Nesta tarde, eu me sinto muito honrado
Por falar a respeito do cordel
Com a voz, a caneta e o papel
Vou deixar, com vocês, o meu recado
Embora, no Nordeste, apreciado
Para alguns, ele é invencionice
Mas não levo em conta esta tolice
E bem alto levanto esta bandeira
Pois cordel é poesia brasileira
Vida longa à nossa Merenice
Espero ser, aqui, bem recebido
Todo mestre precisa de atenção
Para expor com toda satisfação
E sair com o seu dever cumprido
Na certeza que foi bem entendido
E sua aula não foi uma chatice
Nem tampouco uma mera quixotice
Queremos descobrir novos caminhos
Colher as flores, apesar de espinhos
Vida longa à nossa Merenice
Estou grato pela oportunidade
De falar desta forma de rimar
Para mim, a poesia popular
Merece toda notariedade
Sair do campo e vir para a cidade
Sem aparência de esquisitice
Que ela nos encante e enfeitice
Atinja e nossa mente e coração
Como faz com o homem do sertão
Vida longa à nossa Merenice
E torço para que eu possa, brevemente
Estar entre vocês mais uma vez
Desculpem esta minha insensatez
Por querer esta alegria novamente
Pedir parece, sempre, criancice
Jogar fora as chances é burrice
Eu continuo à disposição
De quem criou tão boa ocasião
Vida longa à nossa Merenice
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