esquecimento,
Mandam os subordinados,
Sabem que, se aparecerem,
Na certa, serão vaiados.

Na campanha, educados,
Com bons modos, sorridentes,
Cara de felicidade,
Mostrando todos os dentes,
Tentam passar para o povo
Que são pessoas decentes.

Depois, é só cara feia,
Quando fingem trabalhar,
Tratam mal delegações
Que tentam negociar,
Jogam cavalo em grevista,
A quem gostam de humilhar.

Antes da eleição, os velhos,
Vão receber, de direito,
Boa aposentadoria,
Sem descontos, com respeito,
As promessas correm soltas,
De presidente a Prefeito.

Depois, coitados dos velhos
Da fila do INSS,
Que por sinal, cada ano,
Mais engrossa e mais cresce,
E outra vez enganado,
O aposentado padece.

Eles falam em compromisso,
Mas antes da eleição,
Mostram plano de governo,
Projetos pro cidadão,
Visitam clubes e igrejas,
Com amor e devoção.

Depois, a conveniência
Fala sozinha e bem alto,
Voltam-se contra o eleitor,
Cada ato e um assalto,
E quem votou nele passa
A viver de sobressalto.

Antes da eleição, eu sei,
São honestos e decentes,
Capazes, idealistas,
Patriotas, coerentes,
Só depois, mostram a cara
E tiram o sono da gente.

Eles são super herois
Em qualquer situação,
Antes da eleição, parecem
O Super Homem em ação,
Depois, o Homem Invisível,
Em toda a sua gestão.

O desemprego assola,
Não existe segurança,
As ruas estão lotadas
De pedinte e criança,
E o povo brasileiro,
Padece sem esperança.

Enquanto isso, Sarney
Dá as ordens no Congresso,
O PT do mensalão
Contabiliza progresso,
E o nosso Presidente
Colhe os louros do sucesso.

Para a próxima eleição,
Temos a Dilma e o Serra,
A terrorista e o vampiro,
Que vão travar uma guerra
Pelo voto do eleitor,
Coitada de nossa terra!

E tudo que foi mostrado,
Na certa, vão repetir,
Na hora que, com mentiras,
Nossos votos vão pedir,
Em outra tragicomédia,
Que nos faz chorar e rir.

É difícil digerir
Toda essa gororoba,
Desse time falastrão,
Que engana e que esnoba
E precisa, urgentemente,
De um bom óleo de peroba.

Ah se o povo aprendesse
A votar corretamente,
Não dando nenhum poder
A quem rouba nossa gente,
O nosso Brasil seria
Bem melhor e mais decente!

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