sábado, 28 de maio de 2011

O Político

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Falar de nossa política,
No contexto atual,
É abrir uma caixa preta,
Que nos causa muito mal:
Todos já conhecem as causas
Do desastre nacional.

Elas são a falcatrua,
Propina e corrupção,
A impunidade que mina
A fé do bom cidadão,
E destroi os alicerces
Morais de nossa Nação.

O político brasileiro
É um ser incomparável:
Ímpar, único, sem igual
E um tipo admirável,
No mundo não existe outro,
Ele é inigualável.

Refiro-me aos desonestos,
Sei que existe a exceção,
Para quem peço desculpas,
Por esta dissertação,
Dedicada aos dedicados
Ao roubo e corrupção.

Mas vou fazer um esforço
Na busca de analogia,
Para que esta abordagem
Não fique morna e nem fria,
Na descrição do político,
Nas linhas dessa poesia.

Primeiro, vou comparar
O político ao cidadão,
Que paga os seus impostos,
Tem amor pela nação,
Está debaixo da Lei,
Vai preso, se for ladrão.

A diferença é grande
Vivem em dois universos,
Para o cidadão, há regras,
Mas, declaro nesses versos,
Não se aplicam ao político,
Os exemplos são diversos.

Para os erros do político,
Há sempre uma explicação,
Os amigos escondem as provas
E dão absolvição,
Bem diferente é a vida
De um simples cidadão.

Ele é preso sem sentença
E, às vezes, até apanha,
Na frente do Delegado,
Não adianta barganha,
O promotor desce a lenha
E o Juiz não se acanha.

Eu já vi uma mãe presa
Por ousar subtrair
O leite para os seus filhos,
Depois de, em vão, pedir,
Por não ter grandes amigos,
Ninguém tentou impedir.

Político é até filmado
Guardando o fruto do furto,
Depois vai fazer discurso
Pra reforçar o seu surto,
É livre por faltar provas,
Num julgamento bem curto.

Se o cidadão tomar
Algo que não seja seu,
Vai responder por seu ato,
Por ser um simples plebeu,
É chamado de ladrão,
Pois, não leu e o pau comeu.

Já o político recebe
A propina e o suborno,
É muito mais infiel
Do que esposa de corno,
Não é roubo, é desvio,
Pra mim, pão do mesmo forno.

O cidadão ouve a crítica
E pensa nela, calado,
Mas se criticam o político,
Este chama o advogado,
Não importa a verdade,
O cidadão é o culpado.

Delito do cidadão
Desonra a sociedade,
Que castiga o faltoso,
Sem nenhuma piedade,
É exceção, e se trata
Com imparcialidade.

O político protege
Os membros do seu partido,
Quando é questionado,
Finge de desentendido,
Aquilo que cheira mal
Fica muito mais fedido.

Político honesto existe,
Mas é raça em extinção,
Banalizaram seus erros,
Desvios, corrupção,
Hoje, merece medalha
Aquele que não é ladrão.

O cidadão paga impostos,
Sem ver sua aplicação,
Isso o político vê,
Na sua apropriação
Indébita, pois não se importa
Com a desgraça da nação.

É difícil imaginar
Quantas casas populares,
Podiam ser construídas,
Com os centros escolares,
Se não houvesse corruptos
Na política, entre seus pares.

Depois, comparo também
O político à prostituta,
Que, para os íntimos pode,
Ser chamada só de puta,
A mais velha profissão,
Por isso, ainda uma labuta.

O político e a prostituta
São, às vezes, parecidos:
Os objetos que dão,
Na verdade, são vendidos,
Eles cobram para dar,
Os verbos estão distorcidos.

Político faz caridade
Sem mexer no seu dinheiro,
Sua campanha é paga
Por algum interesseiro,
Depois ele esfola o povo,
Agindo como um açougueiro.

Ela vende o seu corpo,
Ele vende a sua alma,
Esquecendo da moral,
Enfrentam, com muita calma,
A perda da consciência,
Sem conflito e sem trauma.

Ambos atraem o cliente
Chamando sua atenção,
Ela exibe o seu corpo,
Ele, seu plano de ação,
Na garra de ambos, cai
O incauto cidadão.

Pois não percebe que eles
São grandes interesseiros,
Não têm amor para dar,
Em nada são verdadeiros,
Só pensam em se aproveitar
Dos ingênuos brasileiros.

Ela estranha no começo,
Mas, depois, se acostuma,
O político, em pouco tempo,
Belas desculpas, arruma,
Aprende a não deixar pista
Ou fazer com que ela suma.

Falando com um amigo
Sobre esta comparação,
Ele me lembrou que elas
Tem filhos com posição,
Em Brasília, mas não quero
Fazer esta citação.

Entretanto, há diferenças
Que precisam ser lembradas,
Muito embora as atitudes
Não possam ser aprovadas,
A prostituta, às vezes,
Tem as razões explicadas.

Pois muitas levam esta vida,
Por falta de opção,
Tendo que vender o corpo
Para ganhar o seu pão,
O político vende a alma
Por gostar de ser ladrão.

Pois todos têm bom salário,
Prêmios, extras, mordomia,
Tem carro com motorista
E verba pra moradia,
Rouba por não ter vergonha
Na calada noite fria.

Ela vende o que é dela,
Ele pega o que é da gente,
Ela é muito humilhada,
Ele é todo prepotente,
Ela se sente excluída,
Ele se acha decente.

Elas não querem que as filhas
Tenham a mesma profissão,
Eles transmitem aos herdeiros
Essa triste vocação,
E deixam belas raposas
Na linha de sucessão.

A sociedade está
À mercê dos dominantes,
Que usam os cargos públicos
Como grandes meliantes,
A Revolução Francesa
Pertence a tempos distantes.

É claro, ninguém esquece
Que guilhotina é passado,
A justiça hoje se faz
De modo civilizado,
Com a lei e com o voto,
De um povo preparado.

Não acho que é o político
Que vai mudar a nação,
É a consciência do povo,
E uma nova educação,
O correto uso do voto,
A justiça e a punição.

Político fala em Deus,
Mas esquece sua justiça,
Ataca o erário público
Como urubu, a carniça,
Esquece que vai dar conta
Por sua grande cobiça.

Pois aprenderam a viver
Sem temer um julgamento,
Na base da impunidade,
E sem arrependimento,
Perante o Juiz Eterno,
Não vai haver livramento.

Peço a Deus pelo Brasil
E a grande crise moral,
Que assola nossa pátria,
Nesse tempo atual,
E agradeço aos honestos,
Para quem, peço o aval.

A Simon e a Suplicy,
Que não constroem castelo,
Teotônio e Ulisses,
Com currículo nobre e belo,
E todo político honesto,
Ausente deste libelo.

Aos que querem uma mudança
Na política nacional,
E resistem à tentação
Do suborno e todo mal,
Dos que acham a falcatrua
Coisa correta e normal.

Pois, se não houver mudança
Na moral desta nação,
Com os níveis que atinge,
Hoje, a corrupção,
Vai faltar cadeia e espaço
Pra botar tanto ladrão.



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