segunda-feira, 14 de julho de 2014

E Quem Fiscaliza a Globo?

Talvez não existam armas
Mais cruéis e mais letais
Do que microfone e câmara,
No ar, lançando sinais,
Capazes de assustar
O mais forte dos mortais.

Seja em tom de brincadeira,
Causando constrangimento,
Ou pegadinhas infames,
Dependendo do momento;
Quem se vê diante delas
Vive um terrível tormento.

Além de causarem Pânico,
Em forma de Telegrama,
Ou transformando em palhaço
Dependendo do Programa,
Desgraçam o pobre coitado
Que escorregar nesta lama.

Existe aquele que cobra,
Mas de jeito desumano,
Constrangendo o faltoso,
Como faz aquele ‘mano’,
Enquanto constroi a imagem
De político herculano.

A Lei devia ser rígida
Para o tal comportamento,
Que transforma em Super Homem,
Quem causa constrangimento,
E humilha o oponente,
Se estiver desatento.

Aquela Rede famosa,
Conhecida como a Globo,
Tem até Fiscal do Povo,
Com arrogância e arrobo,
Cobra das autoridades
E faz qualquer um de bobo.

Logo cedo sob o lema,
Pasmem, de Tudo Anormal,
Como grande justiceira,
Reta, exemplar, leal,
Cobra como se estivesse
Acima do bem e o mal.

E depois inda ameaça
De novo, exibir no ar,
Fazer uma nova ‘visita’
Se, ali, nada mudar,
Em nome da imprensa livre,
Não tem pena de pisar.

Na telinha, encurralados,
Poucos mantêm a postura,
Enfrentar o desafio
É mesmo parada dura,
Enquanto o repórter testa
O seu jogo de cintura.

Embora esteja no título,
Eu vou perguntar de novo,
Pois cansei de ver pessoas
Pisando em casca de ovo,
Ela tem autoridade
Para ser Fiscal do Povo?

Pois ela traz, à família,
Terrível dissolução,
Impondo, em suas novelas,
Nudez e depravação,
Deturpando, em seus enredos,
Os costumes da nação.

Sua força é a novela
Fonte de vício e mais nada,
Audiência obrigatória
De gente desocupada,
Que fica engolindo tudo,
Caindo numa emboscada.

Tais novelas deseducam
E corrompem a juventude,
Ensinam sexo e nudismo,
De forma grosseira e rude,
A moda é o beijo gay,
E a muitos ela ilude.

Além das novelas, tem
O programa do Bial,
O famoso Big Brother,
Mostrado em tempo real,
Vagabundagem e luxúria,
Ao vivo, no seu canal.

Manipulando a nação,
Pôs e depôs Presidente;
Com produções impecáveis,
Faz o que quer com a gente;
Quando é o ano da copa,
Quer ver o Brasil pra frente.

Mas sua realidade
É por o Brasil pra trás,
Cobrar pra esconder seus erros,
Campo em que é bem capaz,
Mas ninguém cobra da Globo,
Todos a deixam em paz.

Apoio a imprensa livre
E sou contrário à censura,
Não quero ver o Brasil
Voltando pra ditadura,
Mas a manipulação,
Para mim, é uma tortura.

Sei que falta compromisso
Em nossas autoridades,
O povo tem que cobrar,
São duas grandes verdades,
Mas a postura da Globo
Exala insinceridades.

Enquanto isso ela cobra,
Como se fosse um lobo
Que assusta o oponente,
Mostrando o seu ar de probo,
Motivo da indagação:
E quem fiscaliza a Globo?

Esta pergunta tão simples
Tem uma fácil resposta:
É quem possui o controle,
E só assiste o que gosta,
Desligando o que não presta,
Essa é a minha proposta.
Alemanha Sete Brasil Um


O Brasil perdeu de sete
(A conta do mentiroso),
Mesmo tendo cinco estrelas
E seu passado garboso,
Só conseguiu fazer um,
Num joguinho horroroso.

É disso que vou falar
E peço que me escutes:
No Mineirão, nosso escrete
Tentou barrar os chucrutes,
Mas nos deixaram ‘de quatro’
Inda sentaram três chutes.

O total de sete gols
Gente sã não imaginava,
A tempestade alemã,
Que, sobre nós, desabava
Parecia, ao nosso escrete,
Ataque de vaca brava.

Filipão emudeceu,
Parreira continuou
Com a cara de babaca,
Da qual jamais se livrou,
E o Murtosa, outro inútil,
Reação não esboçou.

Faltou comando de fora
E também dentro do campo,
Os gols se multiplicavam
Como surto de sarampo,
A total paralisia
Substituiu o trampo.

David Luis, o valente,
Também fora de ação,
Mostrava que andorinha
Sozinha não faz verão,
Perguntava: oh Deus do céu,
Por que tal desolação?

Julio Cesar, o nosso herói,
Vestiu luvas de alface,
Não segurava a bola,
E com sua bela face,
Trocou o riso por lágrimas,
Vendo um gol a cada passe.

Onze 'Brutus' o cercaram,
Sete golpes foram dados,
Nosso 'Imperador' caiu
Sem contar com seus soldados,
Que, de longe, observavam
Mudos e paralisados.

O Marcelo, atordoado,
Vendo se mexer a rede,
Repetia: não fui eu,
Já saciei minha sede,
Só não morreu encostado
Por falta de uma parede.

Bernard, perdido em campo,
Tinha pernas de tristeza,
Colocá-lo nesta fria
Chegou a ser malvadeza,
Este menino de ouro
Não exibiu realeza.

Hulk, o forte conterrâneo,
Numa apatia profunda,
Viu que para este Golias
Não bastava uma grande funda,
Foi sacado do gramado,
Numa atitude imunda.

No gramado, amarelou,
Ao invés de esverdear
E se transformar num monstro
Pronto para esmagar
O ‘fracote’ oponente,
Que tentasse avançar.

Os Três Patetas; Filipe,
Carlos Alberto e Murtosa,
Percebendo a cor do mar
(Vermelha e não cor de rosa),
Tentavam bancar Moisés,
Sem a vara milagrosa.

Escalaram o time mal,
Sem nenhum entrosamento,
Com total insegurança,
Por falta de treinamento,
Deixando que cinco estrelas
Fossem levadas ao vento.

Oscar, parado na frente,
Nem enxergava a bola.
Os chucrutes, ao contrário,
Sem temer mordida ou sola,
Praticavam, livremente,
O que treinaram na escola.

Marcou nosso gol de honra,
Numa atitude isolada,
Mas pouca coisa salvou
De uma equipe estuprada,
Diante de nossa gente,
Aos olhos da criançada.

Fred, múmia paralítica,
Não mudou de atitude,
Continuou uma estátua,
Com defensor no seu grude,
Se a natureza o marcava,
Imagina um beque rude.

Foi sacado quando era
Para nós, tarde demais,
Saiu do campo, quem sabe,
Pra não regressar jamais,
Sua presença no time
Só foi motivo de ais.

O Maicon dançava Thriller,
Cercado de assombração,
Os zumbis que atacavam
Com bela coordenação,
Resgataram a antiga áurea
Do bom guerreiro alemão.

O Dante, não o poeta,
Mas o baiano moderno,
Relembrava a obra clássica,
Reescrevendo o Inferno,
Naquele espaço de tempo,
Que se tornará eterno.

Fernando Rosa, pra nós,
O querido Fernandinho,
Vendo os gaviões malvados
Saqueando o nosso ninho,
Não deu conta do recado,
Jogando quase sozinho.

As entradas de William,
Ramires, também Paulinho
Foi como lançar alguém
Dentro de um torvelinho,
No dia em que o Mineirão
Não passou de um Mineirinho.

Neymar e Tiago Silva
Escaparam do vexame.
Não sei se, dentro do campo,
Passariam no exame,
Ou receberiam ippon
Naquele triste tatame.

Os chucrutes nos deixaram
De quatro, sem piedade,
Nos chutaram inda três vezes,
Com total perversidade,
Sete gols naquele jogo
Que nos deixou na saudade.

Deixaram até mesmo o Klose
Desbancar o Ronaldão,
Num golzinho mixuruca,
Sem graça e sem vibração.
O craque deixou o pódio,
Pra dar vez ao ancião.

O brasileiro, educado,
Não saiu no ponta pé,
Nem mesmo quando a torcida,
Em coro, gritava olé.
Humildemente, rezavam
Pelo fim deste banzé.

Os chucrutes, em delírio,
Mal escondiam o sorriso,
Pois a organização
Superava o improviso.
Dar show não é necessário,
Porém vencer é preciso.

Os Três Patetas, depois,
Falaram em sua defesa,
Explicando o inexplicável,
Sem porem cartas na mesa,
Enquanto o Brasil inteiro
Amargava esta tristeza.

Mas ficou uma lição
Para não ser esquecida,
Perdemos somente um jogo,
Pois, em frente, segue a vida:
Eles permanecem ricos
E nossa gente, falida.

Daqui a mais quatro anos
Tudo volta ao seu começo,
Nosso povo na esperança,
Eles aumentando o preço,
Mas aquele triste jogo,
Dificilmente, eu esqueço.

A ordem é seguir em frente,
Esperar pelo amanhã,
Aguentar a Alemanha
Como tetra campeã,
E crer que nossa torcida,
Com certeza, não foi vã.

Talvez, um dia, o hexa,
Nos dê, o neutro destino.
Eu creio, sou brasileiro;
Eu luto, sou nordestino.
Difícil mesmo é aguentar
Piadinha de argentino.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Manjedoura Sem o Menino Jesus

Carlos Alberto Fernandes da Silva
 
Era uma vez um Monarca,
Num Reino não tão distante,
Conhecido por seu povo
Como um sábio Governante,
Cuja estória teve a ata
De um nobre viajante.
 
Foi este quem propagou
Os fatos deste cordel,
Resumidos nestas linhas
Deste relato fiel,
Feito com o doce sabor
De um destilar de mel.
 
Este nobre viajante
Descreveu cada detalhe,
Que registrei na memória,
Espero que ela não falhe,
Sobre este Reino feliz,
Bem presente neste entalhe.
 
Narrou, o tal viajante,
Que este Rei se preocupava
Em promover grandes festas
Para o povo, que ele amava;
Doze festas, todo ano,
O grande Rei preparava.
 
Entre todas, destacava-se,
Em dezembro, o Natal,
Para o Rei, a preferida,
A maior, a especial,
Motivo de grande empenho
De toda a Casa Real.
 
Além de sinos e músicas,
Mesa farta e muita festa,
Promovia-se a paz
E o fim de toda aresta,
A cidade festejava
Tendo o sábio Rei à testa.
 
Entre os milhões de detalhes,
Um provocava a atenção:
Eram inúmeros presépios
Espalhados na nação,
Presenças obrigatórias
Naquela celebração.
 
No centro da manjedoura,
Entre humildes animais,
O Rei Menino, Jesus,
Sem suas vestes reais,
Dominava o cenário,
Com seus súditos leais.
 
Estes não eram soldados,
Monarcas ou poderosos,
Eram humildes pastores,
Dispostos e corajosos,
Tendo, no alto, com harpas,
Hostes de anjos formosos.
 
Um letreiro com a frase
Do hino celestial,
Traduzia o sentido
Desta festa de Natal:
Glórias a Deus nas alturas
E paz a todo mortal!
 
Por muitos anos a festa
Permaneceu intocável,
Celebrando o nascimento
Deste ser inigualável,
Lembrando o dom divinal
De Deus, nosso Pai amável.
 
Mas algumas ‘mentes férteis’,
Temendo a cruel rotina,
Achando que a velha fórmula
Já cumprira a sua sina,
Modificaram a festa,
Com malícia, na surdina.
 
Introduziram os presentes,
Somente para agradar
A cobiça do comércio,
Mas sem se preocupar
Com aqueles que não tinham
Ouro e prata pra gastar.
 
O Natal, antes alegre,
Agora, tinha a tristeza
Daqueles que não viviam
Na fartura e na riqueza,
Esta mudança na festa
Redundou em malvadeza.
 
Criaram o Papai Noel,
Com um ar de bom velhinho,
Reinando, em lugar de Cristo,
Distribuindo carinho,
Mas injusto com os pobres,
Ausentes do seu carrinho.
 
Criaram a neve e as renas,
Os duendes encantados,
Introduziram os frondosos
Pinheiros iluminados:
O Natal passou a ter
Outros significados.
 
O álcool se propagou,
Mudando a celebração,
Transformando em algazarra
O culto de adoração
Que saudava o Dom de Deus,
Que trouxe a paz e o perdão.
 
De festa religiosa,
Transformou-se em pagã,
Toda a luta do Monarca
Bem cedo, tornou-se vã,
Pois o Natal do comércio
Superou o seu afã.
 
O monarca protestou,
Mostrou sua indignação,
Pôs arautos pelo Reino,
Falou à população,
Mas como voz no deserto,
Soou sua informação.
 
Pouca gente entendeu
O enorme prejuízo
Causado pelas mudanças,
E, apesar do aviso,
Ignoraram o Monarca,
Mostrando falta de siso.
 
O Monarca, muito triste,
Nadando contra a maré,
Passou a se reunir
Com quem possuia fé
No Rei Menino, Jesus,
O Cristo de Nazaré.
 
Continuou dando festas,
Mas no fim de cada ano,
Nos festejos do Natal,
Este sábio Soberano,
Não caia no engodo,
Nem sucumbia ao engano.
 
Pois o Natal se tornara
No único aniversário
Onde o aniversariante,
Fica fora do cenário,
Dando seu lugar às lendas,
Frutos do imaginário.
 
Papai Noel e os presentes,
De apelo comercial,
Afastaram a manjedoura
Dos festejos do Natal,
Com pinheiros e duendes,
Como foco principal.
 
O Rei viveu muitos anos,
Mas perdeu a alegria,
Pois, embora se esforçasse,
Ele nunca conseguia
Trazer de volta o sentido
Daquele grandioso dia.
 
O seu Reino prosperava,
Havia celebração,
Mas esquecia de Cristo
E de sua encarnação,
Desprezando o Dom Divino,
Que nos trouxe a salvação.
 
O tempo passou depressa
Mas deixou pouca mudança
Em relação ao Natal,
Ausente em nossa lembrança;
Papai Noel e os presentes
Atraem adulto e criança.
 
Por isso, nesse cordel,
Desejo a você, amigo,
Um retorno imediato
Àquele Natal antigo,
Da manjedoura, onde Cristo,
No mundo, encontrou abrigo.
 
Onde os anjos proclamaram
No coro celestial,
Glórias a Deus nas Alturas,
De uma forma especial,
E paz a todos os homens,
Neste primeiro Natal!
 
Que o Cristo da manjedoura
Habite em seu coração,
Para que você entenda
O sentido da canção
Entoada pelos anjos,
E desfrute a redenção.
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

60 anos da Igreja Batista Bereana

Ao começar estes versos,
Peço a graça soberana,
Ao Deus que gerou a Igreja
Evangélica Bereana,
Que completa mais um ano
De luta, empenho e gana.

Passados sessenta anos
(Isto com certeza eu lembro),
No ano cinqüenta e um
No nono mês, que é setembro,
Foi gerado um embrião
Que nasceria em dezembro.

Não posso esquecer a data:
Sou de setembro também,
Neste mesmíssimo ano,
Os anjos disseram amém,
Ao surgir mais uma Igreja,
E um ‘paraiba’ de bem.

Mas não vou falar de mim,
Quero falar da Igreja,
Que, hoje, aniversaria
E cuja história enseja
O louvor, deste cordel,
Por sua dura peleja.

Os belos anos cinqüenta
Deixavam a guerra pra traz,
O mundo inteiro ansiava
Por uma vida de paz,
Mas fazer este milagre,
Só Jesus Cristo é capaz.

O Brasil engatinhava
Rumo à industrialização,
São Paulo via crescer
A sua população,
Novos bairros se formavam,
Tudo estava em expansão.

Naquele mês de setembro
De cinqüenta e um, citado,
Um pequeno grande grupo,
Por Deus, muito abençoado,
Escolheu este lugar
Pelo Senhor, preparado.

Era um grupo de mulheres,
Que, reunidas na casa,
Da saudosa irmã Lameira,
Corre muito e não se atrasa,
Lançando a boa semente
Da Igreja de Água Rasa.

Vinte e cinco de dezembro,
Nascia, em pleno Natal,
Mais uma Igreja Batista,
Que, de cara, dá sinal
De que escolhia esta data,
Para ser especial.

O Pastor Harlampio Carlos
Russeff  encabeça a lista,
Onde vinte e oito irmãos
Registram, em ata, a conquista,
De um trabalho pioneiro
Deste grupo idealista.

Nela, a família Lameira
Marca bem sua presença:
Maria, Manoel e Loyde
Lavram o termo de nascença,
Da nova Igreja Batista
Que se ergue, sem detença.

Outra família, a de Paula:
Helio, Mathilde e Nair,
Ana Augusto e Alcíno
(Quem quiser, vá conferir),
Junto a Maria Ferreira,
Ao grupo, veio se unir.

Da família Conejero,
Tinha o irmão Benjamim,
Selina, Pedro e Judite,
E também o Valentim,
Tinha a Maria Ferreira,
Jeremias e Joaquim.

Até hoje, a Igreja
Tem membros desta família,
Que jamais deixaram a casa,
Permaneceram em vigília,
Ornamentando o Templo,
Como uma viva mobília.

O irmão José da Silva,
E a Angela de Oliveira,
Junto com Joana da Silva,
Engrossando a fileira,
Com Gemima Vitorino,
Assinam a ata primeira.

Finalmente, a família
Do Pastor está presente,
Cenyra, Jaime e Pedro
Fazem parte da corrente
Dos que assinaram a ata,
Junto com o presidente.

Tinha, ainda, outro irmão,
Cujo nome se apagou,
Na ata, não está legível,
Mas nosso Deus registrou
Nos livros celestiais,
A honra que conquistou.

Harlampio Carlos Russeff
Foi seu primeiro pastor,
Por seis meses, conduziu,
Com empenho e com fervor,
Este pequeno rebanho,
Nos caminhos do Senhor.

Depois dele, toma posse
Pastor Enoque Medrado,
Ficando só cinco meses,
Não sei o que deu errado,
Tendo assumido o comando,
Um irmão designado.

Pois José Alves Teixeira
Assumiu a presidência,
Orientando o rebanho
Com amor e paciência,
Dirigiu, por cinco anos,
Em caráter de urgência.

Era um evangelista,
Sua mensagem era a Cruz,
Mas, vencendo os obstáculos,
A nova Igreja conduz,
Anunciando a todos,
A salvação de Jesus.

No ano cinqüenta e seis,
Em dezessete de abril,
Ele, enfim, foi ordenado,
Prosseguindo no redil,
Por cerca de mais três anos,
Era um servo varonil.

No ano cinqüenta e nove,
No exato três de maio,
O Pastor Harold Benfraw,
Mais veloz do que um raio,
Fica menos de um ano,
Noutro curtíssimo ensaio.

Outro irmão tomou as rédeas,
Assumindo a direção,
Gilberto Viegas Fernandes,
Não deixa o povo na mão,
Mais tarde, em sessenta e dois,
Recebeu a ordenação.

Pastoreia por três anos,
Saindo em sessenta e cinco,
Período em que trabalhou
Com empenho e com afinco,
Deixando portas abertas
Sem chave, tranca e nem trinco.

Depois de ser ordenado,
No ano sessenta e dois,
Botou a casa em ordem,
Tratou de dar nome aos bois,
Empenhado, não queria
Deixar nada pra depois.

Muda o nome da Igreja,
E outra vez, não se engana,
De Água Rasa ela passa
A se chamar Bereana,
Centrada nas Escrituras,
Contra a cegueira insana.

Depois, Isau Simões
Carvalho, um evangelista,
Por nove meses apenas,
Deixa o seu nome na lista,
Dos líderes que dirigiram
A nova Igreja Batista.

Já o Pastor José Angelo,
Outro servo abençoado,
Saiu em sessenta e nove,
Mas não deixou registrado,
Quando foi que ele entrou,
Não sei quem foi o culpado.

Roberto Pereira Vinha,
Foi outro moderador,
Que dirigiu por dois anos,
Na ausência de um Pastor,
Seu esforço, com certeza,
Merece o nosso louvor.

Ficou de sessenta e nove
Ao ano setenta e um,
A ausência de pastores
Não era um fato incomum,
Muitas igrejas passavam
Por períodos de jejum.

O Pastor Pedro Moreno,
O lugar, não esquentou,
Ficou somente um ano,
Muita saudade deixou,
Setenta a setenta e um
Foi quanto se demorou.

No ano setenta e quatro,
Chega o Pastor Mendes Rosa,
Para ficar, por dois anos,
Com vontade e muita prosa,
Dirigindo uma bela Igreja,
Cada dia, mais ditosa.

Pastor Virgilio Severo,
Fica oito meses somente,
Mas a Igreja não para,
Continua indo em frente,
Esperando que chegasse
Um obreiro permanente.

Foram muitos os pastores
Durante os sessenta anos,
Mas destaco o Pastor Enio,
Que transmitiu seus arcanos,
Desde o tempo de aluno,
Aos discípulos bereanos.

Começa em setenta e sete,
Como um bom evangelista,
Seu trabalho dura um ano
(Não perca a data de vista),
Recebe a consagração,
E continua na crista.

Pastoreia mais dois anos,
Deixando o cargo em noventa,
Ninguém consegue esquecer
O que este homem inventa,
Pois faz boneco falar,
Quando a arte se arrebenta.

Aparecido Pereira,
Pastoreia por dois anos,
Começa em noventa e um,
Mas depois muda os seus planos,
Saindo em noventa e três,
Sem prejuízos ou danos.

Laércio de Paula Souza
Foi o próximo Pastor
Ficou menos de um ano,
Era cheio de fervor,
Saiu em noventa e quatro,
Grande servo do Senhor.

Pastor Salvador Soller
(Dez anos de pastorado),
Deixou firme fundamento,
Num período abençoado,
Faz parte daquele time
Que sempre será lembrado.

Chegou em noventa e quatro
E veio para ficar,
Durante dez longos anos
Pode, colher e plantar
Roseiras com seus espinhos
Num período singular.

Toda esta galeria
De corajosos obreiros,
Que enfrentaram batalhas
Como valentes guerreiros,
Eu queria completar,
Nestes versos derradeiros.

Pois eles trouxeram a esposa,
Juntamente com seus filhos,
Que lutaram, junto aos pais,
Para conduzir, nos trilhos,
A Igreja Bereana,
Superando os empecilhos.

A estes bravos soldados
Rendo, aqui, minha homenagem,
Suplicando, ao nosso Deus,
Fervor, empenho e coragem,
E a unção do Espírito
A toda sua linhagem.

Hoje, é o Pastor Geraldo
Quem está na direção,
Enfrentando as tempestades,
Fugindo da contra mão,
Ministrando o ensino,
Promovendo a comunhão.

Encontrou uma Igreja
Com irregular trajetória,
Pelos seus altos e baixos,
Nesta sua curta história,
Mas, que nunca se esqueceu
De buscar, de Cristo, a glória.

Com o neto Lucas e a Eura,
Ele veio pra ficar,
Acredito que isto é bom,
Pois, se alguém quiser contar,
Vai registrar quase vinte
Obreiros neste lugar.

Mas a obra do Senhor
O Pastor não faz sozinho,
Ele precisa de ajuda,
De apoio e de carinho,
Para conseguir vitórias
Neste espinhoso caminho.

Assim caminha a Igreja,
Com firmeza e segurança,
Sob o Som da Criação,
Com amor, fé e esperança,
E um trabalho que visa
A instrução da criança.

Que a irmã Nilza reúne
Sob os seus caros cuidados,
Já foram cerca de cem,
Com incríveis resultados,
Que engrandecem o Reino,
Com frutos multiplicados.

Toda glória a Jesus Cristo,
E o reconhecimento
A todos que cooperaram
Para que este momento
Fosse, hoje, celebrado,
Com alegria e contento.

Salve a Igreja Batista
De Água Rasa e Bereana,
Que, pela graça de Deus,
Não viu quebrada a sua cana,
E caminha triunfante,
Nesta terra paulistana.

Salve os membros da Igreja,
Corajosos e fiéis,
Que atravessaram as tormentas
E os vagalhões cruéis,
Cumprindo, com galhardia,
Seus importantes papéis.

Ide pelo mundo inteiro
 Ganhar almas para a luz!
  Relembro, aqui, a missão
   Explicada por Jesus;
    Jamais deixem de pregar
     A Mensagem de sua Cruz.

      Bebam da água da fonte
       Examinem as Escrituras,
        Rejeitando as heresias
         Escolhendo águas puras,
          Andando em fé e pureza,
           Não temendo a correnteza,
            Amando o Deus das Alturas.

Corinthians, Outra Vez Campeão

Mais uma vez, o Corinthians
É, do Brasil, campeão,
Exibindo garra e força,
Futebol e coração,
Trazendo muita alegria
À sua grande Nação.

Na verdade, ele é Penta,
Ganhar é sua rotina,
Digo isso pra calar
Quem gosta de, na surdina,
Roubar os seus muitos títulos,
Como urubu na rapina.

Ganhou cinco Brasileiros,
Vinte e seis Estaduais,
Já foi Campeão do Mundo,
É preciso dizer mais?
Quanta dor de cotovelo
Destes seus arquirrivais!

Ele foi Tri Campeão
Da tal Copa do Brasil,
Tetra, da Rio-São Paulo,
Sendo um time varonil,
O seu jogo de cintura
Vence o jogo de quadril.

Pequena Copa do Mundo,
Em plena Venezuela,
No ano cinqüenta e três,
O Timão não amarela,
Destrói seus adversários,
Sem lenço, choro e nem vela.

Levantou Taça em Florença
E venceu Copa em Turim,
Ganhou Torneio na Espanha,
Pode acreditar em mim,
Troféu Apolo, na América,
A coleção não tem fim.

Copa da Feira de Hidalgo,
Troféu Ramón de Carranza,
O Torneio Charles Miller,
E grande destaque alcança,
Vencendo a Copa do Atlântico,
Ainda em nossa lembrança.

Ganhou a Copa São Paulo
E a Copa das Nações,
Mais o Torneio de Santos
E Copa dos Campeões,
Todas Internacionais,
E não meras invenções.

Tem ainda vinte e dois
Torneios Especiais,
Alguns jogados no estado
E outros nacionais,
E quase cinqüenta Taças,
Desbancando os animais.

Pois tem Porco inconformado,
Muito Bambi sem dormir,
Bastante Bagre zangado
Sem querer admitir,
Que negar suas conquistas
É papo pra boi dormir.

Mas já fazia dois anos
Que não erguia uma taça,
E muita gente invejosa,
Com mentira e com trapaça,
Negava as suas conquistas,
Brincadeirinha sem graça.

Muito embora o Timão,
O Campeão deste ano,
Não necessite de título,
Porque reina soberano,
Para mim, a maior honra
É ser um Corintiano.

Dedico, assim, estes versos,
Com muito orgulho no peito,
A todos os invejosos,
Que não enxergam direito;
A todo rival honesto,
Meu mais profundo respeito.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Pastor Renê

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Ao começar estes versos,
Eu rogo a graça divina
(Costume dos cordelistas,
Que não chega a ser rotina),
E a luz de nosso Deus,
Que inspira e ilumina.

Pois quero homenagear
Um aniversariante,
Que não parou no caminho,
Mas prosseguiu adiante,
Mostrando, na caminhada,
A coragem de um gigante.

Falo de Renê Feitosa,
Pastor, professor, obreiro,
Que chega aos noventa anos,
Saudável, lúcido, inteiro,
Recebendo as honrarias
Como um Velho Guerreiro.

Alguém disse e eu concordo
E, nesses versos, repito,
Porque, além de verdade,
É um conceito bonito,
A respeito da grandeza,
Que, humildemente, admito.

Alguns homens nascem grandes,
Outros conquistam a grandeza
Porém outros receberam
(E disso, tenho certeza),
Uma missão grandiosa,
Que lhe conferiu nobreza.

Paulo, nosso grande Apóstolo,
Disse, mostrando fervor,
Que a sua capacidade,
Vinha das mãos do Senhor,
A quem prestamos a honra,
A majestade e o louvor.

Pois pela graça de Deus,
No dia doze de agosto,
Do ano de vinte e um,
Nasceu, sentindo o gosto
De ser filho primogênito,
Galgando o primeiro posto.

Antes dele Galileu,
Morreu ainda criança,
Deixando uma enorme dor
E uma eterna lembrança,
A vinda do Renezinho
Trazia uma nova esperança.

Filho de pai militar
Que lhe ensinou disciplina,
Patriotismo e dever,
Tudo o que não mais se ensina,
Seguir os passos do pai,
Tornou-se, então sua sina.

Sua mãe, sempre exalando
Atitudes amorosas,
Para criar os seis filhos,
Não viveu num mar de rosas,
Mas Deus tinha reservado
Surpresas maravilhosas.

Manoel Conrado Feitosa
Encontrou-se com o Senhor,
Que mudou seu coração,
Dando-lhe fé e amor,
Viveu com dedicação,
Temor a Deus e fervor.

A sua esposa, Otavia,
Acompanhou o marido,
Teve um encontro com Cristo,
E o seu dever cumprido
Na conversão de seus filhos,
Um favor imerecido.

Adalberto e Moacir,
Rômulo, Odete e  Naor
Foram os outros cinco filhos,
E os frutos deste amor,
Três dos varões abraçaram
A vocação de Pastor.

Remulo viveu alguns meses,
Deixando recordação,
Ficou, pra sempre, guardado
Na mente e no coração,
Seria, nesta família,
Mais um querido irmão.

Teve a Terezinha e a Débora,
As irmãs desconhecidas,
Pois, bem cedo, o Senhor
Recolheu as suas vidas,
Deixando uma grande saudade,
Depois de suas partidas.

Embora de Curitiba,
Veio para Aquidauana,
Onde conheceu uma moça,
Bela, charmosa e bacana,
O coração bate forte
E o rapaz não se engana.

Casam-se no mês de maio
Exatamente em quarenta,
Nos braços de Idelguita,
A solidão, afugenta,
Pois formar uma família,
O jovem casal intenta.

Vieram os filhos: Reuel,
Uziel e Idelzora,
Sonja, Loíde, Jeziel,
Pois a mãe e protetora,
Na faculdade da vida
Foi mais que uma doutora.

No ano cinqüenta e um,
Termina a Teologia,
Que a partir de então,
Segue em sua companhia,
Pois ministra a Sistemática,
Com amor e euforia.

E, no Rio de Janeiro,
Lugar onde se formou,
Pastoreia por seis anos,
Na cidade que marcou
Grande parte de sua vida,
Pelo tempo que morou.

Depois, segue pra Goiânia,
Debaixo da direção
Do Deus Senhor da Seara,
Promovendo a fundação
Da IV Igreja Batista,
Que guarda no coração.

Por seis anos e oito meses,
Dedicou-se ao pastoreio
Daquele amado rebanho,
Com amor e sem receio
Das investidas malignas,
Jesus foi o seu esteio.

Volta ao Rio de Janeiro,
Desta vez, para Queimados,
O rebanho precisava,
Urgente, de seus cuidados,
Neste tempo conviveu
Com muitos irmãos amados.

Vai para Belo Horizonte,
A Igreja de Carlos Prates
Pedia a sua assistência
E direção nos combates
Que travava pelas vidas
Que aguardavam resgates.

Por este tempo, o Espírito
Sacudia o país,
Despertando as igrejas,
Período bom e feliz,
Um seminário surgia,
Brotava uma nova raiz.

Ele assume a direção,
Formando muitos pastores,
Dispostos ao sacrifício,
Necessidades e dores
E, pela obra de Deus,
Explodindo de amores.

O STEB, que ensinava
A Palavra com unção,
Formou milhares de jovens
Que tinham uma vocação,
E aprenderam com ele
O valor da oração.

Eu estive entre os alunos
Que beberam desta fonte,
Das mensagens e das aulas,
No Belíssimo Horizonte,
Tal qual os Doze Discípulos,
Ouvindo o Sermão do Monte.

Longe dele, os alunos
(Faço aqui uma confissão),
Não lhe chamavam Pastor,
Professor ou Capitão,
Entre os colegas, ele era,
Simplesmente, Renezão.

Que me ensinou Teologia,
E me fez seu assistente,
Ato que jamais esqueço
Porque me deixou contente,
Após trinta e sete anos,
Continuo no batente.

Cumprida a sua tarefa,
Ele assume a direção
Da gloriosa ESMI,
Escola com a missão
De formar missionários
Para a evangelização.

Sendo um bom professor
E organizador nato,
Ele arregaça a manga
E cumpre bem o mandato,
Plantando os fundamentos,
Trabalho sério e sensato.

Centenas de pregadores
Desta escola de missões,
Espalhados pelo mundo,
Em diferentes nações,
Praticam o que aprenderam
Nas suas ricas lições.

Dá preciosa ajuda
Ao filho, Pastor Reuel,
Travando lutas com Deus,
Na obra de Peniel,
Uma vez mais, demonstrando
Ser um obreiro fiel.

Vê esta obra crescendo,
Ultrapassando fronteiras,
Propagando-se, também,
Nestas terras brasileiras,
Resgatando os oprimidos
E aumentando as fileiras.

Em Salvador, na Bahia,
Surge um novo desafio,
Pois a Igreja Batista,
Com seu púlpito vazio,
Convida-o e ele assume,
Fugir não é seu feitio.

Depois disto, ele aceita
Um convite especial,
Indo além das fronteiras
Do cenário nacional,
Vai aos Estados Unidos,
Seguindo um novo ideal.

E durante onze anos,
Cumprindo o seu ministério,
Realiza o seu trabalho
Árduo, espinhoso e sério,
Pastorear é seu dom,
Exercido sem mistério.

Aos oitenta e oito anos,
Aceita ser o Pastor
Da Igreja em Campo Grande,
Com a mesma garra e amor,
Que tinha na juventude,
Pois não lhe falta o fervor.

Sem a esposa Idelguita,
Que encerrou a carreira,
Mãe amável e exemplar,
Mais que fiel companheira,
Pastor Renê continua
Com a família na esteira.

Completa noventa anos,
Com garra, empenho e vigor,
Tendo, do pai, a firmeza;
De sua mãe, o amor;
De Cristo, a força e a vitória;
E do Espírito, o ardor.

Louvo a Deus, o Grande Oleiro,
Que, usando o barro, formou
Este vaso escolhido,
A quem, um dia, chamou
E deu vitória em todas
As lutas que enfrentou.




Rendo, assim, minha homenagem,
 Escrita neste cordel,
  Nas linhas desses meus versos,
   Esperando ser fiel.

    Falo em nome da família
     E dos amigos presentes,
      Incluindo as ovelhas,
       Todos estamos contentes;
        Obrigado, Pastorzão,
         Sua vida e sua missão
          Ainda geram sementes.