terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O Ano Velho e o Ano Novo

Carlos Alberto Fernandes da Silva



O ano velho se acaba,
Um novo ano começa;
O ano velho se esvai,
Sem despedida, com pressa;
O novo ano, que nasce,
Traz uma nova promessa.

Como quem troca de turno
(Meia noite é sempre a hora),
O novo traz novidades.
O velho já vai embora,
O novo ano sorri,
Porém o velho só chora.

Presos ao tempo e espaço,
Sem poder de interferência,
Assistimos à mudança,
Ás vezes, na inocência,
Numa atitude passiva,
Que beira a incoerência.

Pois pensamos que o velho
Levará nossos problemas,
E o novo afastará
Os percalços, sem dilemas,
Começando o novo ano,
Livres de nossas algemas.

Esquecemos que os dois
São como irmãos siameses,
Separados, mas iguais
(Os mesmos dias e meses),
De ambos, assim, nós somos
Os habituais fregueses.

São como a carne e a unha,
O caju e a castanha,
Que ditam as suas medidas
E não aceitam barganha,
Sob os quais, ora se perde,
E ora, também, se ganha.

São dois elos da corrente,
Uma continuação;
Um dá sequência ao outro,
Na mais perfeita união;
Pensar que tudo se acaba
E se renova, é ilusão.

Apenas no calendário
Sentimos esta mudança,
No mais, tudo é igualzinho,
Com exceção da gastança,
Comemorando a passagem,
Com uma enorme festança.

Somos nós que precisamos
Mudar nossas atitudes,
Trocando os nossos defeitos,
Se Deus quiser, por virtudes,
Os nossos velhos desânimos,
Por novas solicitudes.

Desta forma, contaremos
Com um salutar renovo,
Algo bom e necessário
Pro nosso sofrido povo.
Pensando assim, eu desejo:
Tenha um feliz ano novo!

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