Adeus Shaolin
Carlos Alberto Fernandes da Silva
Morreu há pouco o cômico Shaolin
E carregou consigo o meu sorriso
Mas para quem sorrir sempre é preciso
Um pedaço de mim morreu também
Será que por acaso existe alguém
Que tenha resistido à sua arte
Nem se houvesse alguém perdido em marte
Porque a sua graça contagia,
Descendo infelizmente à tumba fria
Não sei se é ele ou sou eu quem parte.
Dizem que humorista é quem ‘diz graça’
Você fazia humor sem desgraçar
Ainda que viesse a escrachar
Não ultrapassava a linha do respeito
E mesmo exagerando no trejeito
Chegava a beirar a perfeição
Porque na arte da imitação
Não vi ninguém com este mesmo nível
E apesar de tudo eu acho incrível
A humildade do seu coração
Campina Grande amanheceu de luto
Porque perdeu seu filho mais querido
Que embora fosse um pássaro ferido
Vivia aconchegado no seu ninho
Cercado de cuidado e de carinho
Deixando acesa a chama da esperança
Agora ele é eterno na lembrança
Um imortal disso tenho certeza
Campina não combina com tristeza
E mesmo em meio a dor seu povo avança..
É triste a ironia do destino
Porque nos faz chorar quem nos fez rir
E por calar quem não quis desistir
Trazendo a morte a quem ornava a vida
Sem receber a paga merecida
Dos risos que espalhou por tanta gente
E deixa agora a vida descontente
Tão cedo quando havia tanto a dar
Quem é que agora vai nos alegrar
Sem ele que nos deixa de repente?
No vácuo do humor de nossa terra
Que trouxe tantos astros no passado
Shaolim eu sei será sempre lembrado
Por ser o derradeiro dos moicanos
Orgulho dos artistas paraibanos
A quem presto esta simples homenagem
Obrigado a você pela coragem
De alegrar a nós tristes humanos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário