sábado, 28 de maio de 2011

O Político

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Falar de nossa política,
No contexto atual,
É abrir uma caixa preta,
Que nos causa muito mal:
Todos já conhecem as causas
Do desastre nacional.

Elas são a falcatrua,
Propina e corrupção,
A impunidade que mina
A fé do bom cidadão,
E destroi os alicerces
Morais de nossa Nação.

O político brasileiro
É um ser incomparável:
Ímpar, único, sem igual
E um tipo admirável,
No mundo não existe outro,
Ele é inigualável.

Refiro-me aos desonestos,
Sei que existe a exceção,
Para quem peço desculpas,
Por esta dissertação,
Dedicada aos dedicados
Ao roubo e corrupção.

Mas vou fazer um esforço
Na busca de analogia,
Para que esta abordagem
Não fique morna e nem fria,
Na descrição do político,
Nas linhas dessa poesia.

Primeiro, vou comparar
O político ao cidadão,
Que paga os seus impostos,
Tem amor pela nação,
Está debaixo da Lei,
Vai preso, se for ladrão.

A diferença é grande
Vivem em dois universos,
Para o cidadão, há regras,
Mas, declaro nesses versos,
Não se aplicam ao político,
Os exemplos são diversos.

Para os erros do político,
Há sempre uma explicação,
Os amigos escondem as provas
E dão absolvição,
Bem diferente é a vida
De um simples cidadão.

Ele é preso sem sentença
E, às vezes, até apanha,
Na frente do Delegado,
Não adianta barganha,
O promotor desce a lenha
E o Juiz não se acanha.

Eu já vi uma mãe presa
Por ousar subtrair
O leite para os seus filhos,
Depois de, em vão, pedir,
Por não ter grandes amigos,
Ninguém tentou impedir.

Político é até filmado
Guardando o fruto do furto,
Depois vai fazer discurso
Pra reforçar o seu surto,
É livre por faltar provas,
Num julgamento bem curto.

Se o cidadão tomar
Algo que não seja seu,
Vai responder por seu ato,
Por ser um simples plebeu,
É chamado de ladrão,
Pois, não leu e o pau comeu.

Já o político recebe
A propina e o suborno,
É muito mais infiel
Do que esposa de corno,
Não é roubo, é desvio,
Pra mim, pão do mesmo forno.

O cidadão ouve a crítica
E pensa nela, calado,
Mas se criticam o político,
Este chama o advogado,
Não importa a verdade,
O cidadão é o culpado.

Delito do cidadão
Desonra a sociedade,
Que castiga o faltoso,
Sem nenhuma piedade,
É exceção, e se trata
Com imparcialidade.

O político protege
Os membros do seu partido,
Quando é questionado,
Finge de desentendido,
Aquilo que cheira mal
Fica muito mais fedido.

Político honesto existe,
Mas é raça em extinção,
Banalizaram seus erros,
Desvios, corrupção,
Hoje, merece medalha
Aquele que não é ladrão.

O cidadão paga impostos,
Sem ver sua aplicação,
Isso o político vê,
Na sua apropriação
Indébita, pois não se importa
Com a desgraça da nação.

É difícil imaginar
Quantas casas populares,
Podiam ser construídas,
Com os centros escolares,
Se não houvesse corruptos
Na política, entre seus pares.

Depois, comparo também
O político à prostituta,
Que, para os íntimos pode,
Ser chamada só de puta,
A mais velha profissão,
Por isso, ainda uma labuta.

O político e a prostituta
São, às vezes, parecidos:
Os objetos que dão,
Na verdade, são vendidos,
Eles cobram para dar,
Os verbos estão distorcidos.

Político faz caridade
Sem mexer no seu dinheiro,
Sua campanha é paga
Por algum interesseiro,
Depois ele esfola o povo,
Agindo como um açougueiro.

Ela vende o seu corpo,
Ele vende a sua alma,
Esquecendo da moral,
Enfrentam, com muita calma,
A perda da consciência,
Sem conflito e sem trauma.

Ambos atraem o cliente
Chamando sua atenção,
Ela exibe o seu corpo,
Ele, seu plano de ação,
Na garra de ambos, cai
O incauto cidadão.

Pois não percebe que eles
São grandes interesseiros,
Não têm amor para dar,
Em nada são verdadeiros,
Só pensam em se aproveitar
Dos ingênuos brasileiros.

Ela estranha no começo,
Mas, depois, se acostuma,
O político, em pouco tempo,
Belas desculpas, arruma,
Aprende a não deixar pista
Ou fazer com que ela suma.

Falando com um amigo
Sobre esta comparação,
Ele me lembrou que elas
Tem filhos com posição,
Em Brasília, mas não quero
Fazer esta citação.

Entretanto, há diferenças
Que precisam ser lembradas,
Muito embora as atitudes
Não possam ser aprovadas,
A prostituta, às vezes,
Tem as razões explicadas.

Pois muitas levam esta vida,
Por falta de opção,
Tendo que vender o corpo
Para ganhar o seu pão,
O político vende a alma
Por gostar de ser ladrão.

Pois todos têm bom salário,
Prêmios, extras, mordomia,
Tem carro com motorista
E verba pra moradia,
Rouba por não ter vergonha
Na calada noite fria.

Ela vende o que é dela,
Ele pega o que é da gente,
Ela é muito humilhada,
Ele é todo prepotente,
Ela se sente excluída,
Ele se acha decente.

Elas não querem que as filhas
Tenham a mesma profissão,
Eles transmitem aos herdeiros
Essa triste vocação,
E deixam belas raposas
Na linha de sucessão.

A sociedade está
À mercê dos dominantes,
Que usam os cargos públicos
Como grandes meliantes,
A Revolução Francesa
Pertence a tempos distantes.

É claro, ninguém esquece
Que guilhotina é passado,
A justiça hoje se faz
De modo civilizado,
Com a lei e com o voto,
De um povo preparado.

Não acho que é o político
Que vai mudar a nação,
É a consciência do povo,
E uma nova educação,
O correto uso do voto,
A justiça e a punição.

Político fala em Deus,
Mas esquece sua justiça,
Ataca o erário público
Como urubu, a carniça,
Esquece que vai dar conta
Por sua grande cobiça.

Pois aprenderam a viver
Sem temer um julgamento,
Na base da impunidade,
E sem arrependimento,
Perante o Juiz Eterno,
Não vai haver livramento.

Peço a Deus pelo Brasil
E a grande crise moral,
Que assola nossa pátria,
Nesse tempo atual,
E agradeço aos honestos,
Para quem, peço o aval.

A Simon e a Suplicy,
Que não constroem castelo,
Teotônio e Ulisses,
Com currículo nobre e belo,
E todo político honesto,
Ausente deste libelo.

Aos que querem uma mudança
Na política nacional,
E resistem à tentação
Do suborno e todo mal,
Dos que acham a falcatrua
Coisa correta e normal.

Pois, se não houver mudança
Na moral desta nação,
Com os níveis que atinge,
Hoje, a corrupção,
Vai faltar cadeia e espaço
Pra botar tanto ladrão.



O Político Antes e Depois da Eleição

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Ele nem parece gente,
Tá mais pra camaleão,
Vira outro em segundos,
Conforme a situação,
É assim nosso político,
Antes e após a eleição.

É o homem das mil faces,
Duas caras, bipolar,
Muda de comportamento
De acordo com o lugar,
Merecia até um Oscar,
Pelo modo de atuar.

É o Médico e o Monstro
Também a Bela e a Fera,
O Conde e o Vampiro,
O Santo e a Megera,
Ele é, ao mesmo tempo,
O Cordeiro e a Pantera.

Pois, em tempo de eleição
Ele é uma pessoa,
Gentil, meigo, dedicado,
Trabalhador, gente boa,
Depois, irreconhecível,
É o monstro da lagoa.

Quando é tempo de eleição,
Ele está em todo lado,
Vai à rua, faz comício,
É facilmente encontrado,
Quando ganha, evapora-se,
E, logo, fica encantado.

Antes da eleição, sorrisos,
Abraço e aperto de mão,
Promete mundos e fundos,
Tem um grande coração,
Do pobre e necessitado,
Ele é a salvação.

Mas depois das eleições,
Foge léguas dos mais pobres,
Seu olhar é para os ricos,
Os poderosos e nobres,
Só pensa em falcatruas
E embolsar mais uns cobres.

Antes da eleição, promessas
De hospitais e de escolas,
Transporte e moradias
Saturam nossas cacholas,
Eles distribuem presentes,
Comprando voto com esmolas.

Após a eleição, sumiço,
Não falam com mais ninguém,
Já tratam o eleitorado
Com desprezo e desdém,
São tão vis que até esquecem
A outra eleição que vem.

Antes da eleição, humildes,
Gente do povo, operários,
Acostumados com a luta
Por direitos e salários,
Para dar vez a seu povo,
Enfrentam os adversários.

Depois, só querem o luxo,
Sem costumes suburbanos,
Torrar verbas do erário,
Fumar charutos cubanos,
E concorrer ao Nobel
Pelos direitos humanos.

Antes da eleição, sua vida,
Ao povo, é dedicada,
Mas, após, sua fortuna,
Depressa, é multiplicada,
É como uma loteria:
Dinheiro sem fazer nada.

Basta ver a progressão
Da riqueza do político,
Que, enquanto o povo vive
Com um salário raquítico,
Ele constrói seus castelos,
Como outro Midas mítico.

Antes da eleição, tem planos
Para as crianças de rua,
Comida para a faminta,
Roupa para a que está nua,
Parecem até uma fada,
Em pleno mundo da lua.

Depois, a realidade:
Está faltando dinheiro,
Para eles nunca falta,
Seu aumento sai primeiro,
Para agir em causa própria,
Esse grupo é bem ligeiro.

Antes da eleição, trabalho,
Esforço e dedicação,
Cada um deles promete
Ser operário padrão,
Pois eles vão carregar,
Nas costas, toda a nação.

Depois, a vida é viagem,
Passeios e mordomia,
Compromissos sociais
E coquetéis, todo dia,
Sem falar nos companheiros
Tomando o trem da alegria.

Na campanha, os problemas
Tinham uma solução,
Dizia que aos demais
Faltava imaginação,
Ele é o próprio messias
E o dono da razão.

Depois de eleito, que nada,
O problema é mundial,
E a crise financeira
Está longe do final,
Desemprego em todo canto
É uma coisa normal.

Antes da eleição, família,
Vive com a esposa e filhos,
Depois, papéis de divórcio,
Pois a vida sai dos trilhos,
Ele arranja uma mais nova,
Não existem empecilhos.

Combate à corrupção,
Até parece piada,
Mas tem sido uma bandeira,
Antes da hora marcada,
Fazem cara de honestos,
Empenhados na cruzada.

Depois que assumem o poder,
Vem o tal do mensalão,
Dinheiro dentro da meia,
Na cueca e no blusão,
Pior é conversa mole
Na hora da explicação.

Durante a campanha, impostos
Pesados têm que acabar,
Essa carga tributária
Já não tem onde arrochar,
Uma reforma é a resposta,
Para o leão acalmar.

Depois, tudo é tão difícil,
A culpa está com os partidos,
Não dá para controlá-los,
São muitos e desunidos,
E os nossos cidadãos
Continuam empobrecidos.

Antes da eleição, visitas
Aos problemas da cidade,
Lugar onde há enchentes,
E grandes necessidades,
Indicando soluções,
Mostrando capacidade.

Depois, jamais aparecem
Nos lugares visitados,
Fingindo esquecimento,
Mandam os subordinados,
Sabem que, se aparecerem,
Na certa, serão vaiados.

Na campanha, educados,
Com bons modos, sorridentes,
Cara de felicidade,
Mostrando todos os dentes,
Tentam passar para o povo
Que são pessoas decentes.

Depois, é só cara feia,
Quando fingem trabalhar,
Tratam mal delegações
Que tentam negociar,
Jogam cavalo em grevista,
A quem gostam de humilhar.

Antes da eleição, os velhos,
Vão receber, de direito,
Boa aposentadoria,
Sem descontos, com respeito,
As promessas correm soltas,
De presidente a Prefeito.

Depois, coitados dos velhos
Da fila do INSS,
Que por sinal, cada ano,
Mais engrossa e mais cresce,
E outra vez enganado,
O aposentado padece.

Eles falam em compromisso,
Mas antes da eleição,
Mostram plano de governo,
Projetos pro cidadão,
Visitam clubes e igrejas,
Com amor e devoção.

Depois, a conveniência
Fala sozinha e bem alto,
Voltam-se contra o eleitor,
Cada ato e um assalto,
E quem votou nele passa
A viver de sobressalto.

Antes da eleição, eu sei,
São honestos e decentes,
Capazes, idealistas,
Patriotas, coerentes,
Só depois, mostram a cara
E tiram o sono da gente.

Eles são super herois
Em qualquer situação,
Antes da eleição, parecem
O Super Homem em ação,
Depois, o Homem Invisível,
Em toda a sua gestão.

O desemprego assola,
Não existe segurança,
As ruas estão lotadas
De pedinte e criança,
E o povo brasileiro,
Padece sem esperança.

Enquanto isso, Sarney
Dá as ordens no Congresso,
O PT do mensalão
Contabiliza progresso,
E o nosso Presidente
Colhe os louros do sucesso.

Para a próxima eleição,
Temos a Dilma e o Serra,
A terrorista e o vampiro,
Que vão travar uma guerra
Pelo voto do eleitor,
Coitada de nossa terra!

E tudo que foi mostrado,
Na certa, vão repetir,
Na hora que, com mentiras,
Nossos votos vão pedir,
Em outra tragicomédia,
Que nos faz chorar e rir.

É difícil digerir
Toda essa gororoba,
Desse time falastrão,
Que engana e que esnoba
E precisa, urgentemente,
De um bom óleo de peroba.

Ah se o povo aprendesse
A votar corretamente,
Não dando nenhum poder
A quem rouba nossa gente,
O nosso Brasil seria
Bem melhor e mais decente!

Pastor Douglas Nassif - Vinte e Cinco Anos de Magistério

Por Carlos Alberto Fernandes da Silva

Existem datas que são,
Para nós, especiais:
Bodas e aniversários,
Feriados e natais,
Os fatos particulares
E marcos nacionais.

A data da conversão
Propagamos sem mistério,
E contamos cada ano
Do tempo de ministério,
Mas, hoje, comemoramos
A bênção do magistério.

Um magistério voltado
Para ensino e instrução
Da Palavra, que edifica
E educa o cristão,
Que destrói a heresia
E dissipa a escuridão.

Paulo citou, em Efésios,
Os cinco dons que Jesus,
Presenteou sua Igreja,
Após sua morte na cruz,
Quando venceu o inferno
E fez raiar nova luz:

Pois dele vem o Apóstolo,
O Profeta e o Evangelista,
O Pastor e ainda o Mestre,
Que valoriza essa lista,
Por sua extrema importância,
Em nosso ponto de vista.

É muito triste pensar
Numa Igreja sem instrução,
Sem líderes preparados
E sem a compreensão
Dos arcanos registrados,
Por Deus, na Revelação.

O próprio Senhor Jesus
Pautou a sua ação
Na Pregação e nas curas
Mas também na instrução,
Em todo tempo extraia,
Para os seus, uma lição.

Por isso é conhecido,
Pelos que nele tem fé,
Como o Mestre dos Mestres
O Rabi de Nazaré,
A Palavra encarnada,
A Expressão de Javé.

Paulo, o grande apóstolo
E o Mestre dos gentios,
Acostumado a vencer
Barreiras e desafios,
Deixou a sua instrução
Junto com os seus plantios.

Nas epístolas, que são
Grande fonte de ensino,
Que mostram que, pra crescer
E deixar de ser menino,
É preciso o alimento,
Pra maturidade e tino.

Ele mesmo ensinou
A Timóteo, um ajudante,
A ensinar a Palavra
E pregar a todo instante,
Manuseando-a bem,
Como obreiro confiante.

Por isso, presto homenagem
Ao Pastor Douglas Cardoso
Pelos Vinte e Cinco anos
Desse dom maravilhoso,
Vindo do Pai das alturas,
Do Cristo vitorioso.

E os votos para que,
Se o Senhor não voltar,
Muitos outros “Vinte e Cinco”
Ele venha completar,
Quero estar presente em todos
E, junto, comemorar.


Estendo minha homenagem
À Tereza, a companheira
E esposa inseparável,
Auxiliar de primeira,
Nos bons e nos maus momentos,
Uma incansável guerreira.

E aos três filhos varões,
A começar com Dirceu,
Depois Timóteo e Silas,
Presentes que o Senhor deu,
E finalmente, à Priscila,
A mais bela que nasceu.

Deus te dê sabedoria,
 Oriente tua vida,
  Unifique teu rebanho,
   Guarde a entrada e a saída,
    Livre tua alma do mal,
     Abençoe teu arraial,
      Seja contigo em tua lida!

O Encanto dos Felinos

Por Carlos Alberto fernandes da Silva

Encanto é algo difícil
De explicar e descrever,
Muito embora seja fácil
Contemplar e perceber,
Quem na vida nunca achou
Algo bonito de ver?

Há paisagens que encantam
E tem música imortal,
Os textos inesquecíveis
E muito sonho real,
Há pessoas que, no mundo,
Não existe outra igual.

À beleza feminina
Todos dão aprovação,
Vinícius e Tom Jobim,
Cantados ao violão,
Agradam, sem muito esforço,
O mais duro coração.

Existe encanto nas flores
E no perfume das rosas,
Também no ouro e na prata,
E nas pedras preciosas,
Num dia claro de sol
E até em tardes chuvosas.

A um sorriso de criança,
Quem consegue resistir?
Com o carinho dos avós,
Quem consegue competir?
Um belo conto de fadas,
Quem não gosta de ouvir?

São inúmeros exemplos
Que mostram todo encanto
Que existe em nossa vida,
Espalhado em cada canto,
Maravilhar-se com algo,
Já não nos causa espanto.

Os animais nos encantam
E ficam em nossa lembrança,
Guardamos suas imagens,
Desde o tempo de criança,
E mantemos este encanto
Mesmo quando a idade avança.

Quem nunca amou um bichinho
E lamentou sua partida,
Mesmo sabendo quão breve
Seria a sua vida,
E carrega uma saudade
Que não será esquecida?

Eu mesmo lembro de vários,
Desde minha tenra idade,
O meu primeiro cachorro,
Que recordo, com saudade,
De seu jeito brincalhão,
Um amigo de verdade.

Cada um faz sua escolha
E tem o seu preferido,
Há quem admire pássaros
Com seu cantar e gemido,
Os peixinhos no aquário,
Quadro belo e divertido.

Os cachorros foram eleitos
Do homem, o grande amigo,
São companheiros e ajudam
Na guarda contra o perigo,
Ninguém melhor que um cão
Merece o nosso abrigo.

Mas em toda a natureza
Não existe nada igual
Ao fascínio de um gato,
O mais belo animal,
Quem teve um já conhece
Sua atração fatal.

Pouca coisa se compara
A gatos inda filhotes,
Dormindo ou mesmo brincando,
Cedo mostrando seus dotes
De guerreiros caçadores,
Espreitando e dando botes.

A ternura que expressam
Quando estão ronronando,
Com o seu olhar carente
De quem está suplicando,
Nos enganam e esquecemos
Quem é que está comandando.

Na maioria das vezes,
Este grande sedutor,
Que finge submissão
Pra conquistar nosso amor,
Ao contrário de outros bichos,
É um grande ditador.

Pois é ele quem escolhe
O momento de brincar,
Quando não quer, não adianta,
O melhor é esperar,
É ele quem dita as regras,
Temos que nos sujeitar.

Pois esses dominadores,
Donos de rara beleza,
Fascinam desde o passado,
Com sua delicadeza
E seu porte elegante,
Marca de sua realeza.

Dizem, foram os egípcios
Que domesticaram os gatos,
Por causa dos roedores,
Como, entre outros, os ratos,
Quando habitavam a África,
Vivendo dentro dos matos.

No Egito, seu fascínio
Levou-os à divindade,
A luz dos olhos, no escuro,
Era uma realidade,
E os antigos selvagens
Reinaram ali de verdade.

Com os fenícios e os romanos,
Espalham-se na terra,
No mundo que conquistaram
Com sua máquina de guerra,
Os gatos tomam as cidades,
Deixando a selva e a serra.

E com o passar dos anos,
Com a diversificação,
Surgiram várias espécies
Deste primo do leão,
Que acompanhava o homem
Em cada reino e nação.

Na Europa adoentada,
Eles foram salvadores,
Contra os ratos que assolavam,
Disseminando os horrores
Das pestes que atacavam,
Trazendo mortes e dores.

Embora deuses no Egito,
Na Idade Média, a queda,
Pois foram associados
Ao demônio que não arreda,
Gato preto e bruxaria,
Um azar que só azeda.

Ainda hoje há resquício
Contra o gato de cor,
Há quem não cruze com ele,
Pra não se encher de pavor,
O deus virou o demônio,
O bom tornou-se o terror.

Mas, superstição à parte,
Falta unanimidade
A respeito desse bicho,
Até na atualidade:
É um animal confiável
Ou cheio de falsidade?

Pois, ao contrário daqueles
Cheios de dedicação,
Há quem muito se amedronte
E tenha hesitação,
Recusando recebê-los
Como de estimação.
Mas tudo isso é fruto
De lenda e de preconceito,
E muita gente, quem sabe,
Por não conhecer direito,
Chega até a ter pavor
Do felino e do seu jeito.

Dizem que o gato é
Perigoso e traiçoeiro
Que não tem amor ao dono,
É dorminhoco e arteiro,
Não serve pra companhia
Não passa de um interesseiro.

Que deixa a casa fedendo
Porque não gosta de banho,
Que fere, morde e arranha
Quando encontra um estranho,
A ignorância de alguns
Chega a ser deste tamanho.

Mas quem já criou um gato,
Sabe que não é assim,
Pois são dóceis e amigos
Embora exista o ruim
Até na raça humana,
Desde o tempo de Caim.

Eles são independentes,
Não aceitam imposição,
Mas demonstram seu carinho
E a sua afeição,
Muitas vezes, esfregando
A cabeça em nossa mão.

Gostam de ficar no colo
De deitar perto da gente,
De correr e de brincar,
E só um gato doente,
Fica apático e estranho
E um pouco indiferente.

Como todo animal,
Necessitam de cuidados,
De vacinas e alimentos,
Para eles, destinados,
Comparados aos demais,
Eles são mais asseados.

Pesquisas já comprovaram
Que em casa que tem gato
Existem menos enfartos
(Eis aqui um grande fato),
Pois transmitem calma e paz
Com o seu jeito cordato.

Isto sem contar também
Com o prazer e alegria
Que compartilham com o dono
Em cada hora do dia,
Quando existe interação,
Amizade e harmonia.

Quem observa um gato
Descobre os seus segredos:
Gostam dos lugares altos,
Pois ainda guardam os medos
Quando nas matas viviam
A salvo nos arvoredos.

Adoram viver em bando
E lutam por liderança,
Reconhecem o mais forte,
E conservam esta herança,
Quando encontram espaço,
Reinam como uma criança.

São curiosos e atentos
Entram em caixas e gavetas,
Fuçam a casa inteira,
Uns verdadeiros xeretas,
Num momento, são uns anjos,
Mas noutro, são uns capetas.

Na verdade, são treinados
Para a luta e para a caça;
Para pegarem as presas,
Fingem e fazem trapaça;
Quando brincam com a ninhada,
Enchem o mundo de graça.

Dormem dois terços do dia,
São exímios predadores,
Sua energia é guardada
Pois, como bons caçadores,
Usam a velocidade
Durante os seus labores.

Não gostam de lugar sujo,
Adoram água corrente,
Mudam o lugar de dormir,
Sabem interagir com gente,
Abrem portas e gavetas:
Uma raça inteligente.

São nervosos, ciumentos
Não escondem a emoção,
Ronronam se estão contentes,
Com dor, ou com pretensão
De disfarçar os seus erros
Ou ganhar nossa atenção.

Entre eles, miam pouco;
Com gente, são barulhentos,
Como se falar quisessem,
Pra expressar seus intentos,
Nem sempre comem de tudo,
Às vezes, são uns nojentos.

Por isso, lendas à parte,
Não é um deus nem capeta,
Não é uma fera terrível
Vinda de outro planeta,
Nem um santinhos com asa,
Que segue a etiqueta.

Muitos gatos eu já tive
E cada um diferente:
O primeiro, o Gatinho,
Não desgrudava da gente,
Seguia por onde eu fosse,
Manso amável e carente.

Quando se afiava uma faca,
Chegava como um avião,
Saboreava pão doce,
Caçava como um leão,
Trouxe até cobra pra casa,
Ficou no meu coração.

Tive um branco que era surdo
E foi curta a sua vida,
Não deixou muitas histórias,
Foi triste a sua partida,
Essa curta convivência
Deixou uma grande ferida.

Depois criei um rajado
Que cresceu como um gigante,
Tinha um focinho enorme
Calmo, fino e elegante,
Mas não dividiu espaço
Com a sua acompanhante.

Principalmente depois
Que nasceu sua ninhada,
Os filhotes da Lelinha,
Uma gata abandonada,
Que recolhemos pra ser
Sua companheira amada.

É claro que existiu
Uma grande traição,
Os filhotes eram pretos,
Do seu rival, Ricardão,
O inimigo briguento
Que habitava a região.

Entre os filhotes, a Fofa,
Que uma amiga recolheu,
Viveu quase vinte anos,
Já bem velhinha, morreu,
Deixando muitas saudades
No lugar onde viveu.

Porque era companheira,
Não desgrudava da dona,
Se esta saia de perto,
Virava uma chorona,
Não abandonava o colo,
Com outros, era durona.

Depois criei o Nenen,
Também grande e rajado,
Era um dos mais bonitos,
E por todos muito amado,
Saia todas as noites,
Por que nunca foi castrado.

Uma noite, não voltou,
Deixando muita tristeza,
Não sei se o temporal,
Ou ato de malvadeza,
Ceifou aquele bichano,
Dono de rara beleza.

Depois dele, veio o Mickey,
Que parecia um rato,
Um siamês bem novinho,
Patinho feio, de fato,
Que, ao crescer, se tornou
Belo, charmoso, um gato.

Era super carinhoso,
Ronronava em alto som,
Admirado por todos,
Peludo, grande e bom,
Mas se visse outro macho,
A música mudava o tom.

Brigava com qualquer um
Que surgisse em sua frente,
Vivia todo arranhado,
Machucado e doente,
Foi até dado por morto,
Era um gato resistente.

Em casa todos sabiam
Que ele não tinha futuro,
Vivia pelos telhados,
Escalava qualquer muro,
Até que um dia cessou
Essa vida de apuro.

Depois do Mickey pensamos
Em não ter outro animal,
Pois, quando partem, a tristeza
Causa a todos grande mal,
Mas uma casa sem gatos
Para nós não é normal.

Alguém nos trouxe uma gata
Que escapou de chacina,
Seus irmãos foram afogados
Num rio ou numa piscina,
Entre todos que criei
Sem dúvidas, a mais fina.

Calma, mansa, educada,
Não incomoda ninguém,
Quieta, amável e tranqüila,
E siamesa também,
A casa estava em paz
Mas havia um porém...

Ela brincava demais
E nos faltava energia,
E uma equivocada idéia
Ocorreu-me certo dia:
Ela estava precisando
De uma boa companhia.

E veio um candidato,
Um gatinho siamês,
Presente da amiga Marta,
Ainda não tinha um mês,
Ágil esperto, inteligente,
Valia por mais de três.

Botei o nome de Duque,
Esperando uma mudança
Naquele seu jeito inquieto,
Próprio de uma criança,
Mas o tempo foi passando
E perdi a esperança.

O que esse gato faz,
Acho que até Deus duvida,
Ele veio transtornar
Toda paz de nossa vida,
Tentar mudar esse bicho
Tem sido causa perdida.

Ao mesmo tempo que é
Amável e brincalhão,
Fica nervoso e adora
Jogar os copos no chão,
E gosta de desligar
Fios da televisão.

Seu desejo é ir pra rua,
Embora seja castrado,
Abre armário e joga fora
O que estiver guardado,
Não existe nenhum vidro
Que já não tenha quebrado.

Preferimos não contar
As coisas que ele faz,
Pois tem quem ache impossível
Um gato ser tão capaz,
Mesmo assim todos da casa
Adoram este rapaz.

Eu conheço sua irmã,
Bela, elegante e normal,
É arteira, nos limites,
Um cativante animal,
Embora irmã do Duque,
A Teby não é igual.

Ela encanta a família
Com seu charme e beleza,
Dotada de belos traços
E muita delicadeza,
Só com a companheira, Kessy,
Ela mostra malvadeza.

Gostaria de falar
Dos gatos do mundo inteiro
Hoje, dezenas de raças,
Desse felino ligeiro,
Brincalhão e divertido,
Grande amigo e companheiro.

Alguns, quase não têm raça:
(Pelo Curto Brasileiro),
O nosso ex vira lata,
Alegre, dócil, arteiro,
Um gato inteligente,
Divertido e companheiro.

Já o Gato Siamês
(Oriundo de Sião),
Com o focinho, pata e orelha,
Quase da cor do carvão,
Com grandes olhos azuis,
É um gato brincalhão.

Sexualmente, precoce,
Inteligente e amigo,
Porém, quando provocado,
Transforma-se num perigo,
Entre os gatos do Brasil
Talvez seja o mais antigo.

O Persa, que obteve
Preferência mundial,
Oriundo da Turquia,
E da Pérsia Imperial,
Com o seu ar majestoso,
Não existe outro igual.

Robusto, de calda curta,
Hoje, com mais de cem cores,
Pelo longo, grandes olhos,
São fofinhos, uns amores,
Mas requerem mil cuidados,
Da parte dos criadores.

Embora ele requeira
Um cuidado especial,
Com seu belo e longo pelo,
Esse belo animal
Enche o coração e os olhos,
Com seu dote magistral.

O Maine Coon, um gigante,
Nem por isso, perigoso,
É um gato americano,
Com o seu porte garboso,
Um exímio caçador,
Amigo e afetuoso.

Vive bem com as crianças
Convive até com o cão,
Com seus 50 centímetros,
Lembra um tigre e um leão,
Chega a pesar 11 quilos,
De todos, é o campeão.

O Exótico, que cresce
Na preferência do povo,
Lembra um bicho de pelúcia
Ou mesmo um ursinho novo,
Para quem gosta do Persa,
Essa raça é um renovo.

E dá bem menos trabalho
Pra quem vive ocupado,
Sem tempo pra dedicar-se
A um bichano delicado,
Mas não abre mão de estar
Muito bem acompanhado.

Por ter o pelo mais curto
Do que um Persa peludo,
Ele traz toda ternura
Do seu ancestral rabudo,
Brincalhões e carinhosos,
Com seu pelo de veludo.

Dão trabalho e despesas,
Mas mesmo assim vale a pena
A companhia dos gatos,
Se a alma não é pequena,
Uma opção pra quem quer
Ter uma vida serena.

Não importa se ele é gato
De raça ou vira lata,
Se é de grande estatura,
Pequeno ou se é uma gata,
Se durante a noite dorme
Ou se adora serenata.

Se é considerado um deus
Ou é visto em declínio,
Se ele é submisso
Ou se exerce domínio,
Sempre vou admirar,
Não me canso de falar,
Dos gatos e seu fascínio.