quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Absalão – A História de Um Filho Mal Criado

Carlos Alberto Fernandes da Silva


Eu sempre rogo a meu Deus
Luz do céu e inspiração,
Quando tomo o papel
E a caneta em minha mão,
Principalmente ao falar
Sobre o jovem Absalão.

Para quem não o conhece,
Nem leu o que foi escrito,
Foi filho do Rei Davi,
E criador de atrito,
Entre muitos personagens,
Foi chamado o mais bonito.

Mas não basta um bom berço,
É preciso disciplina
Para educar um filho,
Sem culpar a triste sina,
Sua grande vaidade
Veio a ser sua ruina.

O Rei Davi foi o homem
De acordo com o coração
De Deus, mesmo assim falhou
No quesito educação,
E muito ajudou na queda
Do seu filho, Absalão.

Pois teve várias mulheres,
No passado, permitido.
Teve dezessete filhos,
Porém o seu preferido
Sempre foi Absalão,
Desleal e convencido.

Este tinha uma irmã,
Cujo nome era Tamar,
Não sei se nasceram outras,
Mas dá para imaginar,
Dezessete contra uma,
Um indigesto placar.

Absalão, quer dizer
Notem, ‘o meu pai é paz’,
Maaca, uma princesa
Era a mãe deste rapaz,
Filha do Rei de Gesur,
Diga mais quem for capaz.

Era o terceiro filho,
Amnom e Daniel
Nasceram bem antes dele,
E o trono de Israel
Já tinha dois pretendentes,
O destino foi cruel!

Nascido no ano 1.000
Antes da era cristã,
Dono de rara beleza,
Vaidade tola e vã,
Tinha a jovem Tamar
Como única irmã.

Sua enorme cabeleira
Destacava a vaidade
Daquele jovem perfeito,
Desde a sua tenra idade,
Porém beleza nem sempre
Rima com capacidade.

Era muito ambicioso,
Desleal e agressivo,
Mostrou-se maquiavélico,
Quando achou um bom motivo,
Pois por causa de Tamar,
Foi cruel e vingativo.

Porque seu irmão, Amnom
Veio a se apaixonar
(Sei que para os leitores´
E difícil acreditar),
Pela irmã de Absalão,
A bela jovem Tamar.

Ela era sua irmã,
Claro, por parte do Pai.
Mas tornou-se  obsessão
Daquela que nunca sai,
E a pior das loucuras,
Cometer, o jovem vai.

Ele finge estar doente
E solicita Tamar,
Queria comer um bolo,
Ela veio preparar,
Mas aí forçou a moça
A com ele se deitar.

Após consumar o ato,
Sentiu enorme aversão,
Pois isso é o que acontece
Quando impera a vil paixão
Disfarçada de amor,
Dominando um coração.

Ele manda a moça embora,
Depois de ser ultrajada,
Apesar de implorar,
A jovem sai humilhada.
Ao saber, Absalão
Quer sua honra lavada.

Finge abafar o caso
E planeja, enfim, a morte
Do cruel conquistador,
Que vai precisar de sorte,
Pois o belo Absalão,
Na crueldade, é mais forte.

O Rei Davi, diz o texto,
Ficou triste e indignado,
Mas ninguém ficou  sabendo,
Se Amnom foi castigado,
Absalão, por dois anos
Ficou quietinho e calado.

Depois disso armou um plano
Pra liquidar o irmão,
Convidando a família
Para uma reunião,
Os seus servos ajudaram
Nesta sua má ação.

O Rei Davi, sempre ausente,
Muito embora convidado,
Não foi se juntar aos filhos
(Não queria ser pesado),
Mais uma vez lamentou
O terrível resultado.

Absalão insistiu
Em receber o irmão,
Pois já tinha preparado
Uma grande traição,
O Rei Davi permitiu,
E caiu no alçapão.

Depois de uns goles de vinho,
Em total embriaguez,
Amnom é atacado,
Virando a bola da vez,
Os irmãos fogem, com medo
Do que Absalão fez.

Para escapar da ira
Do Rei Davi, o seu pai,
Absalão se esconde
No lar do avô, Talmai,
Durante três longos anos,
Ele balança e não cai.

Depois disso, ele pede
Permissão pra retornar,
O velho Davi vacila
E deixa o filho voltar,
Será que Absalão
Resolveu mesmo mudar?

Durante dois longos anos,
Não viu a face do Rei,
Mas Joabe, o capitão,
Abrandando a dura lei,
Aproxima pai e filho,
Mas o motivo eu não sei.

Mas sei que sua maldade
Mais e mais vai aumentando,
Pois um novo triste plano,
Aos poucos vai engendrando,
As omissões de seu pai,
Com ele, vai cooperando.

Absalão, perdoado,
Ambiciona a coroa,
Só tinha um irmão à frente,
Porém a notícia boa
É que tinha sangue azul,
Um detalhe nada à toa.

Primeiro, tenta mostrar-se
Bem melhor que o ancião,
Mostrava ser bom juiz,
Fazendo comparação,
Numa concorrência aberta
Visando a usurpação.

Mas depois de quatro anos
De seu exílio forçado,
Absalão se julgava
Bem mais do que preparado
Para assumir o trono,
Desde há muito, desejado.

Ele vai para Hebrom,
Reúne a população,
Forçando o pai a fugir
Cruzando o Rio Jordão,
Nas terras de Maanaim,
Em total humilhação.

Absalão, prosseguiu
Dando asas à maldade,
Profana o leito do pai,
Pratica imoralidade
Diante dos habitantes
Da sua antiga cidade.

Enquanto isso, Joabe,
O supremo comandante,
Preparava uma estratégia
Contra o jovem meliante,
Atraindo-o aos bosques,
Armando um plano brilhante.

Abisai junto a Itai
Auxiliaram Joabe,
Formando três divisões,
Atitude de quem sabe,
Cercando o jovem rebelde,
Antes que a dia acabe.

Eles vencem os oponentes
Com certa facilidade,
Muitos fogem da batalha,
Foi dura a realidade
Deste sonho ambicioso,
Eivado de falsidade.

O Rei, sempre protetor,
Pediu poupassem o seu filho,
Mesmo sendo desleal,
Andando fora do trilho,
Atitude de fraqueza
Que muito ofusca o seu brilho.

Absalão enganchou-se,
Com a vasta cabeleira,
Num galho de um carvalho,
Sendo a vítima certeira
Das flechadas de Joabe,
Na batalha derradeira.

Outros dez lhe acertaram,
Sua vida chega ao fim,
Pendurado numa árvore,
Ele permanece assim,
Sendo, depois, enterrado
Nas florestas de Efraim.

O Rei soube do ocorrido,
E caiu em grande choro,
Mas com certeza, ninguém
Quis com ele fazer coro,
Pois aquela sedição
Foi um grande desaforo.

Enquanto isso o Rei,
Não parava de chorar:
Absalão, eu queria
Ter morrido em teu lugar.
Era um pai amoroso,
Isso eu não posso negar.

Mas quem não educa o filho
E só pensa na beleza,
Esquecendo a disciplina,
Pode ter uma surpresa,
Ao saber que alimentava
Uma cobra em sua mesa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário