sábado, 28 de maio de 2011

O Encanto dos Felinos

Por Carlos Alberto fernandes da Silva

Encanto é algo difícil
De explicar e descrever,
Muito embora seja fácil
Contemplar e perceber,
Quem na vida nunca achou
Algo bonito de ver?

Há paisagens que encantam
E tem música imortal,
Os textos inesquecíveis
E muito sonho real,
Há pessoas que, no mundo,
Não existe outra igual.

À beleza feminina
Todos dão aprovação,
Vinícius e Tom Jobim,
Cantados ao violão,
Agradam, sem muito esforço,
O mais duro coração.

Existe encanto nas flores
E no perfume das rosas,
Também no ouro e na prata,
E nas pedras preciosas,
Num dia claro de sol
E até em tardes chuvosas.

A um sorriso de criança,
Quem consegue resistir?
Com o carinho dos avós,
Quem consegue competir?
Um belo conto de fadas,
Quem não gosta de ouvir?

São inúmeros exemplos
Que mostram todo encanto
Que existe em nossa vida,
Espalhado em cada canto,
Maravilhar-se com algo,
Já não nos causa espanto.

Os animais nos encantam
E ficam em nossa lembrança,
Guardamos suas imagens,
Desde o tempo de criança,
E mantemos este encanto
Mesmo quando a idade avança.

Quem nunca amou um bichinho
E lamentou sua partida,
Mesmo sabendo quão breve
Seria a sua vida,
E carrega uma saudade
Que não será esquecida?

Eu mesmo lembro de vários,
Desde minha tenra idade,
O meu primeiro cachorro,
Que recordo, com saudade,
De seu jeito brincalhão,
Um amigo de verdade.

Cada um faz sua escolha
E tem o seu preferido,
Há quem admire pássaros
Com seu cantar e gemido,
Os peixinhos no aquário,
Quadro belo e divertido.

Os cachorros foram eleitos
Do homem, o grande amigo,
São companheiros e ajudam
Na guarda contra o perigo,
Ninguém melhor que um cão
Merece o nosso abrigo.

Mas em toda a natureza
Não existe nada igual
Ao fascínio de um gato,
O mais belo animal,
Quem teve um já conhece
Sua atração fatal.

Pouca coisa se compara
A gatos inda filhotes,
Dormindo ou mesmo brincando,
Cedo mostrando seus dotes
De guerreiros caçadores,
Espreitando e dando botes.

A ternura que expressam
Quando estão ronronando,
Com o seu olhar carente
De quem está suplicando,
Nos enganam e esquecemos
Quem é que está comandando.

Na maioria das vezes,
Este grande sedutor,
Que finge submissão
Pra conquistar nosso amor,
Ao contrário de outros bichos,
É um grande ditador.

Pois é ele quem escolhe
O momento de brincar,
Quando não quer, não adianta,
O melhor é esperar,
É ele quem dita as regras,
Temos que nos sujeitar.

Pois esses dominadores,
Donos de rara beleza,
Fascinam desde o passado,
Com sua delicadeza
E seu porte elegante,
Marca de sua realeza.

Dizem, foram os egípcios
Que domesticaram os gatos,
Por causa dos roedores,
Como, entre outros, os ratos,
Quando habitavam a África,
Vivendo dentro dos matos.

No Egito, seu fascínio
Levou-os à divindade,
A luz dos olhos, no escuro,
Era uma realidade,
E os antigos selvagens
Reinaram ali de verdade.

Com os fenícios e os romanos,
Espalham-se na terra,
No mundo que conquistaram
Com sua máquina de guerra,
Os gatos tomam as cidades,
Deixando a selva e a serra.

E com o passar dos anos,
Com a diversificação,
Surgiram várias espécies
Deste primo do leão,
Que acompanhava o homem
Em cada reino e nação.

Na Europa adoentada,
Eles foram salvadores,
Contra os ratos que assolavam,
Disseminando os horrores
Das pestes que atacavam,
Trazendo mortes e dores.

Embora deuses no Egito,
Na Idade Média, a queda,
Pois foram associados
Ao demônio que não arreda,
Gato preto e bruxaria,
Um azar que só azeda.

Ainda hoje há resquício
Contra o gato de cor,
Há quem não cruze com ele,
Pra não se encher de pavor,
O deus virou o demônio,
O bom tornou-se o terror.

Mas, superstição à parte,
Falta unanimidade
A respeito desse bicho,
Até na atualidade:
É um animal confiável
Ou cheio de falsidade?

Pois, ao contrário daqueles
Cheios de dedicação,
Há quem muito se amedronte
E tenha hesitação,
Recusando recebê-los
Como de estimação.
Mas tudo isso é fruto
De lenda e de preconceito,
E muita gente, quem sabe,
Por não conhecer direito,
Chega até a ter pavor
Do felino e do seu jeito.

Dizem que o gato é
Perigoso e traiçoeiro
Que não tem amor ao dono,
É dorminhoco e arteiro,
Não serve pra companhia
Não passa de um interesseiro.

Que deixa a casa fedendo
Porque não gosta de banho,
Que fere, morde e arranha
Quando encontra um estranho,
A ignorância de alguns
Chega a ser deste tamanho.

Mas quem já criou um gato,
Sabe que não é assim,
Pois são dóceis e amigos
Embora exista o ruim
Até na raça humana,
Desde o tempo de Caim.

Eles são independentes,
Não aceitam imposição,
Mas demonstram seu carinho
E a sua afeição,
Muitas vezes, esfregando
A cabeça em nossa mão.

Gostam de ficar no colo
De deitar perto da gente,
De correr e de brincar,
E só um gato doente,
Fica apático e estranho
E um pouco indiferente.

Como todo animal,
Necessitam de cuidados,
De vacinas e alimentos,
Para eles, destinados,
Comparados aos demais,
Eles são mais asseados.

Pesquisas já comprovaram
Que em casa que tem gato
Existem menos enfartos
(Eis aqui um grande fato),
Pois transmitem calma e paz
Com o seu jeito cordato.

Isto sem contar também
Com o prazer e alegria
Que compartilham com o dono
Em cada hora do dia,
Quando existe interação,
Amizade e harmonia.

Quem observa um gato
Descobre os seus segredos:
Gostam dos lugares altos,
Pois ainda guardam os medos
Quando nas matas viviam
A salvo nos arvoredos.

Adoram viver em bando
E lutam por liderança,
Reconhecem o mais forte,
E conservam esta herança,
Quando encontram espaço,
Reinam como uma criança.

São curiosos e atentos
Entram em caixas e gavetas,
Fuçam a casa inteira,
Uns verdadeiros xeretas,
Num momento, são uns anjos,
Mas noutro, são uns capetas.

Na verdade, são treinados
Para a luta e para a caça;
Para pegarem as presas,
Fingem e fazem trapaça;
Quando brincam com a ninhada,
Enchem o mundo de graça.

Dormem dois terços do dia,
São exímios predadores,
Sua energia é guardada
Pois, como bons caçadores,
Usam a velocidade
Durante os seus labores.

Não gostam de lugar sujo,
Adoram água corrente,
Mudam o lugar de dormir,
Sabem interagir com gente,
Abrem portas e gavetas:
Uma raça inteligente.

São nervosos, ciumentos
Não escondem a emoção,
Ronronam se estão contentes,
Com dor, ou com pretensão
De disfarçar os seus erros
Ou ganhar nossa atenção.

Entre eles, miam pouco;
Com gente, são barulhentos,
Como se falar quisessem,
Pra expressar seus intentos,
Nem sempre comem de tudo,
Às vezes, são uns nojentos.

Por isso, lendas à parte,
Não é um deus nem capeta,
Não é uma fera terrível
Vinda de outro planeta,
Nem um santinhos com asa,
Que segue a etiqueta.

Muitos gatos eu já tive
E cada um diferente:
O primeiro, o Gatinho,
Não desgrudava da gente,
Seguia por onde eu fosse,
Manso amável e carente.

Quando se afiava uma faca,
Chegava como um avião,
Saboreava pão doce,
Caçava como um leão,
Trouxe até cobra pra casa,
Ficou no meu coração.

Tive um branco que era surdo
E foi curta a sua vida,
Não deixou muitas histórias,
Foi triste a sua partida,
Essa curta convivência
Deixou uma grande ferida.

Depois criei um rajado
Que cresceu como um gigante,
Tinha um focinho enorme
Calmo, fino e elegante,
Mas não dividiu espaço
Com a sua acompanhante.

Principalmente depois
Que nasceu sua ninhada,
Os filhotes da Lelinha,
Uma gata abandonada,
Que recolhemos pra ser
Sua companheira amada.

É claro que existiu
Uma grande traição,
Os filhotes eram pretos,
Do seu rival, Ricardão,
O inimigo briguento
Que habitava a região.

Entre os filhotes, a Fofa,
Que uma amiga recolheu,
Viveu quase vinte anos,
Já bem velhinha, morreu,
Deixando muitas saudades
No lugar onde viveu.

Porque era companheira,
Não desgrudava da dona,
Se esta saia de perto,
Virava uma chorona,
Não abandonava o colo,
Com outros, era durona.

Depois criei o Nenen,
Também grande e rajado,
Era um dos mais bonitos,
E por todos muito amado,
Saia todas as noites,
Por que nunca foi castrado.

Uma noite, não voltou,
Deixando muita tristeza,
Não sei se o temporal,
Ou ato de malvadeza,
Ceifou aquele bichano,
Dono de rara beleza.

Depois dele, veio o Mickey,
Que parecia um rato,
Um siamês bem novinho,
Patinho feio, de fato,
Que, ao crescer, se tornou
Belo, charmoso, um gato.

Era super carinhoso,
Ronronava em alto som,
Admirado por todos,
Peludo, grande e bom,
Mas se visse outro macho,
A música mudava o tom.

Brigava com qualquer um
Que surgisse em sua frente,
Vivia todo arranhado,
Machucado e doente,
Foi até dado por morto,
Era um gato resistente.

Em casa todos sabiam
Que ele não tinha futuro,
Vivia pelos telhados,
Escalava qualquer muro,
Até que um dia cessou
Essa vida de apuro.

Depois do Mickey pensamos
Em não ter outro animal,
Pois, quando partem, a tristeza
Causa a todos grande mal,
Mas uma casa sem gatos
Para nós não é normal.

Alguém nos trouxe uma gata
Que escapou de chacina,
Seus irmãos foram afogados
Num rio ou numa piscina,
Entre todos que criei
Sem dúvidas, a mais fina.

Calma, mansa, educada,
Não incomoda ninguém,
Quieta, amável e tranqüila,
E siamesa também,
A casa estava em paz
Mas havia um porém...

Ela brincava demais
E nos faltava energia,
E uma equivocada idéia
Ocorreu-me certo dia:
Ela estava precisando
De uma boa companhia.

E veio um candidato,
Um gatinho siamês,
Presente da amiga Marta,
Ainda não tinha um mês,
Ágil esperto, inteligente,
Valia por mais de três.

Botei o nome de Duque,
Esperando uma mudança
Naquele seu jeito inquieto,
Próprio de uma criança,
Mas o tempo foi passando
E perdi a esperança.

O que esse gato faz,
Acho que até Deus duvida,
Ele veio transtornar
Toda paz de nossa vida,
Tentar mudar esse bicho
Tem sido causa perdida.

Ao mesmo tempo que é
Amável e brincalhão,
Fica nervoso e adora
Jogar os copos no chão,
E gosta de desligar
Fios da televisão.

Seu desejo é ir pra rua,
Embora seja castrado,
Abre armário e joga fora
O que estiver guardado,
Não existe nenhum vidro
Que já não tenha quebrado.

Preferimos não contar
As coisas que ele faz,
Pois tem quem ache impossível
Um gato ser tão capaz,
Mesmo assim todos da casa
Adoram este rapaz.

Eu conheço sua irmã,
Bela, elegante e normal,
É arteira, nos limites,
Um cativante animal,
Embora irmã do Duque,
A Teby não é igual.

Ela encanta a família
Com seu charme e beleza,
Dotada de belos traços
E muita delicadeza,
Só com a companheira, Kessy,
Ela mostra malvadeza.

Gostaria de falar
Dos gatos do mundo inteiro
Hoje, dezenas de raças,
Desse felino ligeiro,
Brincalhão e divertido,
Grande amigo e companheiro.

Alguns, quase não têm raça:
(Pelo Curto Brasileiro),
O nosso ex vira lata,
Alegre, dócil, arteiro,
Um gato inteligente,
Divertido e companheiro.

Já o Gato Siamês
(Oriundo de Sião),
Com o focinho, pata e orelha,
Quase da cor do carvão,
Com grandes olhos azuis,
É um gato brincalhão.

Sexualmente, precoce,
Inteligente e amigo,
Porém, quando provocado,
Transforma-se num perigo,
Entre os gatos do Brasil
Talvez seja o mais antigo.

O Persa, que obteve
Preferência mundial,
Oriundo da Turquia,
E da Pérsia Imperial,
Com o seu ar majestoso,
Não existe outro igual.

Robusto, de calda curta,
Hoje, com mais de cem cores,
Pelo longo, grandes olhos,
São fofinhos, uns amores,
Mas requerem mil cuidados,
Da parte dos criadores.

Embora ele requeira
Um cuidado especial,
Com seu belo e longo pelo,
Esse belo animal
Enche o coração e os olhos,
Com seu dote magistral.

O Maine Coon, um gigante,
Nem por isso, perigoso,
É um gato americano,
Com o seu porte garboso,
Um exímio caçador,
Amigo e afetuoso.

Vive bem com as crianças
Convive até com o cão,
Com seus 50 centímetros,
Lembra um tigre e um leão,
Chega a pesar 11 quilos,
De todos, é o campeão.

O Exótico, que cresce
Na preferência do povo,
Lembra um bicho de pelúcia
Ou mesmo um ursinho novo,
Para quem gosta do Persa,
Essa raça é um renovo.

E dá bem menos trabalho
Pra quem vive ocupado,
Sem tempo pra dedicar-se
A um bichano delicado,
Mas não abre mão de estar
Muito bem acompanhado.

Por ter o pelo mais curto
Do que um Persa peludo,
Ele traz toda ternura
Do seu ancestral rabudo,
Brincalhões e carinhosos,
Com seu pelo de veludo.

Dão trabalho e despesas,
Mas mesmo assim vale a pena
A companhia dos gatos,
Se a alma não é pequena,
Uma opção pra quem quer
Ter uma vida serena.

Não importa se ele é gato
De raça ou vira lata,
Se é de grande estatura,
Pequeno ou se é uma gata,
Se durante a noite dorme
Ou se adora serenata.

Se é considerado um deus
Ou é visto em declínio,
Se ele é submisso
Ou se exerce domínio,
Sempre vou admirar,
Não me canso de falar,
Dos gatos e seu fascínio.

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