Absalão
– A História de Um Filho Mal Criado
Carlos Alberto Fernandes da Silva
Eu sempre rogo a meu
Deus
Luz do céu e
inspiração,
Quando tomo o papel
E a caneta em minha mão,
Principalmente ao falar
Sobre o jovem Absalão.
Para quem não o
conhece,
Nem leu o que foi
escrito,
Foi filho do Rei Davi,
E criador de atrito,
Entre muitos
personagens,
Foi chamado o mais
bonito.
Mas não basta um bom
berço,
É preciso disciplina
Para educar um filho,
Sem culpar a triste
sina,
Sua grande vaidade
Veio a ser sua ruina.
O Rei Davi foi o homem
De acordo com o coração
De Deus, mesmo assim
falhou
No quesito educação,
E muito ajudou na queda
Do seu filho, Absalão.
Pois teve várias
mulheres,
No passado, permitido.
Teve dezessete filhos,
Porém o seu preferido
Sempre foi Absalão,
Desleal e convencido.
Este tinha uma irmã,
Cujo nome era Tamar,
Não sei se nasceram
outras,
Mas dá para imaginar,
Dezessete contra uma,
Um indigesto placar.
Absalão, quer dizer
Notem, ‘o meu pai é
paz’,
Maaca, uma princesa
Era a mãe deste rapaz,
Filha do Rei de Gesur,
Diga mais quem for
capaz.
Era o terceiro filho,
Amnom e Daniel
Nasceram bem antes
dele,
E o trono de Israel
Já tinha dois
pretendentes,
O destino foi cruel!
Nascido no ano 1.000
Antes da era cristã,
Dono de rara beleza,
Vaidade tola e vã,
Tinha a jovem Tamar
Como única irmã.
Sua enorme cabeleira
Destacava a vaidade
Daquele jovem perfeito,
Desde a sua tenra
idade,
Porém beleza nem sempre
Rima com capacidade.
Era muito ambicioso,
Desleal e agressivo,
Mostrou-se
maquiavélico,
Quando achou um bom
motivo,
Pois por causa de
Tamar,
Foi cruel e vingativo.
Porque seu irmão, Amnom
Veio a se apaixonar
(Sei que para os
leitores´
E difícil acreditar),
Pela irmã de Absalão,
A bela jovem Tamar.
Ela era sua irmã,
Claro, por parte do
Pai.
Mas tornou-se obsessão
Daquela que nunca sai,
E a pior das loucuras,
Cometer, o jovem vai.
Ele finge estar doente
E solicita Tamar,
Queria comer um bolo,
Ela veio preparar,
Mas aí forçou a moça
A com ele se deitar.
Após consumar o ato,
Sentiu enorme aversão,
Pois isso é o que
acontece
Quando impera a vil
paixão
Disfarçada de amor,
Dominando um coração.
Ele manda a moça
embora,
Depois de ser
ultrajada,
Apesar de implorar,
A jovem sai humilhada.
Ao saber, Absalão
Quer sua honra lavada.
Finge abafar o caso
E planeja, enfim, a
morte
Do cruel conquistador,
Que vai precisar de
sorte,
Pois o belo Absalão,
Na crueldade, é mais
forte.
O Rei Davi, diz o
texto,
Ficou triste e
indignado,
Mas ninguém ficou sabendo,
Se Amnom foi castigado,
Absalão, por dois anos
Ficou quietinho e
calado.
Depois disso armou um
plano
Pra liquidar o irmão,
Convidando a família
Para uma reunião,
Os seus servos ajudaram
Nesta sua má ação.
O Rei Davi, sempre
ausente,
Muito embora convidado,
Não foi se juntar aos
filhos
(Não queria ser pesado),
Mais uma vez lamentou
O terrível resultado.
Absalão insistiu
Em receber o irmão,
Pois já tinha preparado
Uma grande traição,
O Rei Davi permitiu,
E caiu no alçapão.
Depois de uns goles de
vinho,
Em total embriaguez,
Amnom é atacado,
Virando a bola da vez,
Os irmãos fogem, com
medo
Do que Absalão fez.
Para escapar da ira
Do Rei Davi, o seu pai,
Absalão se esconde
No lar do avô, Talmai,
Durante três longos
anos,
Ele balança e não cai.
Depois disso, ele pede
Permissão pra retornar,
O velho Davi vacila
E deixa o filho voltar,
Será que Absalão
Resolveu mesmo mudar?
Durante dois longos
anos,
Não viu a face do Rei,
Mas Joabe, o capitão,
Abrandando a dura lei,
Aproxima pai e filho,
Mas o motivo eu não
sei.
Mas sei que sua maldade
Mais e mais vai
aumentando,
Pois um novo triste
plano,
Aos poucos vai engendrando,
As omissões de seu pai,
Com ele, vai
cooperando.
Absalão, perdoado,
Ambiciona a coroa,
Só tinha um irmão à
frente,
Porém a notícia boa
É que tinha sangue
azul,
Um detalhe nada à toa.
Primeiro, tenta
mostrar-se
Bem melhor que o
ancião,
Mostrava ser bom juiz,
Fazendo comparação,
Numa concorrência
aberta
Visando a usurpação.
Mas depois de quatro
anos
De seu exílio forçado,
Absalão se julgava
Bem mais do que
preparado
Para assumir o trono,
Desde há muito,
desejado.
Ele vai para Hebrom,
Reúne a população,
Forçando o pai a fugir
Cruzando o Rio Jordão,
Nas terras de Maanaim,
Em total humilhação.
Absalão, prosseguiu
Dando asas à maldade,
Profana o leito do pai,
Pratica imoralidade
Diante dos habitantes
Da sua antiga cidade.
Enquanto isso, Joabe,
O supremo comandante,
Preparava uma
estratégia
Contra o jovem
meliante,
Atraindo-o aos bosques,
Armando um plano
brilhante.
Abisai junto a Itai
Auxiliaram Joabe,
Formando três divisões,
Atitude de quem sabe,
Cercando o jovem
rebelde,
Antes que a dia acabe.
Eles vencem os
oponentes
Com certa facilidade,
Muitos fogem da batalha,
Foi dura a realidade
Deste sonho ambicioso,
Eivado de falsidade.
O Rei, sempre protetor,
Pediu poupassem o seu
filho,
Mesmo sendo desleal,
Andando fora do trilho,
Atitude de fraqueza
Que muito ofusca o seu
brilho.
Absalão enganchou-se,
Com a vasta cabeleira,
Num galho de um
carvalho,
Sendo a vítima certeira
Das flechadas de Joabe,
Na batalha derradeira.
Outros dez lhe
acertaram,
Sua vida chega ao fim,
Pendurado numa árvore,
Ele permanece assim,
Sendo, depois, enterrado
Nas florestas de
Efraim.
O Rei soube do ocorrido,
E caiu em grande choro,
Mas com certeza,
ninguém
Quis com ele fazer coro,
Pois aquela sedição
Foi um grande desaforo.
Enquanto isso o Rei,
Não parava de chorar:
Absalão,
eu queria
Ter
morrido em teu lugar.
Era um pai amoroso,
Isso eu não posso
negar.
Mas quem não educa o
filho
E só pensa na beleza,
Esquecendo a
disciplina,
Pode ter uma surpresa,
Ao saber que alimentava
Uma cobra em sua mesa.
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