segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Eleições e Boataria


Não pretendo ser perfeito,
Ser juiz ou ser beato,
Mas detesto ver pessoas
Trocando lebre por gato,
Espalhando como certo
O que é mero boato.

Até mesmo Jesus Cristo
Sofre com a boataria,
Disseram que seus discípulos
Foram à sua tumba fria
E roubaram o seu corpo,
Antes que raiasse o dia.

Tudo isso pra negar
A sua ressurreição,
Um dos fatos importantes
Na doutrina do cristão,
E esperança daqueles
Que aguardam a salvação.

Até hoje, há quem jure
Que Maria Madalena
Foi sua amante ou esposa,
Em sua vida terrena,
Embora a Bíblia não fale
De romance com a morena.

Marco Antonio se matou
Ao julgar que sua amada
No seu último refugio,
Já estava sepultada,
Um boato oriundo
De uma história mal contada.

O grande Getulio Vargas
Deu um tiro no seu peito,
Quando disseram que ele
Mandou matar um sujeito,
Fato que o entristeceu,
Pois não dirigiu direito.

Lembram da Escola Base?
Muita gente já esqueceu.
A TV e os jornais,
Depois que o dono morreu,
Fingem não serem culpados
Pelo que aconteceu.

Muita gente, hoje, adulta,
De forma amarga ou amena,
Já sofreu ou viu boato
E sentiu tristeza plena,
Causada por uma mentira
Do tipo que envenena.

Nesta ultima eleição,
Deram asas à mentira;
Enquanto Roma queimava,
Os Neros tocavam a lira
Rindo dos pobres incautos,
Que estavam em sua mira.

Todo dia, eu encontrava,
No Email, uma notícia,
Falando contra o governo,
Com veneno e com malícia,
Algumas sem fundamento,
Porém na hora propícia.

Engraçado é que a central
Desta vil boataria,
Não focava mais ninguém
E nenhum defeito via
Nos caras das outras siglas,
Numa clara hipocrisia.

Nem sequer o Dr. Paulo,
Campeão das 'malufadas',
Foi lembrado nestas redes
(Deve estar dando risadas),
Parecia que o Congresso
Era composto de fadas.

Se é para apontar erros,
Vamos ser imparciais,
Não importando as siglas,
Sem olhar para os currais,
Porém sempre averiguando
Se os fatos são reais.

Falar do que não se sabe
É tremenda idiotice,
Ver boato se espalhando
Chega a ser uma chatice,
Ouvir e não pesquisar,
Convenhamos, é burrice.

Antes de seguir, declaro:
Não sigo nenhum partido.
Já tive decepções,
Meu peito ainda está ferido,
Procuro o menos ruim,
Pro voto não ser perdido.

Mas estranhei ver boatos
Sempre da mesma pessoa,
Não pretendo entrar no mérito
Se ela é ruim ou é boa,
Mas neguei-me entrar no jogo
Desta gente tão à toa.

Vou citar alguns boatos,
Só para demonstração
Das besteiras que ouvi
Nesta última eleição
E o leitor analise
Se não estou com a razão.

Disseram que o governo
Sequestraria o dinheiro
De nossa conta corrente
E poupança por inteiro,
Mas ninguém falava nada
Do candidato mineiro.

Disseram que o governo
Desarmou nosso Brasil,
Para, depois, dar um golpe,
De forma nada sutil,
Instaurando uma ditadura
Neste país varonil.

Disseram que a Presidente
Vai trazer o comunismo,
Desafiando o tempo
Criando um anacronismo,
Talvez reerguendo o muro
De Berlim, quanto cinismo!

Disseram até que o Lula
Esbanjando sua riqueza,
Era o dono da Friboi,
O que cheira a malvadeza,
Pois ele não é tão burro
Disso, todos têm certeza.

Disseram que ele entrou
No ramo imobiliário,
Sendo sócio da Bigucci,
Fazendo todos de otário,
Aplicando nos incautos
Outro conto do vigário.

Por fim, disseram que eles
Mataram aquele doleiro
Que delatou todo o mundo,
No momento derradeiro
Da corrida eleitoral,
Um fato não verdadeiro.

Mas que tirou muitos votos,
Pois o boato correu,
Espalhou-se bem depressa,
Muita gente o remeteu
Aos emails dos amigos,
E o cara não morreu.

Eu achei bastante estranho
Ninguém ter se explicado.
Não me disseram: desculpe,
Pois eu estava errado,
Fica o dito por não dito,
E o caso, encerrado.

Dizem, agora, que o exército
Vai usurpar o poder
Impedindo a sua posse,
É só esperar pra ver,
Falam até mesmo em impeachment,
É fácil se aborrecer.

Espalharam que houve fraude
E vai haver recontagem,
Noticio idiota e frívola,
Uma tremenda bobagem,
Pra embarcar neste barco
Requer-se mais que coragem.

Ninguém falou do Aécio,
Nem no mensalão mineiro,
Dos desvios do metrô,
Aquele grande atoleiro,
E das privatizações
Que não trouxeram dinheiro.

Do fiasco evidente
Da administração
Que levou o seu estado,
A votar por rejeição,
O motivo principal
Da perda da eleição.

Pois culparam os nordestinos,
Esquecendo dos mineiros,
Foi lá que ele perdeu
Junto com os seus parceiros,
A chance de presidir
Os patrícios brasileiros.

Neste instante, os boateiros
Focam, em Valparaiso,
Uma enorme fazenda,
O que chega a causar riso,
'Comprada' pelo Lulinha,
Pois boatar é preciso.

Mas o verdadeiro dono
Não aprovou a piada,
Pois a invasão de tolos,
Em sua nova cruzada,
Buscam encontrar as provas
Desta história mal contada

Vamos criticar, porém,
Com responsabilidade,
Pesquisando o que se ouve,
Mostrando capacidade,
Agindo sem arrogância,
Na base da humildade.

Nosso estado hoje vive
Uma crise sem igual:
Falta até mesmo água,
O resto vai muito mal,
A saúde e a segurança
Mostram desastre total.

Nosso ensino, nem se fala,
Caminhamos para trás;
Comparado ao do passado,
É enganoso e fugaz,
As escolas do estado
Não produzem nenhum ás.

Mas alguém foi reeleito,
Pois ninguém o criticou,
Não falaram nos emails,
Boatos ninguém criou,
Só criticaram um partido
E São Paulo se calou.

Terminada a eleição,
Surge uma explosão de ódio;
Xingamento e agressão,
Tenta-se impedir o pódio,
Colocando os nordestinos
Como a causa do episódio.

Esquecendo que, no Rio,
A Presidente venceu;
Em Minas, terra do homem,
A mesma coisa ocorreu,
Mas o preconceito oculto,
Finalmente apareceu.

Lamento pela patrulha
Que policiou os votos,
Constrangendo os eleitores
Com reportagens e fotos,
Impedindo a liberdade,
E à caça de devotos.

Até onde eu aprendi,
Cada voto é pessoal,
O país é democrático,
Porém é um grande mal
Não aceitar a escolha
Do colégio eleitoral.

Finalmente, eu não nego
As verdades que havia
Nos emails recebidos
(A maior parte, eu não lia,
Pois já estavam estampados
Nos vários jornais do dia).

Eu conheço o mensalão
(Que começou lá em Minas),
Os crimes na Petrobrás,
Entre as pessoas mais finas,
Nossa política externa,
Que Irrita as narinas.

Repetir cada escândalo
Ocorrido com o PT
Além de desnecessário
(Por acaso alguém não vê?),
Parece mais indicado
Ao sujeito que não lê.

Neste caso, eu repito,
Para evitar outro mal,
Quem propaga as notícias
Tem que ser imparcial,
Falar de toda sujeira
Do cenário nacional.

Imaginem quantos votos,
No final, foram roubados
De pessoas indecisas,
Daqueles mal informados,
Com certeza, os boatos
Quase mudam os resultados.

Teve até religioso,
Iludindo o cidadão,
Querendo ditar o voto
Do nosso povo cristão,
Como se ele fosse o dono
Da mente e do coração.

Atitude irresponsável,
Pois colocou evangélicos
Como oposição somente,
Nestes seus discursos bélicos,
Escondendo interesses,
Sujos e maquiavélicos.

Que nosso bondoso Deus
Ilumine os governantes
Dê sabedoria ao povo,
Pra respeitar os mandantes,
E ponha fim aos boatos,
trabalho de meliantes.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

E Quem Fiscaliza a Globo?

Talvez não existam armas
Mais cruéis e mais letais
Do que microfone e câmara,
No ar, lançando sinais,
Capazes de assustar
O mais forte dos mortais.

Seja em tom de brincadeira,
Causando constrangimento,
Ou pegadinhas infames,
Dependendo do momento;
Quem se vê diante delas
Vive um terrível tormento.

Além de causarem Pânico,
Em forma de Telegrama,
Ou transformando em palhaço
Dependendo do Programa,
Desgraçam o pobre coitado
Que escorregar nesta lama.

Existe aquele que cobra,
Mas de jeito desumano,
Constrangendo o faltoso,
Como faz aquele ‘mano’,
Enquanto constroi a imagem
De político herculano.

A Lei devia ser rígida
Para o tal comportamento,
Que transforma em Super Homem,
Quem causa constrangimento,
E humilha o oponente,
Se estiver desatento.

Aquela Rede famosa,
Conhecida como a Globo,
Tem até Fiscal do Povo,
Com arrogância e arrobo,
Cobra das autoridades
E faz qualquer um de bobo.

Logo cedo sob o lema,
Pasmem, de Tudo Anormal,
Como grande justiceira,
Reta, exemplar, leal,
Cobra como se estivesse
Acima do bem e o mal.

E depois inda ameaça
De novo, exibir no ar,
Fazer uma nova ‘visita’
Se, ali, nada mudar,
Em nome da imprensa livre,
Não tem pena de pisar.

Na telinha, encurralados,
Poucos mantêm a postura,
Enfrentar o desafio
É mesmo parada dura,
Enquanto o repórter testa
O seu jogo de cintura.

Embora esteja no título,
Eu vou perguntar de novo,
Pois cansei de ver pessoas
Pisando em casca de ovo,
Ela tem autoridade
Para ser Fiscal do Povo?

Pois ela traz, à família,
Terrível dissolução,
Impondo, em suas novelas,
Nudez e depravação,
Deturpando, em seus enredos,
Os costumes da nação.

Sua força é a novela
Fonte de vício e mais nada,
Audiência obrigatória
De gente desocupada,
Que fica engolindo tudo,
Caindo numa emboscada.

Tais novelas deseducam
E corrompem a juventude,
Ensinam sexo e nudismo,
De forma grosseira e rude,
A moda é o beijo gay,
E a muitos ela ilude.

Além das novelas, tem
O programa do Bial,
O famoso Big Brother,
Mostrado em tempo real,
Vagabundagem e luxúria,
Ao vivo, no seu canal.

Manipulando a nação,
Pôs e depôs Presidente;
Com produções impecáveis,
Faz o que quer com a gente;
Quando é o ano da copa,
Quer ver o Brasil pra frente.

Mas sua realidade
É por o Brasil pra trás,
Cobrar pra esconder seus erros,
Campo em que é bem capaz,
Mas ninguém cobra da Globo,
Todos a deixam em paz.

Apoio a imprensa livre
E sou contrário à censura,
Não quero ver o Brasil
Voltando pra ditadura,
Mas a manipulação,
Para mim, é uma tortura.

Sei que falta compromisso
Em nossas autoridades,
O povo tem que cobrar,
São duas grandes verdades,
Mas a postura da Globo
Exala insinceridades.

Enquanto isso ela cobra,
Como se fosse um lobo
Que assusta o oponente,
Mostrando o seu ar de probo,
Motivo da indagação:
E quem fiscaliza a Globo?

Esta pergunta tão simples
Tem uma fácil resposta:
É quem possui o controle,
E só assiste o que gosta,
Desligando o que não presta,
Essa é a minha proposta.
Alemanha Sete Brasil Um


O Brasil perdeu de sete
(A conta do mentiroso),
Mesmo tendo cinco estrelas
E seu passado garboso,
Só conseguiu fazer um,
Num joguinho horroroso.

É disso que vou falar
E peço que me escutes:
No Mineirão, nosso escrete
Tentou barrar os chucrutes,
Mas nos deixaram ‘de quatro’
Inda sentaram três chutes.

O total de sete gols
Gente sã não imaginava,
A tempestade alemã,
Que, sobre nós, desabava
Parecia, ao nosso escrete,
Ataque de vaca brava.

Filipão emudeceu,
Parreira continuou
Com a cara de babaca,
Da qual jamais se livrou,
E o Murtosa, outro inútil,
Reação não esboçou.

Faltou comando de fora
E também dentro do campo,
Os gols se multiplicavam
Como surto de sarampo,
A total paralisia
Substituiu o trampo.

David Luis, o valente,
Também fora de ação,
Mostrava que andorinha
Sozinha não faz verão,
Perguntava: oh Deus do céu,
Por que tal desolação?

Julio Cesar, o nosso herói,
Vestiu luvas de alface,
Não segurava a bola,
E com sua bela face,
Trocou o riso por lágrimas,
Vendo um gol a cada passe.

Onze 'Brutus' o cercaram,
Sete golpes foram dados,
Nosso 'Imperador' caiu
Sem contar com seus soldados,
Que, de longe, observavam
Mudos e paralisados.

O Marcelo, atordoado,
Vendo se mexer a rede,
Repetia: não fui eu,
Já saciei minha sede,
Só não morreu encostado
Por falta de uma parede.

Bernard, perdido em campo,
Tinha pernas de tristeza,
Colocá-lo nesta fria
Chegou a ser malvadeza,
Este menino de ouro
Não exibiu realeza.

Hulk, o forte conterrâneo,
Numa apatia profunda,
Viu que para este Golias
Não bastava uma grande funda,
Foi sacado do gramado,
Numa atitude imunda.

No gramado, amarelou,
Ao invés de esverdear
E se transformar num monstro
Pronto para esmagar
O ‘fracote’ oponente,
Que tentasse avançar.

Os Três Patetas; Filipe,
Carlos Alberto e Murtosa,
Percebendo a cor do mar
(Vermelha e não cor de rosa),
Tentavam bancar Moisés,
Sem a vara milagrosa.

Escalaram o time mal,
Sem nenhum entrosamento,
Com total insegurança,
Por falta de treinamento,
Deixando que cinco estrelas
Fossem levadas ao vento.

Oscar, parado na frente,
Nem enxergava a bola.
Os chucrutes, ao contrário,
Sem temer mordida ou sola,
Praticavam, livremente,
O que treinaram na escola.

Marcou nosso gol de honra,
Numa atitude isolada,
Mas pouca coisa salvou
De uma equipe estuprada,
Diante de nossa gente,
Aos olhos da criançada.

Fred, múmia paralítica,
Não mudou de atitude,
Continuou uma estátua,
Com defensor no seu grude,
Se a natureza o marcava,
Imagina um beque rude.

Foi sacado quando era
Para nós, tarde demais,
Saiu do campo, quem sabe,
Pra não regressar jamais,
Sua presença no time
Só foi motivo de ais.

O Maicon dançava Thriller,
Cercado de assombração,
Os zumbis que atacavam
Com bela coordenação,
Resgataram a antiga áurea
Do bom guerreiro alemão.

O Dante, não o poeta,
Mas o baiano moderno,
Relembrava a obra clássica,
Reescrevendo o Inferno,
Naquele espaço de tempo,
Que se tornará eterno.

Fernando Rosa, pra nós,
O querido Fernandinho,
Vendo os gaviões malvados
Saqueando o nosso ninho,
Não deu conta do recado,
Jogando quase sozinho.

As entradas de William,
Ramires, também Paulinho
Foi como lançar alguém
Dentro de um torvelinho,
No dia em que o Mineirão
Não passou de um Mineirinho.

Neymar e Tiago Silva
Escaparam do vexame.
Não sei se, dentro do campo,
Passariam no exame,
Ou receberiam ippon
Naquele triste tatame.

Os chucrutes nos deixaram
De quatro, sem piedade,
Nos chutaram inda três vezes,
Com total perversidade,
Sete gols naquele jogo
Que nos deixou na saudade.

Deixaram até mesmo o Klose
Desbancar o Ronaldão,
Num golzinho mixuruca,
Sem graça e sem vibração.
O craque deixou o pódio,
Pra dar vez ao ancião.

O brasileiro, educado,
Não saiu no ponta pé,
Nem mesmo quando a torcida,
Em coro, gritava olé.
Humildemente, rezavam
Pelo fim deste banzé.

Os chucrutes, em delírio,
Mal escondiam o sorriso,
Pois a organização
Superava o improviso.
Dar show não é necessário,
Porém vencer é preciso.

Os Três Patetas, depois,
Falaram em sua defesa,
Explicando o inexplicável,
Sem porem cartas na mesa,
Enquanto o Brasil inteiro
Amargava esta tristeza.

Mas ficou uma lição
Para não ser esquecida,
Perdemos somente um jogo,
Pois, em frente, segue a vida:
Eles permanecem ricos
E nossa gente, falida.

Daqui a mais quatro anos
Tudo volta ao seu começo,
Nosso povo na esperança,
Eles aumentando o preço,
Mas aquele triste jogo,
Dificilmente, eu esqueço.

A ordem é seguir em frente,
Esperar pelo amanhã,
Aguentar a Alemanha
Como tetra campeã,
E crer que nossa torcida,
Com certeza, não foi vã.

Talvez, um dia, o hexa,
Nos dê, o neutro destino.
Eu creio, sou brasileiro;
Eu luto, sou nordestino.
Difícil mesmo é aguentar
Piadinha de argentino.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Manjedoura Sem o Menino Jesus

Carlos Alberto Fernandes da Silva
 
Era uma vez um Monarca,
Num Reino não tão distante,
Conhecido por seu povo
Como um sábio Governante,
Cuja estória teve a ata
De um nobre viajante.
 
Foi este quem propagou
Os fatos deste cordel,
Resumidos nestas linhas
Deste relato fiel,
Feito com o doce sabor
De um destilar de mel.
 
Este nobre viajante
Descreveu cada detalhe,
Que registrei na memória,
Espero que ela não falhe,
Sobre este Reino feliz,
Bem presente neste entalhe.
 
Narrou, o tal viajante,
Que este Rei se preocupava
Em promover grandes festas
Para o povo, que ele amava;
Doze festas, todo ano,
O grande Rei preparava.
 
Entre todas, destacava-se,
Em dezembro, o Natal,
Para o Rei, a preferida,
A maior, a especial,
Motivo de grande empenho
De toda a Casa Real.
 
Além de sinos e músicas,
Mesa farta e muita festa,
Promovia-se a paz
E o fim de toda aresta,
A cidade festejava
Tendo o sábio Rei à testa.
 
Entre os milhões de detalhes,
Um provocava a atenção:
Eram inúmeros presépios
Espalhados na nação,
Presenças obrigatórias
Naquela celebração.
 
No centro da manjedoura,
Entre humildes animais,
O Rei Menino, Jesus,
Sem suas vestes reais,
Dominava o cenário,
Com seus súditos leais.
 
Estes não eram soldados,
Monarcas ou poderosos,
Eram humildes pastores,
Dispostos e corajosos,
Tendo, no alto, com harpas,
Hostes de anjos formosos.
 
Um letreiro com a frase
Do hino celestial,
Traduzia o sentido
Desta festa de Natal:
Glórias a Deus nas alturas
E paz a todo mortal!
 
Por muitos anos a festa
Permaneceu intocável,
Celebrando o nascimento
Deste ser inigualável,
Lembrando o dom divinal
De Deus, nosso Pai amável.
 
Mas algumas ‘mentes férteis’,
Temendo a cruel rotina,
Achando que a velha fórmula
Já cumprira a sua sina,
Modificaram a festa,
Com malícia, na surdina.
 
Introduziram os presentes,
Somente para agradar
A cobiça do comércio,
Mas sem se preocupar
Com aqueles que não tinham
Ouro e prata pra gastar.
 
O Natal, antes alegre,
Agora, tinha a tristeza
Daqueles que não viviam
Na fartura e na riqueza,
Esta mudança na festa
Redundou em malvadeza.
 
Criaram o Papai Noel,
Com um ar de bom velhinho,
Reinando, em lugar de Cristo,
Distribuindo carinho,
Mas injusto com os pobres,
Ausentes do seu carrinho.
 
Criaram a neve e as renas,
Os duendes encantados,
Introduziram os frondosos
Pinheiros iluminados:
O Natal passou a ter
Outros significados.
 
O álcool se propagou,
Mudando a celebração,
Transformando em algazarra
O culto de adoração
Que saudava o Dom de Deus,
Que trouxe a paz e o perdão.
 
De festa religiosa,
Transformou-se em pagã,
Toda a luta do Monarca
Bem cedo, tornou-se vã,
Pois o Natal do comércio
Superou o seu afã.
 
O monarca protestou,
Mostrou sua indignação,
Pôs arautos pelo Reino,
Falou à população,
Mas como voz no deserto,
Soou sua informação.
 
Pouca gente entendeu
O enorme prejuízo
Causado pelas mudanças,
E, apesar do aviso,
Ignoraram o Monarca,
Mostrando falta de siso.
 
O Monarca, muito triste,
Nadando contra a maré,
Passou a se reunir
Com quem possuia fé
No Rei Menino, Jesus,
O Cristo de Nazaré.
 
Continuou dando festas,
Mas no fim de cada ano,
Nos festejos do Natal,
Este sábio Soberano,
Não caia no engodo,
Nem sucumbia ao engano.
 
Pois o Natal se tornara
No único aniversário
Onde o aniversariante,
Fica fora do cenário,
Dando seu lugar às lendas,
Frutos do imaginário.
 
Papai Noel e os presentes,
De apelo comercial,
Afastaram a manjedoura
Dos festejos do Natal,
Com pinheiros e duendes,
Como foco principal.
 
O Rei viveu muitos anos,
Mas perdeu a alegria,
Pois, embora se esforçasse,
Ele nunca conseguia
Trazer de volta o sentido
Daquele grandioso dia.
 
O seu Reino prosperava,
Havia celebração,
Mas esquecia de Cristo
E de sua encarnação,
Desprezando o Dom Divino,
Que nos trouxe a salvação.
 
O tempo passou depressa
Mas deixou pouca mudança
Em relação ao Natal,
Ausente em nossa lembrança;
Papai Noel e os presentes
Atraem adulto e criança.
 
Por isso, nesse cordel,
Desejo a você, amigo,
Um retorno imediato
Àquele Natal antigo,
Da manjedoura, onde Cristo,
No mundo, encontrou abrigo.
 
Onde os anjos proclamaram
No coro celestial,
Glórias a Deus nas Alturas,
De uma forma especial,
E paz a todos os homens,
Neste primeiro Natal!
 
Que o Cristo da manjedoura
Habite em seu coração,
Para que você entenda
O sentido da canção
Entoada pelos anjos,
E desfrute a redenção.
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

60 anos da Igreja Batista Bereana

Ao começar estes versos,
Peço a graça soberana,
Ao Deus que gerou a Igreja
Evangélica Bereana,
Que completa mais um ano
De luta, empenho e gana.

Passados sessenta anos
(Isto com certeza eu lembro),
No ano cinqüenta e um
No nono mês, que é setembro,
Foi gerado um embrião
Que nasceria em dezembro.

Não posso esquecer a data:
Sou de setembro também,
Neste mesmíssimo ano,
Os anjos disseram amém,
Ao surgir mais uma Igreja,
E um ‘paraiba’ de bem.

Mas não vou falar de mim,
Quero falar da Igreja,
Que, hoje, aniversaria
E cuja história enseja
O louvor, deste cordel,
Por sua dura peleja.

Os belos anos cinqüenta
Deixavam a guerra pra traz,
O mundo inteiro ansiava
Por uma vida de paz,
Mas fazer este milagre,
Só Jesus Cristo é capaz.

O Brasil engatinhava
Rumo à industrialização,
São Paulo via crescer
A sua população,
Novos bairros se formavam,
Tudo estava em expansão.

Naquele mês de setembro
De cinqüenta e um, citado,
Um pequeno grande grupo,
Por Deus, muito abençoado,
Escolheu este lugar
Pelo Senhor, preparado.

Era um grupo de mulheres,
Que, reunidas na casa,
Da saudosa irmã Lameira,
Corre muito e não se atrasa,
Lançando a boa semente
Da Igreja de Água Rasa.

Vinte e cinco de dezembro,
Nascia, em pleno Natal,
Mais uma Igreja Batista,
Que, de cara, dá sinal
De que escolhia esta data,
Para ser especial.

O Pastor Harlampio Carlos
Russeff  encabeça a lista,
Onde vinte e oito irmãos
Registram, em ata, a conquista,
De um trabalho pioneiro
Deste grupo idealista.

Nela, a família Lameira
Marca bem sua presença:
Maria, Manoel e Loyde
Lavram o termo de nascença,
Da nova Igreja Batista
Que se ergue, sem detença.

Outra família, a de Paula:
Helio, Mathilde e Nair,
Ana Augusto e Alcíno
(Quem quiser, vá conferir),
Junto a Maria Ferreira,
Ao grupo, veio se unir.

Da família Conejero,
Tinha o irmão Benjamim,
Selina, Pedro e Judite,
E também o Valentim,
Tinha a Maria Ferreira,
Jeremias e Joaquim.

Até hoje, a Igreja
Tem membros desta família,
Que jamais deixaram a casa,
Permaneceram em vigília,
Ornamentando o Templo,
Como uma viva mobília.

O irmão José da Silva,
E a Angela de Oliveira,
Junto com Joana da Silva,
Engrossando a fileira,
Com Gemima Vitorino,
Assinam a ata primeira.

Finalmente, a família
Do Pastor está presente,
Cenyra, Jaime e Pedro
Fazem parte da corrente
Dos que assinaram a ata,
Junto com o presidente.

Tinha, ainda, outro irmão,
Cujo nome se apagou,
Na ata, não está legível,
Mas nosso Deus registrou
Nos livros celestiais,
A honra que conquistou.

Harlampio Carlos Russeff
Foi seu primeiro pastor,
Por seis meses, conduziu,
Com empenho e com fervor,
Este pequeno rebanho,
Nos caminhos do Senhor.

Depois dele, toma posse
Pastor Enoque Medrado,
Ficando só cinco meses,
Não sei o que deu errado,
Tendo assumido o comando,
Um irmão designado.

Pois José Alves Teixeira
Assumiu a presidência,
Orientando o rebanho
Com amor e paciência,
Dirigiu, por cinco anos,
Em caráter de urgência.

Era um evangelista,
Sua mensagem era a Cruz,
Mas, vencendo os obstáculos,
A nova Igreja conduz,
Anunciando a todos,
A salvação de Jesus.

No ano cinqüenta e seis,
Em dezessete de abril,
Ele, enfim, foi ordenado,
Prosseguindo no redil,
Por cerca de mais três anos,
Era um servo varonil.

No ano cinqüenta e nove,
No exato três de maio,
O Pastor Harold Benfraw,
Mais veloz do que um raio,
Fica menos de um ano,
Noutro curtíssimo ensaio.

Outro irmão tomou as rédeas,
Assumindo a direção,
Gilberto Viegas Fernandes,
Não deixa o povo na mão,
Mais tarde, em sessenta e dois,
Recebeu a ordenação.

Pastoreia por três anos,
Saindo em sessenta e cinco,
Período em que trabalhou
Com empenho e com afinco,
Deixando portas abertas
Sem chave, tranca e nem trinco.

Depois de ser ordenado,
No ano sessenta e dois,
Botou a casa em ordem,
Tratou de dar nome aos bois,
Empenhado, não queria
Deixar nada pra depois.

Muda o nome da Igreja,
E outra vez, não se engana,
De Água Rasa ela passa
A se chamar Bereana,
Centrada nas Escrituras,
Contra a cegueira insana.

Depois, Isau Simões
Carvalho, um evangelista,
Por nove meses apenas,
Deixa o seu nome na lista,
Dos líderes que dirigiram
A nova Igreja Batista.

Já o Pastor José Angelo,
Outro servo abençoado,
Saiu em sessenta e nove,
Mas não deixou registrado,
Quando foi que ele entrou,
Não sei quem foi o culpado.

Roberto Pereira Vinha,
Foi outro moderador,
Que dirigiu por dois anos,
Na ausência de um Pastor,
Seu esforço, com certeza,
Merece o nosso louvor.

Ficou de sessenta e nove
Ao ano setenta e um,
A ausência de pastores
Não era um fato incomum,
Muitas igrejas passavam
Por períodos de jejum.

O Pastor Pedro Moreno,
O lugar, não esquentou,
Ficou somente um ano,
Muita saudade deixou,
Setenta a setenta e um
Foi quanto se demorou.

No ano setenta e quatro,
Chega o Pastor Mendes Rosa,
Para ficar, por dois anos,
Com vontade e muita prosa,
Dirigindo uma bela Igreja,
Cada dia, mais ditosa.

Pastor Virgilio Severo,
Fica oito meses somente,
Mas a Igreja não para,
Continua indo em frente,
Esperando que chegasse
Um obreiro permanente.

Foram muitos os pastores
Durante os sessenta anos,
Mas destaco o Pastor Enio,
Que transmitiu seus arcanos,
Desde o tempo de aluno,
Aos discípulos bereanos.

Começa em setenta e sete,
Como um bom evangelista,
Seu trabalho dura um ano
(Não perca a data de vista),
Recebe a consagração,
E continua na crista.

Pastoreia mais dois anos,
Deixando o cargo em noventa,
Ninguém consegue esquecer
O que este homem inventa,
Pois faz boneco falar,
Quando a arte se arrebenta.

Aparecido Pereira,
Pastoreia por dois anos,
Começa em noventa e um,
Mas depois muda os seus planos,
Saindo em noventa e três,
Sem prejuízos ou danos.

Laércio de Paula Souza
Foi o próximo Pastor
Ficou menos de um ano,
Era cheio de fervor,
Saiu em noventa e quatro,
Grande servo do Senhor.

Pastor Salvador Soller
(Dez anos de pastorado),
Deixou firme fundamento,
Num período abençoado,
Faz parte daquele time
Que sempre será lembrado.

Chegou em noventa e quatro
E veio para ficar,
Durante dez longos anos
Pode, colher e plantar
Roseiras com seus espinhos
Num período singular.

Toda esta galeria
De corajosos obreiros,
Que enfrentaram batalhas
Como valentes guerreiros,
Eu queria completar,
Nestes versos derradeiros.

Pois eles trouxeram a esposa,
Juntamente com seus filhos,
Que lutaram, junto aos pais,
Para conduzir, nos trilhos,
A Igreja Bereana,
Superando os empecilhos.

A estes bravos soldados
Rendo, aqui, minha homenagem,
Suplicando, ao nosso Deus,
Fervor, empenho e coragem,
E a unção do Espírito
A toda sua linhagem.

Hoje, é o Pastor Geraldo
Quem está na direção,
Enfrentando as tempestades,
Fugindo da contra mão,
Ministrando o ensino,
Promovendo a comunhão.

Encontrou uma Igreja
Com irregular trajetória,
Pelos seus altos e baixos,
Nesta sua curta história,
Mas, que nunca se esqueceu
De buscar, de Cristo, a glória.

Com o neto Lucas e a Eura,
Ele veio pra ficar,
Acredito que isto é bom,
Pois, se alguém quiser contar,
Vai registrar quase vinte
Obreiros neste lugar.

Mas a obra do Senhor
O Pastor não faz sozinho,
Ele precisa de ajuda,
De apoio e de carinho,
Para conseguir vitórias
Neste espinhoso caminho.

Assim caminha a Igreja,
Com firmeza e segurança,
Sob o Som da Criação,
Com amor, fé e esperança,
E um trabalho que visa
A instrução da criança.

Que a irmã Nilza reúne
Sob os seus caros cuidados,
Já foram cerca de cem,
Com incríveis resultados,
Que engrandecem o Reino,
Com frutos multiplicados.

Toda glória a Jesus Cristo,
E o reconhecimento
A todos que cooperaram
Para que este momento
Fosse, hoje, celebrado,
Com alegria e contento.

Salve a Igreja Batista
De Água Rasa e Bereana,
Que, pela graça de Deus,
Não viu quebrada a sua cana,
E caminha triunfante,
Nesta terra paulistana.

Salve os membros da Igreja,
Corajosos e fiéis,
Que atravessaram as tormentas
E os vagalhões cruéis,
Cumprindo, com galhardia,
Seus importantes papéis.

Ide pelo mundo inteiro
 Ganhar almas para a luz!
  Relembro, aqui, a missão
   Explicada por Jesus;
    Jamais deixem de pregar
     A Mensagem de sua Cruz.

      Bebam da água da fonte
       Examinem as Escrituras,
        Rejeitando as heresias
         Escolhendo águas puras,
          Andando em fé e pureza,
           Não temendo a correnteza,
            Amando o Deus das Alturas.

Corinthians, Outra Vez Campeão

Mais uma vez, o Corinthians
É, do Brasil, campeão,
Exibindo garra e força,
Futebol e coração,
Trazendo muita alegria
À sua grande Nação.

Na verdade, ele é Penta,
Ganhar é sua rotina,
Digo isso pra calar
Quem gosta de, na surdina,
Roubar os seus muitos títulos,
Como urubu na rapina.

Ganhou cinco Brasileiros,
Vinte e seis Estaduais,
Já foi Campeão do Mundo,
É preciso dizer mais?
Quanta dor de cotovelo
Destes seus arquirrivais!

Ele foi Tri Campeão
Da tal Copa do Brasil,
Tetra, da Rio-São Paulo,
Sendo um time varonil,
O seu jogo de cintura
Vence o jogo de quadril.

Pequena Copa do Mundo,
Em plena Venezuela,
No ano cinqüenta e três,
O Timão não amarela,
Destrói seus adversários,
Sem lenço, choro e nem vela.

Levantou Taça em Florença
E venceu Copa em Turim,
Ganhou Torneio na Espanha,
Pode acreditar em mim,
Troféu Apolo, na América,
A coleção não tem fim.

Copa da Feira de Hidalgo,
Troféu Ramón de Carranza,
O Torneio Charles Miller,
E grande destaque alcança,
Vencendo a Copa do Atlântico,
Ainda em nossa lembrança.

Ganhou a Copa São Paulo
E a Copa das Nações,
Mais o Torneio de Santos
E Copa dos Campeões,
Todas Internacionais,
E não meras invenções.

Tem ainda vinte e dois
Torneios Especiais,
Alguns jogados no estado
E outros nacionais,
E quase cinqüenta Taças,
Desbancando os animais.

Pois tem Porco inconformado,
Muito Bambi sem dormir,
Bastante Bagre zangado
Sem querer admitir,
Que negar suas conquistas
É papo pra boi dormir.

Mas já fazia dois anos
Que não erguia uma taça,
E muita gente invejosa,
Com mentira e com trapaça,
Negava as suas conquistas,
Brincadeirinha sem graça.

Muito embora o Timão,
O Campeão deste ano,
Não necessite de título,
Porque reina soberano,
Para mim, a maior honra
É ser um Corintiano.

Dedico, assim, estes versos,
Com muito orgulho no peito,
A todos os invejosos,
Que não enxergam direito;
A todo rival honesto,
Meu mais profundo respeito.