segunda-feira, 14 de julho de 2014

Alemanha Sete Brasil Um


O Brasil perdeu de sete
(A conta do mentiroso),
Mesmo tendo cinco estrelas
E seu passado garboso,
Só conseguiu fazer um,
Num joguinho horroroso.

É disso que vou falar
E peço que me escutes:
No Mineirão, nosso escrete
Tentou barrar os chucrutes,
Mas nos deixaram ‘de quatro’
Inda sentaram três chutes.

O total de sete gols
Gente sã não imaginava,
A tempestade alemã,
Que, sobre nós, desabava
Parecia, ao nosso escrete,
Ataque de vaca brava.

Filipão emudeceu,
Parreira continuou
Com a cara de babaca,
Da qual jamais se livrou,
E o Murtosa, outro inútil,
Reação não esboçou.

Faltou comando de fora
E também dentro do campo,
Os gols se multiplicavam
Como surto de sarampo,
A total paralisia
Substituiu o trampo.

David Luis, o valente,
Também fora de ação,
Mostrava que andorinha
Sozinha não faz verão,
Perguntava: oh Deus do céu,
Por que tal desolação?

Julio Cesar, o nosso herói,
Vestiu luvas de alface,
Não segurava a bola,
E com sua bela face,
Trocou o riso por lágrimas,
Vendo um gol a cada passe.

Onze 'Brutus' o cercaram,
Sete golpes foram dados,
Nosso 'Imperador' caiu
Sem contar com seus soldados,
Que, de longe, observavam
Mudos e paralisados.

O Marcelo, atordoado,
Vendo se mexer a rede,
Repetia: não fui eu,
Já saciei minha sede,
Só não morreu encostado
Por falta de uma parede.

Bernard, perdido em campo,
Tinha pernas de tristeza,
Colocá-lo nesta fria
Chegou a ser malvadeza,
Este menino de ouro
Não exibiu realeza.

Hulk, o forte conterrâneo,
Numa apatia profunda,
Viu que para este Golias
Não bastava uma grande funda,
Foi sacado do gramado,
Numa atitude imunda.

No gramado, amarelou,
Ao invés de esverdear
E se transformar num monstro
Pronto para esmagar
O ‘fracote’ oponente,
Que tentasse avançar.

Os Três Patetas; Filipe,
Carlos Alberto e Murtosa,
Percebendo a cor do mar
(Vermelha e não cor de rosa),
Tentavam bancar Moisés,
Sem a vara milagrosa.

Escalaram o time mal,
Sem nenhum entrosamento,
Com total insegurança,
Por falta de treinamento,
Deixando que cinco estrelas
Fossem levadas ao vento.

Oscar, parado na frente,
Nem enxergava a bola.
Os chucrutes, ao contrário,
Sem temer mordida ou sola,
Praticavam, livremente,
O que treinaram na escola.

Marcou nosso gol de honra,
Numa atitude isolada,
Mas pouca coisa salvou
De uma equipe estuprada,
Diante de nossa gente,
Aos olhos da criançada.

Fred, múmia paralítica,
Não mudou de atitude,
Continuou uma estátua,
Com defensor no seu grude,
Se a natureza o marcava,
Imagina um beque rude.

Foi sacado quando era
Para nós, tarde demais,
Saiu do campo, quem sabe,
Pra não regressar jamais,
Sua presença no time
Só foi motivo de ais.

O Maicon dançava Thriller,
Cercado de assombração,
Os zumbis que atacavam
Com bela coordenação,
Resgataram a antiga áurea
Do bom guerreiro alemão.

O Dante, não o poeta,
Mas o baiano moderno,
Relembrava a obra clássica,
Reescrevendo o Inferno,
Naquele espaço de tempo,
Que se tornará eterno.

Fernando Rosa, pra nós,
O querido Fernandinho,
Vendo os gaviões malvados
Saqueando o nosso ninho,
Não deu conta do recado,
Jogando quase sozinho.

As entradas de William,
Ramires, também Paulinho
Foi como lançar alguém
Dentro de um torvelinho,
No dia em que o Mineirão
Não passou de um Mineirinho.

Neymar e Tiago Silva
Escaparam do vexame.
Não sei se, dentro do campo,
Passariam no exame,
Ou receberiam ippon
Naquele triste tatame.

Os chucrutes nos deixaram
De quatro, sem piedade,
Nos chutaram inda três vezes,
Com total perversidade,
Sete gols naquele jogo
Que nos deixou na saudade.

Deixaram até mesmo o Klose
Desbancar o Ronaldão,
Num golzinho mixuruca,
Sem graça e sem vibração.
O craque deixou o pódio,
Pra dar vez ao ancião.

O brasileiro, educado,
Não saiu no ponta pé,
Nem mesmo quando a torcida,
Em coro, gritava olé.
Humildemente, rezavam
Pelo fim deste banzé.

Os chucrutes, em delírio,
Mal escondiam o sorriso,
Pois a organização
Superava o improviso.
Dar show não é necessário,
Porém vencer é preciso.

Os Três Patetas, depois,
Falaram em sua defesa,
Explicando o inexplicável,
Sem porem cartas na mesa,
Enquanto o Brasil inteiro
Amargava esta tristeza.

Mas ficou uma lição
Para não ser esquecida,
Perdemos somente um jogo,
Pois, em frente, segue a vida:
Eles permanecem ricos
E nossa gente, falida.

Daqui a mais quatro anos
Tudo volta ao seu começo,
Nosso povo na esperança,
Eles aumentando o preço,
Mas aquele triste jogo,
Dificilmente, eu esqueço.

A ordem é seguir em frente,
Esperar pelo amanhã,
Aguentar a Alemanha
Como tetra campeã,
E crer que nossa torcida,
Com certeza, não foi vã.

Talvez, um dia, o hexa,
Nos dê, o neutro destino.
Eu creio, sou brasileiro;
Eu luto, sou nordestino.
Difícil mesmo é aguentar
Piadinha de argentino.


Nenhum comentário:

Postar um comentário