sábado, 28 de maio de 2011

A História de José e Eloy

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Dizem que contar uma história,
É acrescentar um ponto,
Por isso, quem a escuta
Já vai dando um desconto,
Principalmente se ela
Lembra, de fadas, um conto.

A história que apresento
É a expressão da verdade,
A respeito de um sonho
Que virou realidade,
De um amor que nasceu
Numa pequena cidade.

É sobre o jovem Zezinho,
Honesto e trabalhador,
Que, na vida, só queria
Encontrar um grande amor,
E, durante muito tempo,
Guardou, no peito, esta dor.

Morador de numa fazenda,
Disposto e afeiçoado,
Era um jovem vaidoso,
Vivia sempre arrumado,
E, no dorso, de uma mula,
Estava sempre montado.

Tinha uma família boa,
Mas se sentia infeliz,
E queria, a todo custo,
Cortar, do mal, a raiz,
Mas Deus tinha preparado
O que ele sempre quis.

Na simples Siqueira Campos,
No norte do Paraná,
Terra boa, rica e bela,
Uma outra, igual, não há,
Uma flor se destacava
Naquele Jardim de Alá.

Pois, no Sitio Marimbondo,
Havia uma linda garota,
Disposta, trabalhadora,
Do mel, a última gota,
Que um dia, viu Zezinho
Com sua face marota.

Ele pôs o seu olhar
Naquela linda donzela
E foi pensando, depressa:
- Eis, aí, minha costela,
Embora com treze anos,
Era uma moça bela.

Zezinho tinha quatorze,
Bem cedo amadureceu,
Obrigações e trabalho,
Muito novo, conheceu,
E, agora, bateu forte
O coração do Romeu.

Eloy não resistiu
Ao jovem paquerador,
E, embora tão criança,
Derreteu-se de amor,
Cupido lançou a flecha,
Venceu o conquistador.

Zezinho sempre fingia
Visitar a sua tia,
Quando se aproximava,
Eloy se escondia,
Se não estava arrumada,
Do galã, ela fugia.

Ele calçava suas botas
Longas até o joelho,
Passava horas e horas
Diante de seu espelho,
Não vou contar mais detalhes
Pra não deixá-lo vermelho.

Casam-se, após dois anos,
Em dezembro de sessenta,
Para Zezinho, acabava
O período de tormenta,
Nos braços daquele anjo,
Que, de amor, lhe alimenta.

Ele tinha dezessete,
Mas aumentou a idade,
Pois queria, a todo custo,
Casar com aquela beldade,
Que, com dezesseis aninhos,
Já tinha maturidade.

Reverendo João Arantes
Deu a bênção ao casal,
Pediu que Deus os guardasse
Das tentações e do mal,
E que, de ambos, brotasse
Uma herança especial.

Embora fossem bem simples,
Pelos padrões atuais,
Os dois viviam felizes,
Mais do que outros casais,
Além de amor e respeito,
Tinham princípios morais.

Os filhos foram chegando,
Primeiro, veio o Serjão,
Muito impulsivo e danado,
Porém de bom coração,
Dizem que, desde pequeno,
Sempre jogou um bolão.

Depois veio a Soninha
Meiga e cheia de beleza,
Muito ligada aos pais,
Mas carregava uma tristeza:
O seu maninho Serjão,
Gostava de malvadeza.

Aprontava com a menina,
Que ficava a chorar,
Olhos e nariz molhados,
Com Serjão a provocar,
De vez em quando o casal
Precisava engrossar.

Mas não parou por aí,
Foi a vez de Samuel,
A quem foi dado o nome
De um Juiz de Israel,
Homem de coragem e fé,
Firme, sábio e fiel.

Depois disso, veio o Silvio,
Que já nasceu bronzeado,
Um garoto inteligente,
Calmo e muito aplicado,
Mais um presente de Deus,
Neste lar abençoado.

O casal pensou que a prole
Ia parar por aí,
Mas como estavam enganados
O Zezinho e a Eloy,
Deus mandou também a Débora,
A bela flor do caqui.

Aquela menina alegre,
Risonha e magricela
Em breve se tornaria
Uma bonita donzela,
Entre ela e a Soninha
Não sei qual é a mais bela.

Mas Zezinho e Eloy,
Olhando para o futuro,
Mudam-se para São Paulo,
Buscam um lugar seguro,
Para educarem os filhos,
Não querem ficar no muro.

O povo muda seu nome,
Chama-no Zé Paraná,
Embora seja paulista
(Foi crescido para lá),
Mas conheceu o Represa
E mudou-se para cá.

De novo, o destino apronta
Mais uma com o casal,
Que já tinha encerrado
A produção, afinal,
Deus mandou o Eliabe,
Um presente especial.

Ele, que perdera a mãe,
Não ficou abandonado,
Tornou-se o sexto rebento,
Sendo por todos amado,
Cresceu com o dom musical,
Um rapaz abençoado.

A vida aqui, em São Paulo,
No início, foi dureza,
Ele tinha dois empregos,
Não conheceu a moleza,
Mas não perdia o rumo
Nunca lhe faltou firmeza.

Trabalhou de motorista,
Vigilante e açougueiro,
Teve até um barzinho,
Precisava de dinheiro;
Para alimentar a tropa,
Não parava o dia inteiro.

Eloy, além dos filhos,
Sempre abriu o coração
Para ajudar os  amigos
Com muita disposição,
Sua casa, ainda hoje,
Até parece uma pensão.

Mas os filhos vão crescendo,
Lucia casa com Serjão,
Nascem Carol e Luan,
Frutos desta união,
E, da família Morais,
A segunda geração.

Samuel casa com a Dorcas,
Geram Natália e Rebeca,
O Silvio casa com a Rose,
Geram a Raissa, a sapeca,
Logo depois, o Murilo,
Que deixa o seu pai careca.

Depois, é a vez da Débora,
Que se casa com o Tate,
Sujeito cheio de graça,
Com o seu sorriso colgate,
Um baiano bem disposto
Que não foge do combate.

Geram a super Fernanda,
Que vale por mais de cem,
Traquina, alegre, agitada,
Mas todos lhe querem bem,
Pra seguir a tradição,
Deve nascer mais alguém.

A Soninha esperava
O seu Príncipe Encantado,
O pai e os quatro irmãos
Deixavam sempre assustado
Cada um dos pretendentes
Que era visto ao seu lado.

Eis que surge o Jair
E enfrenta aquela tropa,
Entra em Campo como quem
Está disputando a copa,
A Soninha diz que sim,
E o desafio topa.

Ela casa com o Jair
E adota os seus filhos,
Marca de perto o Filipe,
Para não sair dos trilhos,
É bem aceita por Débora,
Não existem empecilhos.

O Pedrinho é o bisneto,
Da novíssima geração,
No momento, o mais recente
Morador do coração
De Zezinho e Eloy,
Maior que um caminhão.

Deus conceda vida longa
A este casal amado,
Que chorou quando plantava,
Mas que viu o resultado,
E, hoje, colhe os frutos
De um lar abençoado.

Completam cinqüenta anos
De amor e união;
Pelas bênçãos recebidas,
Declaram, de coração:
- O Senhor é a nossa força
E a nossa salvação.

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