terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O Ajudante de Papai Noel

Carlos Alberto Fernandes da Silva


Era uma vez um menino,
Igual a toda criança,
Que adorava o Natal,
Guardando a viva lembrança
Do gentil Papai Noel
E da noite da festança.

Sem economizar sonhos,
Desejava, a todo instante,
Ao lado do bom velhinho,
Ser seu fiel ajudante,
Distribuindo presentes,
Levando o desejo avante.

Queria dividir sonhos,
Distribuir alegria,
Matar a desesperança,
Trazendo ao mundo a magia
Dos presentes de Natal,
Que provocam euforia.

Mas, ao crescer, foi notando,
Havia um Papai Noel
Em cada loja que ia,
Interpretando um papel
Diferente, em cada esquina,
Nem sempre bom e fiel.

Nos ricos shoppings, uau!
Era forte e bem rosado,
Com um sorriso bem largo,
Sempre afável e educado,
Tirando fotos com todos,
Êta velhinho animado!

Mas em lugares mais pobres,
O velhinho era mais sério;
Às vezes, magro e moreno,
Um verdadeiro mistério,
Muito mais compenetrado
Que coveiro em cemitério.

Observando, atento,
Tamanha transformação,
Viu Papai Noel sem barba
E com trajes de verão,
Sem neve, renas, nem sinos,
Numa grande inovação.

Em muitas lojas, que estranho,
Ele era só um boneco;
Às vezes, sem movimento,
Sem abraço e sem xaveco,
Mudo, com olhar distante,
Sem repetir nenhum eco.

Porém, em outras, dançava,
Cantarolando em inglês,
Belas canções de Natal,
Cumprimentando o freguês,
Cheirando a naftalina,
Quando dezembro era o mês.

Na maioria das lojas,
Por toda a periferia,
Nosso bom Papai Noel,
Infelizmente, não ia,
Nem sequer para chamar
Sua fiel freguesia.

O pior: esta criança
Nem sequer tinha lareira,
Pois as noites escaldantes
Não carecem de fogueira,
Na maioria das casas,
Nesta terra brasileira.

Era fácil perceber
Que nenhum era real,
Embora fizessem parte
Da magia do Natal,
Era tudo uma mentirinha
Destas que ‘não fazem mal’.

Porém alguém lhe falou
Que o Natal era Jesus,
O bebê da manjedoura,
Fonte de graça e de luz,
Vindo ao mundo para dar
Sua vida numa cruz.

Este, sim, era real,
Um Deus-homem verdadeiro,
Sendo o Leão de Judá,
Ao mesmo tempo, o Cordeiro
De Deus, enviado aos homens,
Para morrer no madeiro.

Trazendo a todos, enfim,
Um precioso presente:
A vida eterna com Deus,
Acessível a todo crente,
A cura espiritual
Pra quem estiver doente.

Pois este Jesus não muda,
É o mesmo que nasceu
Numa simples manjedoura
E, entre os homens, viveu,
Pregando e fazendo o bem,
A todos que conheceu.

E nos deu uma esperança:
Muito em breve, vai voltar;
Os sinais de sua vinda
Estão em todo lugar,
Hoje, é o tempo aceitável
De, para Deus, se voltar.

Ajudar Papai Noel
A semear alegria
É uma boa tarefa,
Nesta humanidade fria,
Carente de amor e paz,
E da luz de um novo dia.

Mas pregar a salvação,
Nestes tempos de descrença,
É mais do que necessário,
Pois devemos, sem detença,
Deixar que a luz do Natal,
Toda a densa treva, vença!

Sou parte desta criança,
Mas conheci, afinal,
O Jesus da manjedoura
Que dissipa todo mal,
Em nome de quem, desejo
A você: Feliz Natal!.

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